O Parlamento do Irã aprovou neste domingo (22) uma medida que prevê o fechamento do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo e gás natural, em resposta aos bombardeios dos Estados Unidos contra instalações nucleares iranianas no dia anterior. O anúncio, feito por meio de um veículo de imprensa local, diz que a decisão final, contudo, cabe ao Conselho Supremo de Segurança Nacional, e ainda não foi informado um prazo para que ela seja tomada.
Em entrevista à emissora Press TV, o general Esmaeil Kousari, integrante da Comissão de Segurança Nacional do Parlamento, afirmou que os deputados iranianos concluíram "que o Estreito de Ormuz deve ser fechado, mas a decisão final a esse respeito cabe ao Conselho Supremo de Segurança Nacional".
Caso confirmado, o bloqueio pode interromper o fluxo de cerca de 20% de todo o petróleo comercializado globalmente.
O Estreito de Ormuz, localizado entre Omã e o Irã, é considerado estratégico para o transporte de petróleo vindo do Golfo Pérsico. Sua eventual interdição representa uma retaliação direta aos ataques norte-americanos, em um momento de crescente tensão militar na região.
A resposta iraniana também eleva os temores de impactos econômicos. Desde o início das ofensivas, o preço do petróleo tem registrado forte alta. Segundo dados de mercado, o barril tipo Brent – principal referência global – subiu de US$ 69,36 na última quinta-feira (12) para US$ 78,74 nesta quinta-feira (19), acumulando um aumento de 13,5%. Já o petróleo WTI, referência nos Estados Unidos, passou de US$ 66,64 para US$ 73,88 no mesmo período, alta de 10,9%.
Além disso, as agências marítimas que atuam na região já orientaram os navios petroleiros a redobrarem os protocolos de segurança ao transitarem pelo Golfo Pérsico.
A 5ª Frota da Marinha dos Estados Unidos, baseada no Bahrein, é responsável pela segurança da navegação comercial no Estreito de Ormuz. Diante da escalada, o Pentágono informou que acompanha de perto os desdobramentos e reforçou a presença militar na região.
Ao longo dos últimos anos, o Irã já havia ameaçado bloquear o Estreito em outras ocasiões, especialmente durante períodos de tensão diplomática com Washington, como em 2019, quando o governo Trump se retirou unilateralmente do acordo nuclear firmado em 2015. Até agora, porém, nenhuma dessas ameaças havia sido efetivada.




