Em 1966, o bairro passou a se chamar Rodolfo Teófilo, em homenagem ao farmacêutico e sanitarista reconhecido pela produção da vacina contra a varíola
Rodolfo Teófilo: do passado rural à ‘capital da saúde’ em Fortaleza
O movimento intenso nas ruas do bairro Rodolfo Teófilo reúne moradores, comerciantes, estudantes, professores e profissionais da saúde em uma das áreas mais estratégicas de Fortaleza. Localizado na região central da capital, o bairro faz divisa com Benfica (leste), Fátima (sul), Monte Castelo (oeste) e Parquelândia (norte), além de ser cortado pela Avenida José Bastos, uma das principais vias da cidade. Hoje referência em saúde, ensino e serviços, o local carrega uma história marcada por transformações profundas ao longo dos séculos.

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De fazendas a núcleo urbano na década de 1940
No século XIX, a região era ocupada por inúmeras fazendas e servia como rota de passagem entre Porangaba e Fortaleza. À época, era chamada de Porangabuçu, nome de origem indígena que significa “beleza grande”. A paisagem natural, no entanto, deu lugar à urbanização, processo intensificado a partir da década de 1940, em meio ao contexto da Segunda Guerra Mundial.
Segundo a historiadora Elisa Mirna, “a urbanização em si, a ocupação, as pessoas morarem lá, se deu mais ou menos a partir da década de 1940. O governo viu um tipo de oportunidade, eles criaram vários núcleos de assentamento dessas pessoas, de alojamento dessas pessoas”. A área onde hoje funciona o Hospital das Clínicas foi um desses núcleos, destinado a familiares dos chamados soldados da borracha enviados à Amazônia.
A expansão do bairro ocorreu a partir da lagoa de Porangabuçu e do entorno da Igreja Católica São Raimundo. Inicialmente residencial, o perfil da região começou a mudar em 1965, com a inauguração da Maternidade-Escola Assis Chateaubriand, a primeira instituição de saúde do bairro. Em seguida, vieram o campus Porangabuçu da Universidade Federal do Ceará — que abriga as faculdades de Medicina, Farmácia e Enfermagem —, além do Hospital Universitário Walter Cantídio, Hospital São José, Hemoce e NAC, consolidando o Rodolfo Teófilo como polo de saúde.
A homenagem ao sanitarista que enfrentou a varíola
Em 1966, o bairro passou a se chamar Rodolfo Teófilo, em homenagem ao farmacêutico e sanitarista reconhecido pela produção da vacina contra a varíola durante a Grande Seca de 1877, quando a doença dizimou parte da população de Fortaleza. Ele produzia o imunizante e vacinava a população por conta própria no início do século XX. “É tanto que em 1902 ninguém morreu com a doença na cidade”, destaca o infectologista Anastácio Queiroz.
Anastácio relembra que Rodolfo Teófilo nasceu na Bahia, em 1853, mas veio para o Ceará ainda bebê. “O Rodolfo Teófilo, ele queria fazer medicina e formou-se em farmácia por causa de recursos e do tempo. Ele, na realidade, nasceu na Bahia e veio para o Ceará com um mês e meio de idade e voltou à Bahia para fazer esse curso que eu mencionei. Ele nasceu em 1853 e formou-se em farmácia em 1875.” Durante os anos de 1877, 1878 e 1879, o Ceará enfrentou a grande seca acompanhada de epidemia de varíola. “Veio junto com a seca a epidemia de varíola, que era uma doença muito contagiosa, uma doença transmissível, uma doença horrível, porque causava lesão na pele. Quem já viu catapora, multiplica o aspecto da catapora várias vezes vai ver uma pessoa com varíola, né? Era uma coisa horrível”, relata o médico.
O infectologista ressalta ainda o esforço individual do sanitarista: “Ele fabricava a vacina, ele envasava a vacina. Tinha até uma bula que ele mandava para o interior para vacinar tudo por conta dele.” Além de produzir e fornecer gratuitamente o imunizante, Rodolfo Teófilo aplicava pessoalmente as doses nos bairros mais pobres da capital. “Ele fabricava a vacina e fornecia gratuitamente e ele ia aplicar nas pessoas nos bairros mais pobres da cidade de Fortaleza. Então, a história do Rodolfo Teófilo é uma história muito bonita de um indivíduo que fez muitas coisas, sanitarista, é o que chama muita atenção, mas ele foi um grande escritor naquilo que ele viveu na época.”
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Legado na saúde e na literatura
Além da atuação como sanitarista, Rodolfo Teófilo escreveu 28 livros, entre eles “A Fome”, e é apontado pela escritora Rachel de Queiroz como o inventor da cajuína. O bairro que leva seu nome simboliza a trajetória de um homem que marcou a história da saúde pública no Ceará. Hoje, com forte presença do comércio, serviços e instituições de ensino e saúde, o Rodolfo Teófilo reflete a transformação de um antigo espaço rural em uma área urbana consolidada e fundamental para a economia e a assistência em Fortaleza.
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