Fortaleza aplicou mais de 7 mil doses da vacina contra o HPV em crianças e adolescentes de 9 a 14 anos somente em 2026, reforçando a estratégia de prevenção contra uma das infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) mais comuns no mundo. Apesar do avanço, especialistas alertam que a cobertura vacinal ainda está abaixo do ideal e esbarra em barreiras como desinformação, medo de efeitos colaterais e baixa percepção de risco.
O Papilomavírus Humano (HPV) atinge grande parte da população sexualmente ativa. Dados do Ministério da Saúde apontam que cerca de 54% das mulheres e 41% dos homens já tiveram contato com o vírus. Em muitos casos, a infecção não apresenta sintomas, o que favorece a transmissão silenciosa e dificulta o controle.
Na Capital cearense, a vacina é ofertada gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O público prioritário segue sendo meninas e meninos de 9 a 14 anos, faixa etária considerada ideal para alcançar melhor resposta imunológica antes do início da vida sexual.
Além disso, a Prefeitura de Fortaleza prorrogou até junho de 2026 a ampliação temporária da faixa etária, permitindo a vacinação de jovens entre 15 e 19 anos. A meta é alcançar aproximadamente 165 mil pessoas desse grupo. Até agora, 437 doses já foram aplicadas. Segundo profissionais da saúde, a vacinação precoce é uma das principais ferramentas para reduzir casos de câncer relacionados ao HPV no futuro.
HPV pode causar câncer e outras doenças
Existem mais de 200 subtipos identificados do HPV. Alguns provocam verrugas genitais, enquanto outros estão associados ao desenvolvimento de câncer de colo do útero, ânus, pênis, vulva, vagina e orofaringe.
O grande desafio é que a maioria das infecções é assintomática e pode permanecer no organismo por anos sem sinais aparentes. Quando há persistência do vírus, aumentam os riscos de complicações graves.
No SUS, Fortaleza oferece a vacina quadrivalente, que protege contra os tipos 6 e 11, responsáveis por verrugas genitais, além dos tipos 16 e 18, ligados a cerca de 70% dos casos de câncer de colo do útero.
Na rede privada, também existe a versão nonavalente, com cobertura ampliada para outros subtipos. No entanto, o custo pode ultrapassar R$ 3 mil no esquema completo, o que reforça a importância do acesso gratuito na rede pública.
Desinformação ainda dificulta adesão
Mesmo disponível gratuitamente, a vacina contra o HPV ainda enfrenta resistência entre parte da população. Fake news, dúvidas sobre segurança e a falsa ideia de que a imunização estimularia o início precoce da vida sexual estão entre os principais entraves.
Especialistas desmentem essa relação e destacam que a vacina é segura, eficaz e recomendada mundialmente. Outro ponto importante é que a proteção beneficia meninos e meninas, já que o vírus circula entre ambos.
Para ampliar a cobertura, profissionais defendem campanhas educativas, vacinação em escolas e orientação médica durante consultas de rotina. O objetivo é retomar índices próximos da meta de 90% recomendada para proteção coletiva.
Em Fortaleza, a vacina está disponível em 134 postos de saúde de segunda a sexta-feira. Aos fins de semana e feriados, unidades específicas também funcionam para facilitar o acesso da população.
A combinação entre vacina, uso de preservativos e exames preventivos continua sendo a principal estratégia para reduzir a circulação do HPV e evitar casos graves nos próximos anos.
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