Os museus deixaram de ser apenas locais silenciosos de contemplação e passaram a oferecer experiências cada vez mais interativas, educativas e conectadas ao público. Em Fortaleza, esse movimento tem aproximado crianças, famílias, estudantes e turistas de espaços que unem arte, memória, história e tecnologia em diferentes formatos culturais.
No Dia Internacional dos Museus, celebrado em 18 de maio, equipamentos culturais da capital cearense ganham destaque por transformar a visitação em uma experiência imersiva. De maquetes históricas que recriam a antiga Fortaleza a exposições contemporâneas com centenas de obras, os museus da cidade reforçam o papel de preservar a memória coletiva enquanto se adaptam às novas formas de interação com o público.
Fortaleza possui mais de 20 equipamentos culturais oficiais entre museus e centros culturais. Espalhados por diferentes regiões da cidade, eles apresentam experiências ligadas à arquitetura, ao artesanato, à história, à memória e às artes visuais.
Museu Siará em Miniatura resgata a Fortaleza do passado
Um dos espaços que chamam atenção pela proposta diferenciada é o Museu Siará em Miniatura, localizado no Condomínio Espiritual Uirapuru, em Fortaleza.
O equipamento reúne cerca de 1.500 peças em miniatura que recriam momentos históricos do Ceará, especialmente da Fortaleza dos séculos XIX e XX, período conhecido como Belle Époque.
O coordenador pedagógico do espaço, Alencar Laje, explica que o objetivo é aproximar os visitantes da história por meio de uma experiência visual e educativa.
“O Museu Siará em Miniatura, feito com 1.500 peças, elas são maquetes que contam a história de Fortaleza no período do século XIX e século XX. É o período conhecido como Belle Époque. Então, você vai passar desde a questão do Forte Nossa Senhora da Assunção, a primeira capital, Aquiraz, falar um pouco de Redenção, a sua importância, e fala do período da Belle Époque, da cultura, dos vestimentos, e aí fazemos toda essa viagem. A proposta é conhecer para preservar e preservar para conhecer.”
A visitação ao museu é gratuita e ocorre mediante agendamento para grupos escolares, idosos, turistas e demais interessados.
Entre os destaques estão as reproduções de prédios históricos da capital cearense, incluindo construções que já não existem mais.
“É trazer essa imaginação do passado de Fortaleza através dessa maquete e através de quem vai contar a história, que vai passar por todos esses equipamentos. Temos equipamentos que existem e temos equipamentos que não mais existem. Nós falamos da importância desse equipamento no período da época”, destacou Alencar Laje.
Pinacoteca do Ceará aposta em interação e diversidade artística
Na Praça da Estação, a Pinacoteca do Ceará representa outro exemplo dessa transformação dos museus em ambientes mais dinâmicos e acessíveis.
O espaço reúne diferentes manifestações artísticas e promove exposições que aproximam obras consagradas de produções ligadas às comunidades.
Na mostra “Existências Paralelas – Acervo em (Des) Construção”, por exemplo, mais de 500 obras de 63 artistas ocupam os espaços do equipamento cultural.
A museóloga Mariza Monteiro destaca que os museus contemporâneos passaram a incluir o visitante como parte ativa da experiência cultural.
“Os museus, ao longo dos anos, principalmente a partir da década de 1970, onde a gente teve um evento muito importante para esse contexto dessa nova museologia contemporânea, o público deixou de ser só esse público espectador. Tem muitos museus que são bem interativos, que inclusive têm peças só interativas, têm exposições só interativas. Mas essa museologia contemporânea trouxe de fato esse visitante para dentro desses espaços para pensar suas histórias e repensar a sua memória.”
Crianças e famílias transformam museus em passeio cultural
Os espaços culturais também passaram a fazer parte da rotina de lazer de muitas famílias em Fortaleza.
A designer de moda Brena Cartaxo escolheu a Pinacoteca para um passeio com os filhos e destacou a importância do contato das crianças com as próprias raízes culturais.
“A gente tem muito isso de trazer os filhos, de mostrar, e principalmente saber de onde vêm as raízes, né? De onde vem toda a nossa história, das nossas gerações, até onde a gente chegou, porque a gente tem toda essa bagagem, né?”
Entre quadros, esculturas e instalações, crianças circulam pelos museus observando detalhes, fazendo perguntas e criando conexões com a arte.
A pequena Luiza Ximenes, de 8 anos, contou que se encantou com as obras do artista Chico da Silva.
“Os quadros do Chico da Silva.”
Questionada sobre o motivo, respondeu:
“Porque são bem coloridos e tem muitos desenhos.”
Museus fortalecem turismo e experiências culturais em Fortaleza
Os equipamentos culturais também passaram a integrar os roteiros turísticos de quem visita Fortaleza.
O engenheiro Cláudio Marques, acostumado a conhecer museus em diferentes cidades e países, escolheu revisitar a Pinacoteca do Ceará para acompanhar as novas exposições.
“O museu sempre faz parte dos meus roteiros turísticos e eu não poderia deixar de conhecer aqui a Pinacoteca, aliás, voltar aqui na Pinacoteca, conhecer as novas exposições. Porque acho que faz parte de conhecer um pouco da cidade, da cultura, enfim, do que tem a apresentar a região para a gente em termos de obras.”
Semana Nacional dos Museus movimenta equipamentos culturais
A programação cultural ganha ainda mais força durante a Semana Nacional dos Museus, realizada em alusão ao Dia Internacional dos Museus.
A data foi criada em 1977 pelo Conselho Internacional de Museus com o objetivo de conscientizar a população sobre a importância dessas instituições para preservação da história, da memória e da cultura.
Em Fortaleza, os equipamentos culturais participam da mobilização com atividades especiais voltadas para educação, preservação e interação cultural.
Segundo Mariza Monteiro, os museus cumprem funções muito mais amplas do que apenas expor obras.
“Os museus, para além de serem espaços de memória, de exposições, de cultura, eles também são espaços de encontro, de formação, de educação. Nós temos uma reserva técnica, nós temos a parte de conservação e de preservação dessa memória. O espaço também oferece uma gama de atividades voltadas para a cultura, voltadas para a educação. E durante essa semana a gente vai estar realmente debruçada, nessa Semana Internacional dos Museus, e pensando sobre esse tema.”




