A irmã do bebê de 1 ano e 9 meses que morreu após se afogar em uma piscina desativada, em Caucaia, falou publicamente sobre o acidente e relatou os momentos de desespero vividos pela família. A adolescente de 13 anos, que estava responsável pela criança no momento da tragédia, afirmou que nunca imaginou que algo assim pudesse acontecer e fez um alerta a outros responsáveis. “Ele era só uma criança, tinha muito o que viver pela frente”, disse.
O caso ocorreu na manhã da última segunda-feira (2), dentro de um condomínio localizado no município de Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza. Na ocasião, a mãe do menino havia saído para trabalhar em um restaurante no Cumbuco, enquanto os filhos adolescentes ficaram responsáveis pelos cuidados com o bebê. Durante um momento de descuido, a criança saiu sozinha do apartamento e caiu em uma piscina infantil desativada, que acumulava água e lixo.
Segundo familiares, naquele dia, a rotina era considerada normal. A mãe saiu para trabalhar, como fazia diariamente, e os filhos adolescentes ficaram responsáveis pelos cuidados com o irmão mais novo. A adolescente de 13 anos, no entanto, também é mãe de um bebê de apenas dois meses.
De acordo com o relato, ela colocou a própria filha para dormir e saiu rapidamente de casa para comprar água, acreditando que o irmão permaneceria no interior do apartamento. Nesse intervalo, o menino conseguiu abrir o portão da residência e saiu sozinho.
“Momentos antes disso acontecer, eu nunca nem pensava que ia acontecer isso. Foi do nada. Eu deixei ele dentro de casa e fui”, relatou a adolescente. “Ele consegue abrir o portão. Eu que fui burra e não tranquei o portão, entendeu? Não tranquei ele por dentro de casa pra poder comprar água”, acrescentou.
Piscina desativada tinha água suja e lixo
Durante as buscas pelo condomínio, os familiares se depararam com uma piscina infantil localizada na área de convivência dos moradores. O equipamento estava desativado, mas com água acumulada, lama e lixo, o que dificultava a visibilidade.
“A gente começou a procurar, saiu correndo pelo condomínio. Aí perguntamos: ‘Cadê o Yuri?’. Quando viu, ele tava lá”, disse a irmã. “Começou a dar um desespero, um aperto.”
Segundo o relato, a criança foi encontrada submersa e inconsciente. “Eu peguei ele no braço e disse: ‘Uri, Uri, acorda, por favor. Meu irmão, acorda. Pelo amor de Deus, acorda’. E ele nada, e ele nada. Nada dele”, contou.
Desesperada, a adolescente pediu ajuda aos moradores. “Eu fui correndo, pedi ajuda. Eu gritei, gritei, dizendo: ‘Por favor, ajuda, salva a vida dele. Ele é só uma criança, tinha muito o que viver pela frente’.”
O síndico do condomínio prestou os primeiros auxílios e colocou os dois adolescentes e a criança em um carro, levando-os até o quartel do Corpo de Bombeiros do Icaraí. No local, os militares realizaram manobras de reanimação cardiopulmonar, com apoio médico e acionamento de uma aeronave da Coordenadoria Integrada de Operações Aéreas.
Apesar dos esforços, o bebê não apresentou sinais vitais e teve a morte confirmada no quartel. Pouco depois, a mãe chegou ao local e recebeu a notícia.
“Eu tô muito triste. Até a minha mãe tá botando culpa em mim, porque não era pra ter acontecido isso”, disse a adolescente. “Ela tá gestante também. Tá grávida de seis meses, de uma menina. Agora tem que ter cuidado com a menina também, quando nascer.”
Em meio ao sofrimento, a irmã fez um apelo. “Pra vocês aí que estão em casa, pra ter cuidado com o filho de vocês. Eu não quero que aconteça isso com ninguém. Eu não desejo mal de ninguém.”
Investigação
Após o atendimento no quartel, equipes da Perícia Forense do Estado do Ceará estiveram no condomínio e realizaram levantamentos no local onde a criança foi encontrada. O síndico acompanhou os trabalhos e autorizou a entrada das autoridades para análise da área da piscina.
A Polícia Civil também foi acionada e investiga o caso para esclarecer as circunstâncias da morte e apurar se houve alguma responsabilidade, incluindo as condições de segurança da piscina desativada e a dinâmica do ocorrido. O inquérito segue em andamento.
A tragédia causou comoção entre moradores do condomínio, que relataram desgaste na estrutura do local e a presença de diversas famílias com crianças. O caso reforça o alerta sobre os riscos de áreas comuns sem isolamento adequado e sobre a necessidade de vigilância constante em ambientes com piscinas, mesmo quando desativadas.




