O desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, apresentado na noite de domingo (15) na Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro, ganhou destaque nacional e internacional ao levar para a avenida uma representação simbólica de um palhaço com faixa presidencial fazendo o gesto de “arminha”. A cena integrou o enredo que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e fez referência direta ao ex-presidente Jair Bolsonaro, dentro da narrativa construída pela escola para o Carnaval 2026.
O enredo, intitulado “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, percorreu momentos marcantes da trajetória política de Lula e incluiu encenações que abordaram episódios recentes da história política brasileira. Entre os trechos que mais chamaram atenção esteve justamente a representação do personagem caracterizado como palhaço, usando faixa presidencial e reproduzindo o gesto comumente associado a Bolsonaro durante sua trajetória política.
A apresentação ocorreu durante a primeira noite de desfiles do Grupo Especial e foi acompanhada por autoridades, artistas e público nas arquibancadas. As imagens do palhaço com a faixa presidencial repercutiram amplamente nas redes sociais e em veículos de comunicação, ampliando a visibilidade do desfile.
Representações políticas ganham destaque na avenida
A comissão de frente da Acadêmicos de Niterói estruturou a apresentação com atos encenados que fizeram alusão a diferentes períodos da política nacional. Em um dos momentos, a troca da faixa presidencial da ex-presidente Dilma Rousseff por um personagem caracterizado como Michel Temer foi apresentada como referência ao processo de impeachment ocorrido em 2016.
Na sequência, um ator representando Lula apareceu atrás de grades, em alusão à prisão do presidente no contexto da Operação Lava Jato. Logo depois, entrou em cena o personagem caracterizado como palhaço com faixa presidencial, fazendo o gesto de “arminha” com as mãos. A caracterização e os gestos foram interpretados como referência direta a Jair Bolsonaro, conforme a proposta narrativa divulgada pela escola.
O desfile também trouxe um cenário em que o palhaço aparece em meio a cruzes que simbolizavam o número de mortos pela covid-19 no Brasil, além de outra alegoria que mostrou o personagem preso e usando uma tornozeleira eletrônica com sinais de violação. Segundo a sinopse oficial da escola, a cena representou a resistência do país a uma tentativa de golpe de Estado e o encaminhamento de seus mentores à prisão.
Palhaço com faixa presidencial vira símbolo do desfile sobre Bolsonaro
A encenação avançou até a eleição de 2022, com a representação do confronto eleitoral entre Lula e o personagem que simbolizava Bolsonaro. O número terminou com a libertação de Lula, o reencontro com Rosângela Lula da Silva, a Janja, e a representação da posse presidencial.
A narrativa política construída pela Acadêmicos de Niterói transformou o desfile em um dos mais comentados da noite, especialmente pela escolha de símbolos visuais fortes, como o palhaço com faixa presidencial e o gesto de “arminha”, amplamente reconhecido pelo público. As cenas provocaram reações nas arquibancadas da Sapucaí, com manifestações diversas durante a apresentação.
Repercussão internacional e destaque na imprensa estrangeira
A apresentação também ganhou repercussão fora do Brasil e foi destaque no jornal britânico The Guardian. Em reportagem assinada pelo jornalista Tom Phillips, o periódico classificou Lula como “o maior brasileiro de todos os tempos” e destacou o caráter inédito do desfile, ao levar para a avenida a homenagem a um presidente brasileiro em exercício.
O jornal ressaltou a dimensão política do espetáculo e mencionou as críticas feitas por setores conservadores, que questionaram a homenagem e alegaram que o desfile poderia ser interpretado como promoção política. A reportagem também destacou a presença de símbolos que fazem referência direta a adversários políticos de Lula, como o personagem do palhaço com faixa presidencial.
Artistas e autoridades acompanham o desfile
O desfile da Acadêmicos de Niterói contou com a participação de diversos artistas conhecidos, como Fafá de Belém, Julia Lemmertz, Denise Fraga, Paulo Betti, Elisa Lucinda, Chico Diaz e Malu Vale. A última ala, intitulada “Amigos do Lula”, trouxe Fafá de Belém em destaque no carro alegórico final, sendo aplaudida pelo público.
Lula acompanhou a primeira noite de desfiles diretamente da Marquês de Sapucaí, em um camarote institucional, ao lado do prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, ministros e aliados políticos. Após o desfile, o presidente comentou a apresentação nas redes sociais, destacando o papel do Carnaval como expressão cultural e vitrine internacional do Brasil.




