O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enviou convite formal ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva para integrar o “Conselho da Paz” em Gaza, anunciado neste sábado (17) como parte da segunda fase do plano americano para o pós-guerra na Faixa. A carta chegou à Embaixada brasileira em Washington, mas o Planalto ainda não respondeu oficialmente, mantendo reserva sobre eventuais termos de participação.
Trump presidirá o grupo, ao lado do secretário de Estado Marco Rubio, do ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair e do enviado especial Steve Witkoff, além de empresários como Marc Rowan. Outros líderes convidados incluem Javier Milei (Argentina), que aceitou publicamente no X como “uma honra”, Recep Tayyip Erdogan (Turquia), e representantes do Canadá, Egito e Paraguai. O major-general Jasper Jeffers foi nomeado para liderar a Força Internacional de Estabilização (ISF), focada em segurança e treinamento policial local.
O conselho supervisionará governança, reconstrução, investimentos e desmilitarização do Hamas, pavimentando transição para um Comitê Nacional de Administração de Gaza (CNAG) ligado à Autoridade Palestina. Trump qualificou o órgão como “o maior e mais prestigiado já reunido”, prevendo zona econômica especial com tarifas preferenciais e plano de desenvolvimento inspirado em cidades modernas do Oriente Médio. A iniciativa segue o cessar-fogo de outubro de 2025, com liberação de reféns e ajuda humanitária já em curso.
Milei celebrou o convite nas redes, enquanto Lula, que classificou ações em Gaza como “genocídio” em 2025, enfrenta dilema diplomático ao lado de aliados díspares como Milei e Erdogan. O Brasil avalia o chamado sem confirmação de adesão.
Assembleia Geral da ONU
Durante seu discurso na 80ª Assembleia Geral da ONU, em setembro de 2025, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou os eventos em Gaza como "genocídio", condenando veementemente as ações israelenses.
Lula reconheceu os "atentados terroristas perpetrados pelo Hamas" como "indefensáveis sob qualquer ângulo", mas enfatizou que "absolutamente nada justifica o genocídio em curso em Gaza". Ele destacou que sob "toneladas de escombros" jazem dezenas de milhares de mulheres e crianças inocentes, sepultando o Direito Internacional Humanitário e o "mito da superioridade ética do Ocidente".
O presidente denunciou o uso da fome como "arma de guerra" e o deslocamento forçado de populações de forma impune em Gaza. Lula afirmou que mais de meio milhão de palestinos enfrentam falta de comida suficiente, o que "não aflige apenas o corpo, [mas] estilhaça a alma". Ele defendeu a autodeterminação palestina como ato de justiça, afirmando que tanto Israel quanto Palestina têm direito de existir, e que o conflito representa uma tentativa de "aniquilamento do sonho de nação" palestino. Lula criticou a "tirania do veto" no Conselho de Segurança da ONU por sabotar ações contra atrocidades.
Também durante a Assembleia Geral da ONU, em setembro de 2025, Lula e Trump tiveram um breve encontro casual e amigável no edifício-sede da organização, em Nova York. Os líderes se cruzaram no corredor após o discurso de Lula, trocando poucas palavras por cerca de 20 segundos. Trump mencionou publicamente o episódio em seu discurso logo depois, elogiando Lula como "um homem muito agradável" e revelando que combinaram uma nova conversa.




