Quatro pessoas acusadas de envolvimento no assassinato de Maria Gerliane Pereira, ocorrido em 21 de setembro de 2021, no estacionamento do Posto de Saúde Teresinha Parente, no bairro Lagoa Redonda, em Fortaleza, foram inocentadas da acusação de homicídio. A decisão da 2ª Vara do Júri de Fortaleza foi publicada no último dia 1º de julho.
Foram impronunciados, ou seja, não serão levados a júri popular, os réus Antônia Rodrigues dos Santos (conhecida como “Paloma”), Francisco Thiago de Oliveira Pereira (“Thiago Santa Maria”) e os irmãos Reginaldo da Silva Lopes (“Barrigudo”) e Rogério da Silva Lopes (“Naruto”). Com isso, os quatro, que estavam presos preventivamente, foram colocados em liberdade.
Segundo o juiz Antonio Josimar Almeida Alves, não há provas suficientes que indiquem a participação direta dos acusados no homicídio. De acordo com a decisão, as testemunhas ouvidas “não presenciaram o crime e apenas reproduziram informações da ‘população’”.
A decisão seguiu o entendimento da Defensoria Pública Geral do Ceará, que afirmou nos memoriais finais do processo não haver “lastro mínimo e suficiente” para levar os acusados a julgamento por homicídio, o que poderia resultar em uma condenação injusta.
Apesar da impronúncia, os quatro ainda respondem por participação em organização criminosa, processo que será julgado pela Justiça comum e não pelo Tribunal do Júri.
O crime
Maria Gerliane Pereira foi assassinada a tiros no início da tarde do dia 21 de setembro de 2021, no estacionamento do posto de saúde localizado na Rua Nelson Coelho. Câmeras de segurança registraram a ação, onde a vítima foi surpreendida por dois homens armados, que efetuaram vários disparos.
De acordo com o Ministério Público do Ceará (MPCE), a motivação do crime estaria relacionada ao controle territorial de facções criminosas. A vítima morava no bairro Curió, área de influência de facção, e foi morta em uma região dominada por uma facção rival. Segundo o MP, os criminosos teriam acreditado que ela possuía vínculos familiares com integrantes da organização rival, apesar de testemunhas afirmarem que Gerliane não tinha envolvimento com o crime.
Ainda segundo a denúncia, "Paloma" teria identificado a presença da vítima na área e alertado os demais acusados. “Thiago Santa Maria” teria dirigido o veículo que transportou os irmãos Reginaldo e Rogério até o local do crime.
O MPCE também destacou que os réus já respondiam a outros processos: Thiago por outro homicídio em setembro de 2021; Rogério (“Naruto”) por tráfico de drogas; e Paloma, Barrigudo e Naruto por um homicídio em março de 2022.
Mesmo com essas acusações anteriores, a Justiça concluiu que não havia elementos suficientes para levá-los a julgamento pelo assassinato de Maria Gerliane. O processo continua em andamento apenas pelo crime de associação criminosa.




