O desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Carnaval 2026, ganhou repercussão internacional e foi destaque no jornal britânico The Guardian. A apresentação ocorreu na noite de domingo (15), na Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro, e integrou a primeira noite de desfiles do Grupo Especial.
Na manchete, o periódico classificou o presidente como “o maior brasileiro de todos os tempos”. A reportagem foi assinada pelo jornalista Tom Phillips, que destacou a trajetória política de Lula e a escolha da escola em transformar essa história em enredo carnavalesco. O texto ressaltou que o desfile marca um momento inédito ao levar para a avenida a homenagem a um presidente brasileiro em exercício.
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Foto: Reprodução / Instagram[/caption]
Repercussão internacional e críticas políticas
Na análise publicada pelo jornal britânico, Lula é descrito como uma figura central da política brasileira que, agora, também se transforma em personagem simbólico do Carnaval. O jornalista faz referência a um dos carros alegóricos do desfile, que apresentou uma imagem ampliada do presidente, associando a grandiosidade política à dimensão estética da festa.
A reportagem também mencionou as críticas feitas por setores conservadores. Segundo o texto, opositores alegam que o desfile poderia ser interpretado como um ato de promoção política, com questionamentos sobre o uso de recursos públicos. O jornal destacou que essas críticas partiram principalmente de grupos ligados à direita, que contestaram a homenagem em meio ao contexto político nacional.
Outro ponto abordado pelo Guardian foi a vitalidade de Lula, que completou 80 anos. A matéria citou declarações de integrantes da escola sobre a disposição física do presidente. O diretor criativo da Acadêmicos de Niterói, Tiago Martins, afirmou ao jornal que Lula demonstra vigor e energia, comparando sua forma física à de pessoas mais jovens.
Homenagem a Lula na Sapucaí reúne artistas
O desfile da Acadêmicos de Niterói contou com a participação de diversos artistas conhecidos do público brasileiro. Estiveram presentes na avenida nomes como Fafá de Belém, Julia Lemmertz, Denise Fraga, Paulo Betti, Elisa Lucinda, Chico Diaz e Malu Vale. A apresentação foi marcada também pela expectativa em torno da possível presença da primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, que não compareceu ao desfile. O presidente Lula também não esteve presente na Sapucaí durante a apresentação da escola.
Antes da entrada da agremiação na avenida, a possibilidade de Janja desfilar ao lado dos artistas movimentou os bastidores. A previsão era de que ela integrasse uma ala especial, mas, ao final, a participação não se concretizou. Na última ala do desfile, intitulada “Amigos do Lula”, Fafá de Belém surgiu em destaque no carro alegórico principal. A cantora iniciou o percurso usando uma bata branca, semelhante à dos demais integrantes, e depois trocou o figurino por uma blusa azul de paetês, assumindo posição central e sendo aplaudida pelo público presente nas arquibancadas.
Narrativa política marca apresentação da escola
A comissão de frente da Acadêmicos de Niterói apresentou uma encenação com referências diretas a episódios recentes da política brasileira. Um dos atos representou a troca da faixa presidencial da ex-presidente Dilma Rousseff por um personagem caracterizado como Michel Temer, em alusão ao processo de impeachment. A cena provocou reações do público na Sapucaí.
Na sequência, um ator representou Lula atrás de grades, fazendo referência à prisão do presidente no contexto da Operação Lava Jato. Logo depois, surgiu um personagem caracterizado como palhaço com faixa presidencial, em alusão ao ex-presidente Jair Bolsonaro, conforme a narrativa proposta pela escola. A coreografia avançou para a eleição de 2022, com a representação do confronto eleitoral entre os dois personagens.
O desfile seguiu com a encenação da libertação de Lula, o reencontro com Janja e a representação da posse presidencial. Outra alegoria mostrou Bolsonaro caracterizado como palhaço, vestindo roupas listradas associadas a presidiários e utilizando tornozeleira eletrônica com sinais de violação, criando um contraste visual com a cena anterior que retratava Lula preso.
Estreante no Grupo Especial após conquistar a Série Ouro em 2025, a Acadêmicos de Niterói apresentou o samba-enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”. A narrativa percorreu a trajetória do presidente desde a infância em Garanhuns, em Pernambuco, passando pela atuação sindical em São Bernardo do Campo e pela fundação do Partido dos Trabalhadores. A letra trouxe o coro “Olê, olê, olê, olá, Lula, Lula” e mencionou, em dois trechos, o número de urna da legenda.
Após acompanhar a primeira noite de desfiles do Grupo Especial, Lula comentou a homenagem nas redes sociais. O presidente afirmou ter passado por Recife e Salvador antes de chegar ao Rio de Janeiro e destacou a importância do Carnaval como expressão cultural e motor do turismo. Ele ressaltou o papel da Marquês de Sapucaí como vitrine internacional da criatividade brasileira e da capacidade do país de transformar cultura em desenvolvimento econômico, geração de emprego e renda.




