O número de consumidores negativados no Ceará segue em alta, mas em ritmo menor neste início de ano. É o que aponta a edição de fevereiro do Radar do Varejo Cearense, divulgado pela Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Ceará em parceria com o SPC Brasil.
Em janeiro de 2026, o total de inadimplentes no estado avançou 4,4% na comparação com o mesmo mês de 2025. O resultado representa desaceleração frente a dezembro de 2025, quando havia sido registrada alta de 11,5% em relação a dezembro de 2024.
Dívidas antigas concentram maior parcela dos débitos
O levantamento mostra que 9% dos negativados estão com dívidas em atraso há até 90 dias. A maior parte, no entanto, acumula pendências mais antigas: 33,8% têm débitos entre um e três anos, enquanto 23,7% permanecem inadimplentes entre quatro e cinco anos.
O valor médio devido por consumidor negativado no Ceará chegou a R$ 4.517 em janeiro de 2026, considerando o total de dívidas em aberto. O montante é inferior à média nacional, que ficou em R$ 4.898 no mesmo período.
Segundo o presidente da FCDL-CE, Freitas Cordeiro, o primeiro dado do ano indica que, apesar do crescimento no número de negativados, há perda de fôlego no avanço da inadimplência. Ele ressalta que o indicador é decisivo para o desempenho das vendas no comércio e continuará sendo acompanhado nos próximos meses.
Inadimplência no Ceará
O número de dívidas em atraso também apresentou desaceleração, mas ainda permanece elevado. Na comparação entre janeiro de 2026 e o mesmo mês do ano anterior, o Ceará registrou crescimento de 11,1% no volume de pendências.
A maior parte dos débitos está concentrada no setor bancário, responsável por 59,6% das dívidas. Na sequência aparecem contas de água e luz, com 17,1%, e o comércio, com 7,1% do total de registros.
Reincidência atinge 91% dos negativados
Outro dado que chama atenção é o índice de reincidência. Em janeiro de 2026, 91% dos consumidores negativados no Ceará já haviam enfrentado restrições anteriores ou estavam inadimplentes nos 12 meses anteriores.
O indicador evidencia a dificuldade de parte das famílias em reorganizar o orçamento e sair de forma definitiva da inadimplência.




