A inflação na Região Metropolitana de Fortaleza apresentou desaceleração ao longo de 2025 e encerrou o ano com alta de 4,1%, abaixo dos 4,9% registrados em 2024. Os dados constam na edição de janeiro de 2026 do Radar do Varejo Cearense, divulgado pela Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Ceará, com base em informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
O resultado indica que os preços continuaram subindo, mas em ritmo mais moderado, o que sinaliza um alívio gradual no custo de vida dos consumidores da capital e dos municípios do entorno. Apesar desse cenário mais favorável, o levantamento aponta que o endividamento e a inadimplência ainda permanecem como desafios relevantes para a economia local.
A análise por grupos de bens e serviços mostra que o comportamento da inflação foi desigual ao longo do ano. O maior reajuste foi registrado no grupo “Saúde e cuidados pessoais”, com alta de 7,1%, seguido por “Despesas pessoais”, que avançaram 6,6%.
Por outro lado, o grupo “Alimentação e bebidas” teve aumento mais moderado, de 3,0%, o que contribuiu para a desaceleração do índice geral na Região Metropolitana de Fortaleza.
No cenário nacional, outros indicadores também reforçam a tendência de arrefecimento da inflação. O Índice Geral de Preços – Mercado, calculado pela Fundação Getulio Vargas, registrou queda de 1,05% em 2025. Como o indicador é amplamente utilizado em reajustes contratuais, o resultado negativo aponta para a possibilidade de continuidade da desaceleração inflacionária nos próximos meses.
Endividamento e inadimplência seguem como preocupação
Mesmo com a inflação em ritmo mais controlado, os dados sobre inadimplência acendem um alerta no Ceará. Em 2025, o número de consumidores negativados no estado cresceu 11,5% em comparação com a última medição de 2024. No Brasil, o avanço foi de 10,2%, segundo informações do Serviço de Proteção ao Crédito e da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Ceará.
O levantamento aponta que houve aceleração no crescimento do indicador ao longo do ano, refletindo as dificuldades financeiras enfrentadas por parte da população.
O valor médio das dívidas em atraso no Ceará foi estimado em R$ 4.326,00, abaixo da média nacional, que ficou em R$ 4.833,00. Do total de negativados, 33,5% concentram débitos de até R$ 500,00, enquanto 15,8% possuem dívidas superiores a R$ 7,5 mil.
Expectativa é de melhora gradual em 2026
Para o presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Ceará, Freitas Cordeiro, o cenário ainda exige atenção, especialmente em relação ao endividamento das famílias. “Os desafios permanecem, especialmente no que diz respeito ao endividamento e à inadimplência, temas que continuarão no centro das atenções em 2026. Ao mesmo tempo, a melhoria do ambiente inflacionário e a perspectiva de condições macroeconômicas mais favoráveis reforçam a expectativa de um ano mais equilibrado e propício ao fortalecimento da atividade econômica”, afirmou.
A expectativa da entidade é que, com a inflação mais controlada, os indicadores de endividamento e inadimplência apresentem recuo ao longo de 2026, criando espaço para a retomada gradual do consumo no estado.




