O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, investigado por suspeitas de fraudes financeiras bilionárias no caso Master, foi transferido para uma cela comum na Superintendência da Polícia Federal em Brasília após autorização do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça. A mudança acontece em meio ao avanço das negociações da proposta de colaboração premiada apresentada pela defesa do empresário.
Até então, Vorcaro estava em uma sala de Estado-Maior dentro da PF, espaço especial que também foi utilizado para custodiar o ex-presidente Jair Bolsonaro entre novembro de 2025 e janeiro deste ano. Com a transferência, o investigado passa a seguir as mesmas regras aplicadas aos demais presos mantidos na Superintendência da corporação.
Segundo informações ligadas à investigação, a alteração foi solicitada pela própria Polícia Federal após a conclusão da etapa de elaboração da proposta de delação. A decisão autorizada por André Mendonça não teria relação direta com o conteúdo apresentado pela defesa, mas sim com a mudança de fase das negociações.
Daniel Vorcaro deixa sala especial usada por Bolsonaro
A mudança interna ocorreu no início da noite de segunda-feira (18). Vorcaro foi levado para uma cela comum destinada a presos que permanecem temporariamente na carceragem da PF em Brasília.
Antes da transferência, o ex-banqueiro permanecia em uma sala diferenciada, com acesso ampliado aos advogados enquanto discutia os termos da colaboração premiada. O local havia sido reformado anteriormente para receber Jair Bolsonaro durante o período em que o ex-presidente esteve preso.
Pessoas próximas a Vorcaro afirmam que a nova cela possui estrutura mais precária do que os espaços em que ele esteve anteriormente, incluindo unidades do sistema penitenciário do Distrito Federal e até a Penitenciária Federal de Brasília, considerada de segurança máxima.
PF restringe visitas de advogados após mudança de cela
Com a nova condição de custódia, Daniel Vorcaro passa a obedecer integralmente ao regulamento interno da Superintendência da Polícia Federal.
As visitas dos advogados agora ficam limitadas a dois encontros diários, cada um com duração máxima de 30 minutos e em horários previamente definidos pela administração da unidade.
Antes da mudança, os defensores tinham acesso mais amplo ao investigado e podiam permanecer reunidos durante praticamente todo o expediente, das 9h às 17h, sem restrições mais rígidas.
A Polícia Federal já havia solicitado ao STF a transferência definitiva de Vorcaro para um presídio, alegando que as condições especiais de permanência na Superintendência impactavam a rotina administrativa da corporação. Até agora, André Mendonça ainda não decidiu sobre essa possibilidade, mas autorizou a mudança de cela dentro da própria PF.
Delação premiada segue sob análise da PF e da PGR
Daniel Vorcaro está preso preventivamente desde 19 de março na Superintendência da Polícia Federal em Brasília. Antes disso, ele passou pela Penitenciária Federal de Brasília e também pelo Complexo Penitenciário de Potim, no interior de São Paulo.
A proposta de colaboração premiada já foi entregue à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República (PGR), mas ainda está sendo analisada pelos investigadores.
Nos bastidores, integrantes da investigação avaliam que o material apresentado pela defesa precisaria ser complementado com mais detalhes sobre personagens envolvidos, movimentações financeiras e estruturas relacionadas ao caso Master.
Investigadores acreditam que uma eventual delação de Vorcaro pode trazer novos elementos sobre suspeitas de fraudes financeiras bilionárias atribuídas ao antigo Banco Master.
Mudança na defesa marcou negociações de colaboração
Durante as negociações da delação, Daniel Vorcaro também promoveu mudanças em sua equipe de defesa.
O advogado José Luís Oliveira Lima, conhecido como “Juca”, assumiu recentemente a representação do ex-banqueiro. O criminalista ganhou notoriedade nacional por atuar em acordos de colaboração premiada de grande repercussão, incluindo a delação do empreiteiro Léo Pinheiro, da OAS, na Operação Lava Jato.
Com a mudança, o advogado Pierpaolo Bottini deixou a defesa do empresário.
Caso Master colocou ex-banqueiro novamente na prisão
Daniel Vorcaro foi preso inicialmente durante a primeira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em novembro de 2025 por determinação da Justiça Federal em Brasília.
Após obter liberdade, ele voltou a ser preso em março deste ano por decisão do ministro André Mendonça. A medida foi posteriormente confirmada por unanimidade pela Segunda Turma do STF.
As investigações apuram suspeitas de fraudes financeiras bilionárias relacionadas ao antigo Banco Master. A expectativa da Polícia Federal é que a eventual colaboração do ex-banqueiro ajude a detalhar a movimentação de recursos e identifique possíveis envolvidos no esquema investigado.




