O Ministério da Saúde investe R$ 6,5 milhões na Hemorrede do Ceará, que receberá 48 equipamentos de alta tecnologia para modernizar o processamento de plasma e fortalecer a produção nacional de medicamentos. O anúncio foi feito nesta sexta-feira, 28, pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, como parte de uma iniciativa nacional de modernização da Hemorrede pública, que prevê a entrega de 604 novos equipamentos em diversos estados.
Seis cidades cearenses serão contempladas: Fortaleza, Sobral, Juazeiro do Norte, Iguatu, Crato e Quixadá. A modernização faz parte de um investimento nacional de R$ 116 milhões do Novo PAC Saúde, que tem como objetivo ampliar a capacidade de coleta, congelamento e armazenamento do plasma utilizado na produção de hemoderivados.
O plasma, quando processado, origina medicamentos essenciais para pacientes com hemofilia, imunodeficiências e outras doenças crônicas, além de ser fundamental em cirurgias de grande porte.
Durante o anúncio, Padilha destacou a relevância da expansão: “Durante muito tempo, o Brasil não produzia os fatores que derivam do plasma e tínhamos que importar o tempo todo, gerando insegurança para quem depende dos hemoderivados. É um passo muito importante no cuidado à saúde para salvar a vida de tantas pessoas.”
Ministério da Saúde investe na Hemorrede do Ceará
Entre os equipamentos entregues estão blast-freezers, ultrafreezers e freezers industriais, que permitem congelamento rápido a temperaturas de até –30°C. Essa tecnologia assegura maior qualidade ao plasma e possibilita que a nova fábrica da Hemobrás, inaugurada em 2025, opere em plena capacidade, com potencial para processar 500 mil litros por ano.
Nos últimos três anos, o país ampliou em 288% o envio de plasma para a Hemobrás, passando de 62,4 mil litros em 2022 para 242,1 mil litros em 2025 — um avanço que reforça a autossuficiência nacional na produção de imunoglobulinas, albumina e fatores de coagulação.
Padilha também ressaltou o papel estratégico da Hemobrás: “A Hemobrás é hoje a maior fábrica de hemoderivados da América Latina. Para ampliar nossa soberania, precisamos garantir que o plasma seja bem acondicionado e processado com rapidez e qualidade.”
Importância da doação de sangue
O anúncio ocorre durante a Semana Nacional do Doador de Sangue. Em 2024, o Brasil coletou 3,3 milhões de bolsas, equivalente a 1,6% da população. Apenas 13% do plasma coletado é usado em transfusões; os 87% restantes podem ser destinados à produção de medicamentos — o que reforça a necessidade de investimentos na infraestrutura da Hemorrede.
O país também avança em tecnologia 100% nacional. A Rede NAT, responsável por testes moleculares que detectam doenças como HIV, hepatites e malária, analisa cerca de 3,5 milhões de amostras por ano e é considerada referência internacional em segurança transfusional.
Com o reforço tecnológico na Hemorrede do Ceará e em outros estados, o Ministério da Saúde busca reduzir a dependência de importações e garantir estabilidade no fornecimento de medicamentos essenciais ao Sistema Único de Saúde (SUS).




