Com as obras da nova Transnordestina em plena execução no trecho do Ceará, o mapa logístico do estado passa por um redesenho estratégico voltado ao escoamento de cargas. Ao todo, a ferrovia contará com dez terminais logísticos já mapeados, sendo seis em território cearense. Os demais estão distribuídos entre Pernambuco e Piauí.
No Ceará, os terminais previstos ficarão nos municípios de Missão Velha, Iguatu, Quixeramobim — que receberá um porto seco —, Quixadá, Maranguape e no Porto do Pecém, onde será implantado o TUP Nelog. A estrutura no Pecém fará a ligação das malhas ferroviárias da Ferrovia Transnordestina Logística (FTL) e da Transnordestina Logística S.A. (TLSA).
As cidades de Quixadá e Maranguape foram confirmadas recentemente pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) dentro do mapa logístico de terminais. Elas se somam a Missão Velha, Iguatu, Quixeramobim e ao terminal do Porto do Pecém, considerados pontos estratégicos para a integração da ferrovia com diferentes modais de transporte.
Os locais foram mapeados há cerca de dois anos pela TLSA, concessionária da Transnordestina, em parceria com a Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec). Desde então, vêm sendo realizados estudos técnicos para avaliar a viabilidade dos projetos executivos de cada terminal.
Transnordestina no Ceará
Entre os empreendimentos previstos, o terminal planejado para Maranguape é apontado como um dos mais estratégicos. Mais do que um ponto de transbordo, a estrutura está sendo concebida como um complexo industrial concentrador, com potencial de integração modal e atração de investimentos.
Já em Iguatu, o Terminal Logístico de Iguatu (TLI) se destaca como o primeiro terminal privado em construção na malha da Transnordestina no Ceará. Diferentemente do modelo tradicional adotado pela Transnordestina Logística S.A., que oferece a contratação de vagões individuais, o TLI aposta em uma atuação multifuncional. Segundo o diretor e sócio do empreendimento, Eugério Queiroz, o terminal atuará como operador logístico e também no varejo. “Vamos fazer o transporte, a logística e, também, a comercialização”, afirma.
De acordo com Queiroz, o terminal poderá operar em quatro modelos distintos: como prestador de serviços de recebimento e descarregamento de trens; como gestor da cadeia logística, oferecendo transbordo e frete rodoviário final; como parceiro de infraestrutura, disponibilizando áreas de armazenagem; e como fornecedor, adquirindo cargas para revenda direta em Iguatu.
“A Transnordestina pode firmar contrato com uma grande empresa e armazenar a carga no nosso terminal, pagando pelo transbordo, enquanto fazemos a logística final. Ou a própria Transnordestina pode fazer a perna rodoviária até o destino”, explica. Segundo ele, a entrega final por rodovia tende a ser o principal serviço do terminal.
Com essa atuação diversificada, o TLI busca ampliar o acesso ao transporte ferroviário, inclusive para empresas menores, que poderão contratar serviços mesmo com apenas um vagão. O terminal também poderá funcionar como regulador de estoque, trazendo cargas por conta própria em períodos de escassez e abastecendo o mercado regional, beneficiando pequenos e médios produtores.
A inauguração do Terminal Logístico de Iguatu está prevista para o fim de maio. Iniciado em 2024, o empreendimento tem contrato com a TLSA para movimentar cerca de 20 mil toneladas por mês de grãos e farelo. A expectativa é de redução de até 30% nos custos do frete. “Isso representa, a grosso modo, R$ 5,00 por saca de 60 quilos”, detalha Queiroz.
A projeção é de ampliação futura da operação para incluir minérios, fertilizantes, contêineres e combustíveis. A proximidade da Transnordestina com a região do Matopiba — que engloba Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia — pode viabilizar, por exemplo, a importação de etanol a custos mais baixos. “Poderemos trazer etanol do sul do Piauí e do sul do Maranhão por um preço inferior ao atual, já que hoje o produto vem do Sudeste e do Centro-Oeste”, observa.
Para compor a nova malha ferroviária, a operadora da Transnordestina prevê a instalação de nove terminais intermodais e um porto seco. Sete dessas estruturas serão construídas e operadas pela própria TLSA, enquanto dois terminais e o porto seco ficarão sob responsabilidade de parceiros privados. A proposta é garantir atendimento às diferentes vocações produtivas dos estados nordestinos, com serviços adaptados às demandas regionais.
Localização dos terminais logísticos previstos pela TLSA:
Eliseu Martins (PI); Bela Vista do Piauí (PI); Trindade (PE); Salgueiro (PE); Missão Velha (CE); Iguatu (CE); Quixeramobim (CE – porto seco); Quixadá (CE); Maranguape (CE); TUP Nelog – Porto do Pecém (CE).




