O Ceará será um dos protagonistas nas discussões sobre o bioma Caatinga durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 30), que ocorre em Belém (PA) entre os dias 10 e 21 de novembro de 2025. O evento reunirá líderes mundiais, pesquisadores e representantes da sociedade civil em busca de soluções concretas para conter o aquecimento global — e o semiárido nordestino, desta vez, terá voz ativa nesse diálogo global.
A Caatinga, único bioma 100% brasileiro, vem ganhando destaque internacional pela sua relevância ambiental e pelo papel estratégico que desempenha no equilíbrio climático. Estudos recentes da Universidade Estadual Paulista (Unesp) apontam que, entre 2015 e 2022, a Caatinga foi responsável por cerca de 50% de todo o sequestro de carbono do Brasil, apesar de ocupar apenas 10% do território nacional. Essa capacidade coloca o bioma entre os mais eficientes do planeta na captura de carbono e reforça sua importância para as metas de mitigação climática.
Dentro desse contexto, o Ceará levará para a COP 30 uma série de experiências e propostas voltadas à conservação e ao desenvolvimento sustentável do semiárido. O estado será representado por especialistas, gestores ambientais e entidades que atuam há décadas na proteção do bioma. Entre elas está a Associação Caatinga, organização cearense que integra a comitiva de delegados nacionais e que terá papel de destaque nas discussões oficiais e paralelas da conferência.
O diretor executivo da instituição, Daniel Fernandes, fará parte do grupo de delegados com acesso à Zona Azul, espaço sob responsabilidade direta da ONU, onde ocorrem as negociações oficiais, reuniões técnicas e plenárias finais. Outros três membros da equipe da Associação — Gilson Miranda (gestor da Reserva Natural Serra das Almas), Rayana Silva (analista de projetos socioambientais) e Otávio Fernandes (analista de comunicação) — participarão das atividades da Zona Verde, área voltada à sociedade civil, que abriga palestras, exposições e painéis de debate.
Ceará leva Caatinga à COP30
As discussões devem abordar temas como os desafios da gestão hídrica no Nordeste, o papel da Caatinga no sequestro de carbono, a criação de novas unidades de conservação, a refaunação de espécies ameaçadas e o fortalecimento da sociobioeconomia — conjunto de atividades que conciliam geração de renda e preservação ambiental.
Segundo Daniel Fernandes, a participação do Ceará e das instituições ligadas à Caatinga representa um passo estratégico para ampliar a visibilidade do bioma no cenário internacional. “Este é o momento de colocar a Caatinga na mesa das decisões globais. Vamos apresentar dados, experiências e resultados que comprovam seu potencial na captura de carbono e na regulação térmica do planeta. A COP é o espaço onde se definem caminhos para o financiamento de projetos e políticas de restauração ambiental, e é essencial que o bioma esteja representado nessas discussões”, afirma.
O trabalho desenvolvido no Ceará, especialmente no interior, serve de exemplo de como é possível conciliar conservação e desenvolvimento. Desde 1998, iniciativas locais têm demonstrado que a adoção de tecnologias de convivência com o semiárido, a restauração ecológica e o fortalecimento de comunidades rurais podem reduzir a vulnerabilidade socioambiental da região.
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