A motofaixa, também conhecida como faixa azul, completou um ano de implantação em Fortaleza. Criada para organizar a circulação entre carros e motos, a estrutura é exclusiva para as motocicletas e ainda divide opiniões entre os motociclistas. Por sua vez, especialistas apontam a necessidade de mais estudos para avaliar se a intervenção tem alcançado os objetivos propostos.
A primeira motofaixa da Capital foi implantada na avenida Humberto Monte. Na sequência, a avenida Presidente Costa e Silva também recebeu a sinalização. A medida foi adotada em caráter experimental para reduzir conflitos no trânsito, disciplinar o fluxo de veículos e dar mais fluidez à circulação.
Apesar de ser destinada exclusivamente às motocicletas, a utilização da faixa azul não é obrigatória. Por isso, nem todos os motociclistas trafegam pelo espaço demarcado. Entre os que utilizam a estrutura, há avaliações diferentes sobre a segurança oferecida durante os deslocamentos.
A TV Cidade Fortaleza foi às ruas para saber o que os motociclistas pensam sobre a estrutura, “A gente se sente mais seguro, porque tem mais espaço para a gente poder passar”, considerou um deles. Outra, no entanto, disse que não gosta da faixa, por ser muito estreita, e se incomoda com a proximidade aos carros.
Outro condutor destacou que a atenção ao trânsito é fundamental para evitar situações de risco, independentemente da existência de um espaço específico para as motos. “Tudo é atenção. Manter distância de tudo, carro, moto, ônibus, tudo. Atenção.”
Como funciona a motofaixa em Fortaleza
A faixa azul foi criada para organizar a circulação de motocicletas em meio aos demais veículos. O espaço tem 1,10 metro de largura, o que gera preocupação entre parte dos condutores, que não se sentem seguros ao pilotar dentro da área demarcada, considerada por eles pequena. Outros motociclistas, por sua vez, avaliam positivamente a intervenção.
A utilização da estrutura também exige atenção às regras de circulação. Os carros só podem passar sobre a motofaixa durante a mudança de faixa. Já os motociclistas não podem realizar ultrapassagens dentro do espaço destinado às motos.
A proposta é organizar o deslocamento dos veículos e diminuir os conflitos entre os diferentes tipos de transporte. No entanto, a existência da sinalização, por si só, não garante que os condutores adotem comportamentos seguros. A maneira como motoristas e motociclistas utilizam as vias também entra na avaliação dos resultados.
AMC não registra acidentes graves nos trechos
De acordo com a Autarquia Municipal de Trânsito e Cidadania (AMC), não houve registro de acidentes graves envolvendo motociclistas nos trechos que receberam a motofaixa durante o primeiro ano de funcionamento.
O dado apresenta o balanço dos registros nas duas avenidas, mas ainda não encerra a discussão sobre a eficácia da intervenção. A avaliação dos resultados depende de estudos que permitam verificar o desempenho da estrutura e os fatores que influenciam a segurança dos usuários.
Para o chefe do Departamento de Engenharia de Transportes da Universidade Federal do Ceará (UFC), Ademar Gondim, o comportamento dos condutores tem papel central na ocorrência de acidentes de trânsito. O professor chama atenção para a participação das falhas humanas nas estatísticas que apresentou:
“88% dos acidentes são ocasionados por falhas humanas, 7% por fatores geográficos, como sinalização, e 5% por falhas nos veículos. Então, se o fator humano é o mais importante, nós temos que cuidar do fator humano através da conscientização, para se evitar que as pessoas cometam atos inseguros, não se exponham a riscos desnecessários, para que a pessoa possa preservar a sua vida, que é o bem maior que nós temos.”
Professor defende mais estudos sobre a faixa azul
A eficácia da motofaixa em Fortaleza ainda precisa ser avaliada por meio de estudos específicos. Ademar Gondim considera que a estrutura pode oferecer proteção aos motociclistas em determinadas situações, mas ressalta que os resultados também dependem da forma como o espaço é utilizado.
“A implantação da faixa traz uma proteção para o motociclista em determinadas situações. Mas, se a pessoa não tiver consciência de como deve utilizar essa faixa, ela certamente não será eficaz. Então é preciso aguardar um pouco para vermos os números, para ver se ela foi eficaz no nosso caso do município de Fortaleza.”




