A deputada federal Luizianne Lins (PT/CE) e os demais brasileiros detidos ilegalmente pelo governo de Israel devem receber visitas consulares da Embaixada do Brasil ao longo desta sexta-feira (3). A parlamentar permanece incomunicável há mais de 40 horas, desde a abordagem da Marinha de Israel em águas internacionais, durante a missão humanitária que levava alimentos, medicamentos e próteses à população palestina.
O ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, afirmou que os ativistas internacionais da Global Sumud Flotilha estão recebendo “tratamento de terroristas”. Imagens da TV israelense mostram o centro de detenção de Ketzi’ot, no deserto do Naqab (Negev), um dos principais símbolos do aparato repressivo israelense.
Todas as pessoas detidas, incluindo a delegação brasileira, foram transferidas para o centro de detenção, a cerca de 30 km do Egito, onde o serviço consular do Brasil realizará visitas para verificar a integridade física e a segurança dos cidadãos. Advogados da missão humanitária também prestam assistência jurídica aos detidos.
Ações do Itamaraty e do Congresso Nacional
Na manhã de quinta-feira (2), parlamentares se reuniram com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, no Itamaraty, para tratar da situação dos 15 brasileiros na flotilha. Segundo o órgão, a visita consular tem o objetivo de verificar a integridade física dos detidos, oferecer assistência e encaminhar medidas de proteção.
O último contato com Luizianne ocorreu às 18h30 do dia 1º de outubro, horário de Brasília. Antes da captura, em 17 de setembro, a deputada já havia solicitado apoio diplomático ao Itamaraty. Em 26 de setembro, 37 deputados federais assinaram documento pedindo providências do governo federal para garantir a segurança da delegação.
Repercussão no Ceará
A captura da deputada cearense provocou reações imediatas de parlamentares. O deputado estadual Júlio César Filho (PT) destacou o caráter humanitário da missão e expressou solidariedade: “Expresso toda a minha solidariedade à deputada Luizianne e aos voluntários(as) neste momento difícil. Que a esperança e a luta pela paz sejam sempre o nosso caminho”, afirmou.
O deputado federal José Guimarães (PT) informou que acompanha o caso de perto. “O governador Elmano de Freitas acionou o Governo Federal que também acompanha o caso. Toda força e solidariedade a essa corajosa companheira”, disse nas redes sociais.
A deputada estadual Larissa Gaspar (PT) classificou a operação como sequestro, afirmando que “a embarcação onde se encontrava nossa companheira deputada federal Luizianne Lins foi sequestrada pelo Estado de Israel!”. Ela também fez um apelo ao governo brasileiro para garantir o retorno seguro dos ativistas.
O deputado federal Domingos Neto (PSD), coordenador da bancada cearense, informou que acionou o Itamaraty e mantém contato com autoridades. “Estamos trabalhando para que o mais breve possível possamos ter noção do paradeiro da Dra. Luizianne Lins. Estou pessoalmente dedicado a garantir a segurança da deputada”, afirmou.
Contexto internacional e repercussão
A flotilha contava com 17 brasileiros, entre médicos, ativistas e representantes de movimentos sociais. Até a noite de quarta-feira, ao menos 178 ativistas haviam sido detidos, incluindo a ativista sueca Greta Thunberg.
A ação gerou reações internacionais. A Anistia Internacional Brasil classificou a interceptação como ilegal, afirmando que nenhuma regra do direito internacional autoriza ataques a embarcações em águas internacionais. A entidade exigiu garantias de segurança para os voluntários.
No Brasil, movimentos sociais e familiares organizaram vigílias cobrando o retorno seguro dos detidos e medidas diplomáticas mais firmes contra Israel. O governo brasileiro segue negociando para assegurar a integridade física dos ativistas, com expectativa de que a deportação anunciada por Israel seja concretizada nos próximos dias.




