A jovem Ana Clara Antero Oliveira, vítima de uma tentativa de feminicídio registrada em Quixeramobim, falou pela primeira vez após passar por uma cirurgia de alta complexidade para reimplante das mãos. Em entrevista exclusiva ao programa Balanço Geral Tarde, da TV Cidade, nesta segunda-feira (18), a adolescente afirmou que apresenta melhora no quadro clínico e disse se sentir “uma guerreira” após sobreviver ao ataque.
“Graças a Deus, eu estou bem. É um processo muito doloroso e eu tô me recuperando muito bem. Até os médicos estão assustados com a minha recuperação”, declarou.
Ana Clara permanece internada em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), onde segue sob acompanhamento médico. Apesar da gravidade dos ferimentos, familiares relatam evolução positiva desde o procedimento cirúrgico realizado após o crime.
A adolescente teve as duas mãos decepadas durante o ataque e passou por uma cirurgia que durou cerca de 12 horas. O procedimento reuniu 15 profissionais de saúde especializados no reimplante dos membros.
Ana Clara relata recuperação após cirurgia de reimplante das mãos
Durante a entrevista, Ana Clara contou que já consegue apresentar movimentos nas mãos reimplantadas, principalmente na direita, que havia sido completamente separada durante o ataque.
“A mão direita, que foi totalmente... que a mão caiu, né, e eles reencontraram tudo novamente, eu já consigo movimentar, levantar o braço, mexer os dedos”, afirmou.
O padrasto da jovem, José Ayrton, já havia relatado anteriormente à reportagem da TV Cidade que os avanços na recuperação têm surpreendido a equipe médica. Segundo ele, Ana Clara está consciente, lúcida e conversando normalmente com familiares.
“Ela teve uma situação muito difícil que a gente achava que ela não ia nem superar”, declarou.
Apesar da melhora, a jovem segue internada na UTI sem previsão de alta hospitalar. A permanência na unidade ocorre principalmente para monitoramento e prevenção de possíveis infecções, além do acompanhamento da adaptação dos membros reimplantados.
A recuperação completa ainda dependerá de etapas futuras de fisioterapia e reabilitação motora.
Jovem descreveu momento do ataque dentro de casa
O caso aconteceu na madrugada do dia 1º de maio. Segundo as investigações, Ana Clara foi atacada dentro da própria residência pelo então namorado, identificado como Ronivaldo Rocha dos Santos, e pelo irmão dele, Evangelista Rocha dos Santos.
De acordo com o relato da vítima, o suspeito ameaçava cometer violência caso ela encerrasse o relacionamento.
“Ele ameaçava falando que se eu deixasse ele, ele iria matar quem eu mais amava”, contou.
Na entrevista, Ana Clara também relembrou o momento em que os suspeitos chegaram à residência. Segundo ela, o namorado pediu que abrisse a janela e ameaçou invadir o imóvel.
“Ele falava que se eu não abrisse, ele quebrava a janela pra entrar”, disse.
A jovem afirmou que estava sozinha em casa no momento do ataque. Ao abrir a janela, o homem teria invadido imediatamente o imóvel já armado com uma foice.
“No momento que eu abri, ele já foi pulando e já foi tacando a foice”, relatou.
Durante a agressão, Ana Clara tentou se defender utilizando os braços e as mãos. Além das amputações, ela sofreu cortes profundos em outras partes do corpo, como ombro, perna e cotovelo.
Suspeitos de tentativa de feminicídio seguem presos
Os dois suspeitos foram presos em flagrante no mesmo dia do crime e conduzidos à delegacia de Quixeramobim. Eles foram autuados por tentativa de feminicídio e seguem à disposição da Justiça.
A polícia foi acionada após vizinhos ouvirem gritos de socorro vindos da residência. Quando os agentes chegaram ao local, encontraram Ana Clara gravemente ferida, mas ainda consciente. Segundo as investigações, ela conseguiu identificar os agressores aos policiais.
Mesmo diante do trauma físico e emocional, a jovem afirmou que deseja transformar a experiência em um exemplo de força para outras mulheres vítimas de violência.
“Eu não me sinto fraca, não me sinto menos mulher por estar passando por isso. Eu me sinto uma guerreira, um milagre de Deus”, declarou.
O caso provocou forte repercussão no Ceará e reacendeu debates sobre violência contra a mulher, feminicídio e medidas de proteção para vítimas em situação de risco.




