Com o registro de mortes por suspeita de hantavírus em um cruzeiro internacional, autoridades de saúde e epidemiologistas passaram a comentar publicamente o risco de o vírus se espalhar no Brasil. Ainda assim, especialistas ouvidos por veículos internacionais e nacionais reforçam que o cenário imediato é de alerta, não de epidemia, sobretudo porque o mecanismo principal de transmissão continua ligado a roedores, não a pessoas.
Por que o Brasil está em alerta sobre o Hantavírus
O Brasil já tem registro de hantavirose no território, com cerca de 750 casos e quase 300 óbitos entre 2013 e 2023, sobretudo em regiões rurais e no Sul do país, associados a atividades agrícolas e contato com roedores silvestres. Depois do surto a bordo do navio MV Hondius, com três mortes e vários casos suspeitos no Atlântico Sul, a Organização Mundial da Saúde (OMS) distribuiu alertas para países da América do Sul, incluindo o Brasil, devido à circulação de cepas ligadas ao hantavírus Andes.
Internamente, o Ministério da Saúde classifica a doença como de notificação imediata, com protocolos de investigação sempre que surgem quadros de febre, dor intensa no corpo e falta de ar compatíveis com SCPH (Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus).
O que se sabe sobre a transmissão do Hantavírus entre humanos
O modo clássico de contágio ocorre por inalação de secreções de roedores infectados (urina, fezes e saliva), especialmente em ambientes fechados, mal ventilados ou com acúmulo de sujeira. Em situações raras, cepas como a Andes, descritas na Argentina e no Chile, já mostraram transmissão direta de pessoa para pessoa em ambientes muito próximos, como hospitais e residências, o que explica o nervosismo ante o surto em cruzeiros.
Infectologistas ouvidos pela imprensa afirmam, porém, que não há evidência até agora de que o hantavírus tenha virado um “COVID‑2” de fácil transmissão em ambientes abertos: o risco maior ocorre em situações muito específicas, como contato prolongado com doentes em estado grave ou em locais confinados, como o interior de um navio com centenas de pessoas.
Risco de chegada e de surto do Hantavírus no Brasil
Por já registrar casos internos, o Brasil não enfrenta o risco de “introdução” do hantavírus como se fosse um agente completamente novo, mas sim de monitorar mudanças em cepas ou padrões de transmissão. Especialistas ouvidos por veículos como Correio Braziliense e Veja destacam que, embora passageiros ou tripulantes infectados possam desembarcar no país, a probabilidade de um surto de grande porte é considerada baixa, desde que não haja ampla exposição a roedores silvestres e se cumpram as medidas de vigilância.
Facilidades de confinamento em navios – aglomeração, longa permanência em ambientes fechados e rotas internacionais – tendem a ampliar o risco de dispersão local, segundo epidemiologistas citados em análises sobre o MV Hondius. No Brasil, o foco dos técnicos segue nas áreas rurais, atividades agrícolas e locais com presença de roedores, onde o risco de hantavirose permanece muito maior que em cidades urbanas.
O que o público deve fazer
Autoridades sanitárias e especialistas recomendam atenção redobrada para quem viaja ou trabalha em zonas rurais, faz ecoturismo ou manipula armazéns, paióis e casas de campo fechadas: vedar frestas, manter boa ventilação, evitar acúmulo de lixo e usar luvas e máscaras ao limpar locais suspeitos. Além disso, qualquer febre acompanhada de dor intensa no corpo e falta de ar, especialmente em quem teve contato recente com roedores ou vive em áreas de risco, deve ser encaminhado imediatamente a um serviço de saúde, pois o início rápido do atendimento reduz significativamente a chance de complicações graves.
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