O vereador José Gomes da Silva Júnior, conhecido como Júnior do Dedé (PSB), preso durante uma operação que investiga o financiamento ilegal por uma facção criminosas em campanhas eleitorais no Ceará, teve a prisão preventiva convertida em domiciliar por decisão da Justiça Eleitoral nesta segunda-feira (16). Ele deverá cumprir a medida com uso de tornozeleira eletrônica.
Entenda o caso
A decisão de conversão para prisão domiciliar foi tomada após pedido da defesa, que argumentou que o parlamentar também exerce a advocacia e possui inscrição ativa na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Conforme o Estatuto da Advocacia, profissionais da área, antes de condenação definitiva, têm direito a permanecer em Sala de Estado-Maior. Na ausência desse tipo de estrutura no sistema prisional, a legislação prevê a substituição por prisão domiciliar.
Júnior do Dedé estava detido na Delegacia de Capturas e Polinter (Decap), em Fortaleza. A defesa alegou que o local não possui as condições exigidas para o cumprimento da prisão por advogados e que a permanência no ambiente configuraria constrangimento ilegal.
Ao analisar o caso, o Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE) concedeu a liminar e determinou o cumprimento de medidas cautelares. Além do monitoramento eletrônico, o vereador está proibido de deixar a residência sem autorização judicial, exceto em situações de urgência médica. Ele também não pode manter contato com outros investigados, testemunhas ou qualquer pessoa envolvida no processo. O descumprimento das condições pode resultar na decretação de nova prisão preventiva.
Operação em que vereador foi preso investigou relação de facção criminosa com a política no Ceará
Júnior do Dedé foi um dos cinco vereadores presos na última quinta-feira (12), durante a Operação Traditori, deflagrada pela Polícia Federal em conjunto com a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO/CE). A ação investiga a atuação de integrantes da facção criminosa Guardiões do Estado (GDE) no financiamento de campanhas eleitorais no município de Morada Nova, nas eleições de 2024.
Além dele, também foram presos os vereadores Régis Rumão (PP), Gleide Rabelo (PT), Cláudio Maroca (PT) e Hilmar Sérgio (PT), presidente da Câmara Municipal. Um sexto parlamentar é investigado, mas não foi alvo de mandado de prisão. Todos os detidos foram afastados das funções públicas.
Segundo as investigações, o grupo criminoso teria estruturado um esquema dividido em núcleos de comando, financeiro-operacional e político, com participação de agentes públicos. Os parlamentares são suspeitos de receber recursos oriundos da facção para financiar campanhas eleitorais, em troca de possível apoio à atuação do grupo na política local.
Polícia identificou movimentações financeiras suspeitas que levaram a agiota no Ceará
A apuração teve início a partir de um inquérito da Polícia Civil sobre tráfico de drogas. Durante as investigações, foram identificadas movimentações financeiras consideradas suspeitas, incluindo transferências de um homem apontado como responsável pelo setor financeiro da facção e que também atuaria como agiota.
De acordo com os investigadores, a análise de dados bancários, relatórios financeiros e informações extraídas de aparelhos celulares permitiu identificar repasses de dinheiro a políticos do município. Apesar disso, os vereadores não são investigados por envolvimento direto com o tráfico de drogas, mas podem responder por crimes como lavagem de dinheiro, organização criminosa e delitos eleitorais.
Ao todo, a operação cumpriu 30 mandados judiciais, sendo 16 de prisão preventiva e 14 de busca e apreensão. Também houve determinação de bloqueio e sequestro de bens dos investigados.
As investigações foram compartilhadas com a Polícia Federal devido à presença de indícios de crimes eleitorais. A partir disso, a corporação passou a conduzir a apuração sobre o possível envolvimento da facção nas eleições municipais.
O caso segue em investigação, com foco no aprofundamento das provas e na identificação de todos os envolvidos no esquema.




