O incêndio de grandes proporções que atingiu a sucata Chico Alves, no bairro Monte Castelo, em Fortaleza, na noite desta quarta-feira (24), véspera de Natal, destruiu completamente o estabelecimento, considerado o mais antigo do setor na capital cearense. As chamas avançaram por toda a madrugada desta quinta-feira (25) e só foram controladas nas primeiras horas da manhã, mobilizando um grande efetivo do Corpo de Bombeiros Militar do Ceará (CBMCE).
Segundo informações apuradas no local, o incêndio é tratado inicialmente como possivelmente criminoso. Relatos de testemunhas indicam que indivíduos teriam lançado fogos de artifício nas proximidades da sucata e que um dos artefatos atingiu um veículo estacionado dentro do depósito, dando início ao fogo. As chamas se espalharam rapidamente devido à grande quantidade de material altamente inflamável armazenado no local.
Combate ao incêndio e atuação das equipes
No combate às chamas, foram mobilizadas inicialmente 16 viaturas e 43 bombeiros, número que posteriormente foi ampliado. De acordo com o CBMCE, a operação passou a contar com 19 viaturas, incluindo Auto Bomba Tanque Turbina (ATM), Auto Escada Mecânica (AEM 05), viaturas de salvamento, resgate, apoio logístico e viaturas-tanque. Ao todo, 50 bombeiros militares atuaram diretamente na ocorrência, em regime de revezamento, devido à complexidade e à longa duração do incêndio.
Até o momento, aproximadamente 450 mil litros de água foram utilizados nas ações de combate e rescaldo. O volume foi resultado do trabalho conjunto de três viaturas-tanque com capacidade de 12 mil litros cada, reabastecidas quatro vezes; seis Auto Bomba Tanque (ABTs) com capacidade de 4 mil litros cada; além do apoio de seis carros-pipa da Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece), com capacidade de 10 mil litros por veículo, cada um reabastecido três vezes.
Durante toda a madrugada, o trabalho foi dificultado pela intensidade das chamas, pelas explosões constantes e pelas altas temperaturas, o que exigiu o uso de equipamentos de grande porte, como a escada Magirus, para evitar que o fogo se propagasse para imóveis vizinhos.
Evacuação e momentos de pânico
Por conta do risco, residências e estabelecimentos comerciais próximos precisaram ser evacuados às pressas. Moradores relataram momentos de pânico, e uma família que realizava a ceia de Natal teve de abandonar a casa rapidamente. Pizzarias, restaurantes e imóveis residenciais foram desocupados, e muitos moradores retiraram móveis, botijões de gás e eletrodomésticos na tentativa de evitar prejuízos ainda maiores.
Imóveis vizinhos foram afetados pelo calor intenso, pela fumaça e pela fuligem, e parte da vizinhança registrou danos materiais. A área precisou ser isolada com apoio da Polícia Militar do Ceará (PMCE), da Autarquia Municipal de Trânsito (AMC) e da Defesa Civil de Fortaleza, que atuaram no controle do tráfego e na segurança do entorno.
Atendimentos durante a ocorrência
Durante a operação, foram registrados quatro atendimentos pelas equipes de resgate do Corpo de Bombeiros. Dois bombeiros militares precisaram de atendimento: um apresentou quadro de exaustão e outro sofreu queimadura de segundo grau em uma das mãos. Ambos foram atendidos no local e liberados para retorno às atividades.
Entre os civis, um adolescente foi atendido por apresentar ferimento leve na região temporal e liberado após avaliação médica. Uma mulher sofreu um mal súbito, recebeu atendimento inicial no local e foi encaminhada para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro Cristo Redentor. Não há registro de óbitos relacionados ao incêndio.
Durante a cobertura da ocorrência, a reportagem da TV Cidade flagrou uma mulher tentando resgatar um gato que estava na área atingida pelas chamas. Ao tentar impedir que o animal retornasse ao local do incêndio, ela acabou caindo, mas não conseguiu salvá-lo.
Investigação e acompanhamento
A Polícia acompanha o caso e investiga as circunstâncias do incêndio para identificar os responsáveis. As equipes do CBMCE seguem no local realizando ações de rescaldo, monitoramento de focos residuais e avaliação estrutural da edificação, com prioridade absoluta à segurança das guarnições e da população do entorno. O Corpo de Bombeiros informou que continuará prestando informações oficiais conforme a evolução dos trabalhos.
O proprietário da sucata, um idoso conhecido como Chico Alves, mora no local. Antes do incêndio, ele havia sido levado pelos filhos a uma unidade de saúde, por estar doente. Ainda no hospital, soube do incêndio que destruía o próprio patrimônio. Após receber atendimento médico, ele foi visto no local do sinistro, acompanhando de perto a cena de destruição provocada pelo fogo.
Sobre a Sucata Chico Alves
A Sucata Chico Alves é um dos estabelecimentos mais tradicionais de Fortaleza, com décadas de atuação no comércio de peças automotivas usadas, sucatas metálicas e materiais reaproveitáveis. Localizada na Avenida Sargento Hermínio Sampaio, o espaço se tornou referência para mecânicos, comerciantes e moradores de diversas regiões da capital.
Fundado na década de 1970, o empreendimento acompanhou o desenvolvimento econômico da área e a transformação da região, que deixou de ter perfil predominantante industrial para se consolidar como um importante corredor comercial. Ao longo dos anos, a sucata também passou a integrar a memória afetiva da cidade, sendo frequentemente citada como símbolo do comércio popular de Fortaleza.




