Moradores afirmam que o escoamento mudou desde o início das obras e que o solo da região apresentou alterações
Com fissuras em barragem, água segue escoando para casas em comunidade de Fortaleza
Moradores e comerciantes da comunidade Vila Gomes, em Fortaleza, enfrentam problemas com o acúmulo de água em residências e estabelecimentos comerciais. O problema já dura quase uma semana. O comerciante Eduardo Bezerra relata que tem utilizado um rodo diariamente para retirar a água que invade seu mercadinho, situação que, segundo ele, teria se intensificado após o início de obras na área conhecida como Aerotrópolis, nas proximidades do aeroporto da capital. Novas fissuras vêm aparecendo a cada dia fazendo com que água escoe para as casas da comunidade.

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A região passou a registrar acúmulo de água após intervenções estruturais em uma área onde antes havia vegetação e um espelho d’água natural. Moradores afirmam que o escoamento mudou desde o início das obras e que o solo da região apresentou alterações, incluindo elevação em trechos de calçadas e infiltrações em imóveis próximos ao muro da obra.
Moradores relatam alagamentos após obras na Aerotrópolis
De acordo com relatos de moradores, a situação se agravou nos últimos dias após o rompimento parcial de uma estrutura de contenção em um terreno onde está sendo implantado um centro logístico. No local, casas e comércios passaram a ser afetados por água que se acumula e escoa de forma irregular.
Eduardo Bezerra, comerciante da região, afirma que seu estabelecimento está localizado exatamente ao lado do muro da obra e que o medo de um agravamento da situação é constante. Segundo ele, a principal preocupação é com a possibilidade de rompimento da estrutura de contenção caso o volume de água aumente com novas chuvas.
“Estamos à mercê, como você está vendo, e ninguém faz nada”, relatou o comerciante. Ele também afirma que a situação preocupa especialmente em períodos de chuva, já que o volume de água tende a aumentar.
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Monitoramento técnico e medidas emergenciais no local
Na manhã desta semana, técnicos da CEMASC estiveram na comunidade para verificar o cumprimento de exigências feitas ao empreendimento responsável pela obra do centro logístico. Segundo moradores, a equipe técnica solicitou a instalação de reforço em lonas de contenção e a ampliação do número de bombas de drenagem para reduzir o acúmulo de água na área.
Ainda conforme relatos locais, parte das bombas não estaria em funcionamento, o que estaria dificultando o escoamento adequado da água. A situação mantém a preocupação dos moradores, mesmo após a diminuição das chuvas nos últimos dias.
Apesar da redução temporária das precipitações, moradores afirmam que o fluxo de água na área continua, ainda que em menor intensidade em comparação a episódios anteriores, quando houve alagamentos mais severos e danos à estrutura de contenção.
Avaliação ambiental e impactos no solo da região
Especialistas acompanham a situação e avaliam os impactos ambientais provocados pelas alterações no solo da região. Para o biólogo Duillys Chaves, a impermeabilização do terreno e a modificação do ambiente natural podem ter contribuído para o acúmulo de água observado atualmente.
Segundo o especialista, o desaparecimento de áreas verdes e o aterramento de espaços naturais podem ter afetado o comportamento do lençol freático e o escoamento da água da chuva. Ele destaca ainda que a recuperação ambiental da área exige planejamento de longo prazo, enquanto a população enfrenta os efeitos imediatos da mudança no ambiente.
O biólogo ressalta que medidas de reflorestamento e recuperação ambiental são necessárias, mas que também é fundamental atender a urgência da comunidade, que enfrenta alagamentos e dificuldades de moradia no curto prazo.
Posicionamento da empresa responsável pela obra
Em nota, a Aerotrópolis informou que o sistema de drenagem implantado na área foi projetado para ampliar a capacidade de escoamento da região e suportar períodos de chuvas intensas. A empresa afirmou ainda que já adotou medidas emergenciais para reduzir o acúmulo de água no local.
Segundo a nota, intervenções estruturais mais amplas estão previstas, mas ainda não foram executadas porque dependem de autorização dos órgãos competentes. A empresa reforçou que segue monitorando a situação e adotando ações conforme as exigências técnicas estabelecidas.
Preocupação segue entre moradores da comunidade
Mesmo com a atuação de equipes técnicas e medidas emergenciais anunciadas, moradores da Vila Gomes afirmam que seguem preocupados com a possibilidade de novos alagamentos. A principal apreensão é com a estabilidade da área e o comportamento da água em caso de novas chuvas.
A situação segue sendo acompanhada por órgãos técnicos e pela comunidade local, enquanto novas avaliações são realizadas na região afetada pelas obras.
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