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Centro de Fortaleza reúne patrimônio histórico e força do comércio popular

Ícone da belle époque, Theatro José de Alencar convive com comércio popular, memória urbana e projeto de novo terminal no antigo Beco da Poeira

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Centro de Fortaleza reúne patrimônio histórico e força do comércio popular
Foto: GCMais

O Theatro José de Alencar e a Praça José de Alencar concentram parte importante da história, da economia e da cultura no Centro de Fortaleza. Inaugurado em 1910, o equipamento cultural simboliza a belle époque cearense e divide espaço com o comércio popular que movimenta diariamente a região.

Localizado em frente ao teatro, o espaço público nem sempre teve o nome atual. Ao longo do século XIX, a praça passou por diferentes denominações, acompanhando as transformações urbanas da Capital.

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Projetado por Bernardo José de Melo, o teatro foi inaugurado em 17 de junho de 1910, com fachada neoclássica e arquitetura eclética. A estrutura em ferro fundido veio da Escócia, em um período de embelezamento arquitetônico de Fortaleza. Tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em 1964, o prédio passou por restauração concluída em 1991, que recuperou características originais do palco, da plateia e do foyer.

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Centro de Fortaleza: Theatro José de Alencar e Praça José de Alencar

O historiador Luan Morais explica que a praça acompanhou o crescimento da cidade e recebeu diferentes nomes ao longo do tempo. Segundo ele, no início foi chamada de Praça do Patrocínio, em referência à Igreja Nossa Senhora do Patrocínio.

“Durante esse processo de crescimento de Fortaleza como um grande centro urbano e a consolidação como capital do estado, a gente teve que essa praça que nós estamos agora já teve diversos nomes ao longo do século XIX”, afirma o historiador. Ele acrescenta que, no fim da década de 1870, o local passou a se chamar Praça Marquês de Herbal, em homenagem a um político influente da época, explica Luan Morais.

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Atualmente, a praça se caracteriza pelo comércio intenso e pela circulação constante de moradores e visitantes. Ao mesmo tempo, enfrenta desafios ligados à preservação e à segurança. “Um dos grandes problemas relacionados à preservação do patrimônio histórico e cultural é justamente como melhor administrar esses equipamentos”, afirma o historiador. Para ele, o espaço não é apenas passagem, mas também lugar de descanso e convivência, completa Luan Morais.

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Beco da Poeira, comércio popular e novo terminal

Ao lado da praça funcionou, por quase duas décadas, o tradicional Beco da Poeira, fundado em 1991 e demolido em 2010. O centro de comércio informal foi transferido para a Avenida Imperador, no Centro Municipal de Pequenos Negócios, como parte de um projeto de reordenamento urbano.

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O historiador contextualiza que o surgimento do Beco ocorreu em meio à pressão do comércio formal para regulamentar a atividade dos ambulantes. “Ele teve a sua criação inserida nesse contexto, por conta da pressão do comércio formal de legalizar esses ambulantes e abrir espaço para que os comerciantes tivessem formas mais seguras de comprar e adquirir suas mercadorias”, afirma Luan Morais.

Ele ressalta ainda que a tradição da negociação faz parte da identidade comercial da área. “A gente tem nessa nossa característica a característica da negociação, da conversa e do diálogo. Muitas vezes, isso acaba sendo um ponto positivo para o consumidor”, diz o historiador, ao destacar a diversidade de produtos e serviços ofertados no Centro.

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O espaço onde funcionava o antigo Beco deve dar lugar a um novo terminal de ônibus. O projeto é de responsabilidade da Secretaria Municipal da Infraestrutura e está em fase de licitação. A abertura do processo está prevista para setembro, com expectativa de início das obras ainda este ano.

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Desde a demolição, a área vinha sendo utilizada de forma irregular como estacionamento. A Agência de Fiscalização de Fortaleza informou que constatou a ocupação indevida do espaço público e adotou medidas para a desocupação do local.

Trabalhadores reforçam vínculo com o Centro

Para quem trabalha na região, o Centro representa sustento e pertencimento. O trabalhador autônomo Carlos Nascimento conta que nasceu em Fortaleza e atua há 35 anos na área. Ele afirma que enxerga o espaço como casa e trabalho ao mesmo tempo. “Eu nasci aqui mesmo, em Fortaleza. E faz 35 anos já. Trabalho na outra praça e tá com alguns meses que eu vim pra cá, que é meu trabalho e minha casa, pra dizer”, relata o ambulante.

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A lojista Irene Garcia, que tinha um box no antigo Beco e permanece no novo centro comercial, destaca a importância econômica da região. Ela diz ser grata ao Centro porque o local concentra oportunidades. “Eu sou grata ao centro da cidade, porque aqui é o foco onde se pode trabalhar, ter o seu meio de vida”, afirma a comerciante.

Há 15 anos atuando como autônoma na área, Maria Selma resume a relação com o espaço de forma direta. “Eu estou aqui há 15 anos, é o meu trabalho e eu adoro”, declara.

O comerciante Dácio Freire reforça que o Centro representa esforço diário e construção familiar. Ele destaca o empenho para garantir sustento. “Muito trabalho, muita luta, muito suor derramado e tentando construir a vida, a vida dos meus filhos, da minha família”, afirma.

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Entre a imponência arquitetônica do teatro e a dinâmica do comércio popular, o entorno permanece como retrato das transformações de Fortaleza. Mais de um século após a inauguração do Theatro José de Alencar, memória, economia e cultura seguem coexistindo no coração da Capital.

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