O preço do café, item essencial na mesa do brasileiro, deve apresentar algum alívio ao consumidor ao longo de 2026. A expectativa é sustentada pela previsão de uma safra maior no Brasil, principal produtor mundial do grão. Ainda assim, economistas avaliam que os valores dificilmente retornarão aos patamares registrados há cerca de seis anos.
Em 2020, o quilo do café tradicional torrado e moído custava, em média, R$ 16,45. Hoje, esse mesmo produto chega ao varejo por aproximadamente R$ 63,69, de acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic). A escalada dos preços foi impulsionada, principalmente, por problemas climáticos entre 2021 e 2024, como secas prolongadas, ondas de calor e geadas, que comprometeram a produção.
No campo, o movimento de queda nos preços pagos ao produtor começou a ser observado no início do ano passado, diante da expectativa de maior oferta global. No entanto, fatores externos, como a imposição de tarifas comerciais pelos Estados Unidos, voltaram a pressionar as cotações no segundo semestre, com recuo apenas após a retirada dessas medidas.
Alta perde força, mas recuperação será gradual
Parte dessa desaceleração já começa a chegar ao consumidor. Desde julho de 2025, a inflação do café moído apresenta queda gradual. Em 2026, o recuo acumulado é de 3,6%, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), calculado pelo IBGE.
Apesar disso, a redução ainda é insuficiente para compensar as altas acumuladas nos últimos anos. A continuidade da queda depende diretamente da recomposição da produção e dos estoques, tanto no Brasil quanto em outros países produtores.
A colheita brasileira, realizada entre maio e julho, será decisiva para o comportamento dos preços. A expectativa do mercado é de uma safra estimada em cerca de 75,6 milhões de sacas de 60 quilos, segundo projeções de analistas do setor. O número é superior ao estimado pelo governo federal, que prevê 66,2 milhões de sacas; ainda assim, um crescimento de 17% em relação à temporada anterior.
Esse avanço é explicado por fatores como a bienalidade positiva da cultura do café, a expansão das áreas plantadas, o uso de tecnologia no campo e condições climáticas mais favoráveis até o momento. A maior oferta tende a pressionar os preços para baixo, embora de forma moderada.
Clima pode limitar queda nos preços
Mesmo com a perspectiva de safra maior, o cenário climático segue como fator de risco para os próximos ciclos produtivos. A previsão de um evento climático como o El Niño no segundo semestre de 2026 pode impactar diretamente o desenvolvimento das lavouras.
Há cerca de 80% de probabilidade de ocorrência do fenômeno, que se caracteriza pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico equatorial. No Brasil, isso costuma provocar alterações no regime de chuvas, com períodos de seca em algumas regiões produtoras e aumento das temperaturas.
Essas condições podem prejudicar o crescimento dos cafezais, especialmente durante o plantio, que ocorre no segundo semestre e exige clima equilibrado. A irregularidade das chuvas e o calor excessivo podem comprometer o desenvolvimento dos grãos e reduzir a produtividade futura.
Diante desse cenário, especialistas apontam que, embora haja tendência de estabilização, não são esperadas quedas expressivas nos preços ao consumidor. Além das questões climáticas, o impacto da inflação acumulada nos últimos anos também contribui para manter os preços em um novo patamar. Assim, o café pode até ficar um pouco mais barato nos próximos meses, mas dificilmente voltará a ser tão acessível quanto já foi no passado recente.
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