PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Qual a polêmica dos bebês reborn? Veja diferentes opiniões

Há quem critique veementemente o comportamento, enquanto outros defendem o direito ao hobby

Compartilhe
Qual a polêmica dos bebês reborn? Veja diferentes opiniões
Foto: GCMais

A polêmica em torno dos bebês reborn, bonecas hiper-realistas que imitam recém-nascidos, tem ganhado destaque no Brasil em 2025, provocando debates intensos nas redes sociais, no meio jurídico, político e na área da saúde mental.

O que são os bebês reborn?

Os bebês reborn são bonecas artesanais feitas para parecerem o mais real possível com recém-nascidos, chegando a custar até mais de R$ 3 mil. Além da aparência, as bonecas vêm acompanhadas de acessórios como mamadeiras, chupetas e até enxovais, e algumas pessoas chegam a criar perfis nas redes sociais para elas, simulando rotinas de bebês reais.

A polêmica pública

O debate público explodiu após a viralização de vídeos em que adultos tratam essas bonecas como filhos verdadeiros, levando-as a consultas médicas, tentando usar assentos preferenciais em transportes públicos e até buscando atendimento no Sistema Único de Saúde (SUS). Embora não haja comprovação definitiva de que esses casos tenham ocorrido fora do ambiente virtual, eles geraram indignação e mobilização política.

Leia também: Trabalhador sofre descarga elétrica após incêndio em rede no Vicente Pinzón, em Fortaleza
PUBLICIDADE

Parlamentares apresentaram projetos de lei para restringir esses comportamentos, como o PL 2.326/2025, que proíbe atendimentos médicos simulados com bebês reborn; o PL 2.320/2025, que veta o uso das bonecas para obtenção de benefícios sociais; e o PL 2.323/2025, que propõe acolhimento psicossocial para quem cria vínculos afetivos com esses brinquedos.

Disputa judicial e monetização

Um caso emblemático que chamou atenção foi a disputa judicial pela "guarda" de uma bebê reborn em Goiás. Um casal rompeu o relacionamento e passou a brigar pela posse da boneca, que tinha até perfil nas redes sociais gerando engajamento e monetização. A advogada Suzana Ferreira, que acompanhou o caso, explicou que a cliente queria regulamentar a convivência com a boneca e dividir os custos do enxoval e da compra, enquanto a outra parte também buscava administrar as redes sociais da "filha reborn".

Esse episódio evidenciou como a polêmica ultrapassou o campo do hobby para entrar no jurídico e no econômico, com perfis digitais das bonecas sendo considerados ativos digitais e patrimônio.

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Diferentes opiniões sobre os bebês reborns

Perspectiva crítica

Muitos críticos veem o comportamento como uma manifestação de desequilíbrio psicológico ou fuga da realidade. O padre Chrystian Shankar, por exemplo, classificou o apego aos bebês reborn como um "caso de psiquiatria", recusando-se a realizar batismos nessas bonecas e reacendendo o debate sobre patologização e limites do afeto simbólico.

PUBLICIDADE

Além disso, há preocupações sobre o uso indevido dos bebês reborn para obtenção de benefícios sociais, o que levou à proposição de multas e restrições legais.

PUBLICIDADE

Perspectiva empática e terapêutica

Especialistas em saúde mental, como a psicóloga Melissa Tenório dos Santos e a psicanalista Maysa Balduíno, apontam que o apego aos bebês reborn pode funcionar como uma forma de terapia simbólica, especialmente para mulheres que sofreram perdas gestacionais, traumas emocionais ou lutos. Para essas pessoas, a boneca representa um alívio emocional e uma forma lúdica de lidar com a ausência de um filho vivo.

PUBLICIDADE

Algumas abordagens terapêuticas utilizam as bonecas para ajudar pacientes enlutados, mostrando que o fenômeno não deve ser generalizado como algo patológico sem análise individualizada.

PUBLICIDADE

Opiniões nas redes sociais

Nas redes sociais, a polêmica também divide opiniões. Há quem critique veementemente o comportamento, considerando-o estranho ou preocupante, enquanto outros defendem o direito ao hobby e apontam um possível viés machista nas críticas, lembrando que adultos colecionam outros tipos de brinquedos e objetos sem serem julgados da mesma forma.

Influenciadoras que compartilham suas rotinas com bebês reborn, como Carolina Rossi, que chegou a simular o parto da boneca, enfrentam tanto apoio quanto críticas severas, o que evidencia a polarização do tema.

O padre Fábio de Melo ganhou destaque na polêmica dos bebês reborn ao "adotar" uma boneca reborn com síndrome de Down durante uma visita a uma maternidade de bonecas em Orlando, nos Estados Unidos, em 2025. Esse gesto foi uma homenagem simbólica à sua mãe, Ana Maria de Melo, que faleceu em 2021 vítima da Covid-19. Durante anos, ele presenteava a mãe com essas bonecas, que para ela representavam um carinho especial, já que ela teve uma infância pobre e a primeira boneca que teve foi justamente uma que ele deu.

PUBLICIDADE

A adoção da boneca reborn com síndrome de Down chamou a atenção não apenas pela homenagem, mas também pelo tom bem-humorado com que o padre compartilhou a experiência nas redes sociais. Ele chegou a brincar sobre o "processo de adoção", mostrando documentos simbólicos como certidão de nascimento e visto da boneca, e fez piadas com os funcionários da loja, como quando questionou se a boneca realmente iria com ele, ao que a empresária respondeu que não, e ele rebateu dizendo que pagou para ela ser "mãe de aluguel".

Apesar da repercussão positiva entre muitos seguidores, que entenderam o gesto como uma forma lúdica e carinhosa de homenagear a mãe, o padre também enfrentou críticas e mal-entendidos. Em vídeo divulgado após a polêmica, ele negou ter adotado a boneca de verdade e afirmou ter respeito por quem tem essa fixação por bonecos, mas ressaltou que sua vida é muito agitada para adoções reais, e que seus únicos "filhos" são seus cachorros, para os quais também não tem muito tempo.

Impactos sociais e culturais

A polêmica dos bebês reborn reflete fissuras sociais mais profundas no Brasil, como a precariedade dos serviços públicos, as disputas por direitos e benefícios sociais, e as formas contemporâneas de expressão afetiva e identidade. A viralização do tema nas redes sociais e a repercussão legislativa mostram como um fenômeno cultural pode se transformar em um espelho das tensões sociais atuais.

PUBLICIDADE

Além disso, o aumento das vendas de bebês reborn, impulsionado pela exposição midiática, indica que o mercado para esses produtos é significativo e que o interesse vai além de uma minoria excêntrica, incluindo crianças e colecionadores

 

Leia também
Trabalhador sofre descarga elétrica após incêndio em rede no Vicente Pinzón, em Fortaleza
INVESTIGAÇÃO
Trabalhador sofre descarga elétrica após incêndio em rede no Vicente Pinzón, em Fortaleza
22 de out. de 2026 - 15:07
Filho é preso após matar a mãe a facadas no Passaré, em Fortaleza
INVESTIGAÇÃO
Filho é preso após matar a mãe a facadas no Passaré, em Fortaleza
22 de out. de 2026 - 14:49
Beto Studart é homenageado como Chanceler do Prêmio TOP de Vendas 2026
RECONHECIMENTO
Beto Studart é homenageado como Chanceler do Prêmio TOP de Vendas 2026
22 de out. de 2026 - 14:30