O Ministério Público do Ceará (MPCE) solicitou, nesta quarta-feira (25), que o inquérito que apura a morte de Kauã Guedes, de 18 anos, volte à delegacia para reavaliação. Segundo o órgão, há indícios de que o caso pode se enquadrar como homicídio doloso, quando há intenção ou aceitação do risco de matar e não apenas como crime de trânsito culposo, como inicialmente investigado.
A medida foi tomada após análise do inquérito policial. Em nota, o MP afirmou que a nova tipificação pode gerar “consequências processuais bem mais graves do que as apresentadas até o momento pela autoridade policial”.
O caso
O empresário Rafael Elisario Ferreira, de 42 anos, foi preso em flagrante após atropelar Kauã e Igor Lima, de 23 anos, que ficou gravemente ferido. O acidente ocorreu após Rafael avançar a preferencial em alta velocidade. No veículo conduzido por ele, foram encontradas drogas, latas de cerveja e comprimidos psicotrópicos. Apesar disso, o motorista recusou-se a fazer o teste do bafômetro e permaneceu em silêncio durante o depoimento.
Testemunhas relataram que o carro estava em alta velocidade no momento do acidente, o que contradiz a versão do empresário registrada em vídeo.
Inicialmente, Rafael foi autuado por lesão corporal culposa no trânsito. Após a morte de Kauã, a investigação passou a considerar a hipótese de homicídio doloso. Mesmo assim, em audiência de custódia, realizada antes do falecimento do jovem, o Ministério Público se manifestou a favor da liberdade do suspeito. A Justiça concedeu a soltura mediante o pagamento de fiança no valor de R$ 15 mil, considerando que Rafael era réu primário e tinha bons antecedentes. Além disso, o MP pediu novos documentos para subsidiar sua manifestação final no processo.
Multas por excesso de velocidade
O veículo envolvido no acidente, uma Ford Ranger vermelha, acumula 24 multas entre abril de 2024 e maio de 2025, sendo 16 delas por excesso de velocidade. As infrações somam mais de R$ 4 mil e ainda não foram quitadas. O carro também possui autuações por estacionar em locais proibidos, transitar no acostamento e parar sobre faixas de pedestres, além de estar com o IPVA em atraso.
Kauã havia concluído o ensino médio recentemente e se preparava para concursos públicos. Ele trabalhava em uma confecção com a mãe, a quem acompanhava durante o tratamento contra o câncer.




