A Universidade Federal do Ceará (UFC) passou a adotar novas regras para o uso de inteligência artificial (IA) na produção acadêmica da pós-graduação. A Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (PRPPG) publicou, em 8 de outubro, a Portaria nº 36/2025, que estabelece diretrizes sobre o uso responsável dessas ferramentas e torna obrigatória a verificação de similaridade em dissertações e teses.
Em vigor desde 30 de setembro, a portaria determina que todas as pesquisas e trabalhos finais de mestrado e doutorado deverão ser submetidos a uma ferramenta de detecção de similaridade, como o Turnitin — sistema já disponível para docentes da universidade desde março. O objetivo é reforçar o compromisso da UFC com a integridade acadêmica, prevenir plágio e garantir que os conteúdos apresentados sejam originais.
De acordo com a coordenadora de Avaliação e Planejamento Estratégico da PRPPG, Lidiany Rodrigues, a nova norma reflete o empenho da instituição em fortalecer a ética e a transparência na produção científica. “Queremos evidenciar a preocupação da UFC em disseminar uma cultura de integridade acadêmica, incentivando discentes e docentes a manterem atenção redobrada quanto à originalidade, à correta atribuição de autoria e à responsabilidade na produção de trabalhos”, destacou.
A partir de agora, para agendar a defesa de dissertações e teses pelo Sistema Integrado de Gestão de Atividades Acadêmicas (Sigaa), o aluno deverá anexar o relatório de verificação de similaridade, assinado pelo orientador. Essa medida será obrigatória para todos os programas de pós-graduação stricto sensu da universidade.
Por outro lado, a UFC proíbe expressamente o uso de IA para gerar conteúdo original, redigir partes substantivas da pesquisa, manipular dados, gráficos ou imagens, fabricar resultados, inserir referências não verificadas ou mascarar plágio. Também não será permitido empregar essas ferramentas para criar interpretações ou análises críticas que componham o núcleo científico do trabalho.
Segundo Lidiany Rodrigues, a portaria busca formar uma comunidade acadêmica mais consciente e responsável diante das novas tecnologias. “A principal expectativa da PRPPG é criar um ambiente em que docentes, discentes e orientadores tenham clareza sobre os limites éticos da produção científica. Queremos preservar a autoria humana como núcleo da criação acadêmica”, afirmou.
Além disso, a portaria transfere aos estudantes a responsabilidade de cadastrar a banca examinadora no Sigaa e anexar uma declaração de uso ou não uso de IA, que será posteriormente homologada pela coordenação do programa.
Para garantir a implementação efetiva das novas medidas, a PRPPG disponibilizou tutoriais e materiais de apoio sobre o uso do Turnitin e sobre a detecção de textos gerados por IA. Os docentes também podem solicitar suporte diretamente às secretarias dos programas de pós-graduação.
Ao adotar essas regras, a UFC busca fortalecer a confiança pública na pesquisa produzida na instituição. “Com a verificação de similaridade e a declaração de uso de inteligência artificial, a Universidade reafirma seu compromisso com a ética, a transparência e a credibilidade científica”, concluiu Lidiany Rodrigues.




