A dança como memória, resistência e encontro entre mulheres latino-americanas. É a partir dessa proposta que o Projeto YUGO inicia uma nova circulação cultural pelo Ceará, levando apresentações, oficinas e vivências gratuitas para comunidades indígenas e quilombolas do estado. A programação começa neste fim de semana em Caucaia e segue ainda por Trairi e Jardim, no Cariri cearense.
Criado pela artista colombiana Yara Cantillo, que vive em Fortaleza desde 2018, o espetáculo mistura dança afro-colombiana, narrativas sobre ancestralidade e reflexões sobre racismo, misoginia e identidade feminina. Depois de passar pela capital cearense, a montagem agora chega a territórios marcados por forte tradição comunitária e cultural.
A abertura da circulação acontece neste sábado (24) e domingo (25), na Reserva Indígena Taba do Povo Anacé, em Caucaia, em parceria com o Grupo de Dança das Mulheres Anacé Movimento e Raízes. Além das apresentações, o público também poderá participar de oficinas e experiências coletivas voltadas especialmente para mulheres.
Projeto YUGO transforma dança em memória e resistência feminina
O espetáculo nasceu a partir de uma pesquisa desenvolvida por Yara Cantillo ao longo de mais de uma década. A obra foi inspirada no monólogo “Anália Tu Bari”, do escritor colombiano Roberto Burgos, e constrói no palco uma narrativa sobre a trajetória de uma mulher africana escravizada durante o período colonial.
Ao longo da apresentação, o corpo deixa de ser apenas instrumento de dança e passa a funcionar como elemento central da narrativa. A montagem utiliza movimentos, símbolos e gestos para discutir violência, apagamento histórico e resistência feminina.
Sem recorrer a uma estrutura tradicional de espetáculo, YUGO aposta em uma experiência mais sensorial e emocional. A proposta aproxima histórias de mulheres latino-americanas e cria conexões entre ancestralidade, território e memória coletiva.
A circulação também reforça um intercâmbio cultural entre Brasil e Colômbia, aproximando ritmos afro-colombianos das tradições populares presentes em comunidades cearenses.
Vivências aproximam mulheres de diferentes histórias e territórios
Além do espetáculo, a programação inclui atividades voltadas à troca de experiências entre mulheres das comunidades visitadas. Aos sábados, antes das apresentações, Yara Cantillo conduz uma vivência coletiva utilizando a saia como símbolo de expressão artística, identidade e memória afetiva.
Durante os encontros, participantes compartilham relatos pessoais, lembranças e experiências ligadas ao corpo, à ancestralidade e ao cotidiano feminino. A proposta transforma elementos do figurino do espetáculo em instrumentos de escuta e conexão coletiva.
Já aos domingos, o projeto promove oficinas de dança afro-colombiana inspiradas em manifestações culturais da região do Caribe colombiano. As atividades apresentam ritmos marcados por influências africanas e indígenas e buscam aproximar o público cearense dessas tradições.
A ideia é construir uma troca artística entre diferentes culturas latino-americanas, destacando semelhanças históricas e afetivas entre Brasil e Colômbia.
Circulação passa por Caucaia, Trairi e Jardim
Depois da passagem por Caucaia, o Projeto YUGO segue nos dias 30 e 31 de maio para o distrito de Canaã, na zona rural de Trairi. As atividades serão realizadas no Ecosítio Vida Zen.
A circulação será encerrada nos dias 7 e 8 de junho no Quilombo Serra dos Mulatos, em Jardim, no Cariri, em parceria com a Associação Remanescente de Quilombo Serra dos Mulatos.
A escolha dos territórios busca aproximar o espetáculo de comunidades que mantêm forte relação com ancestralidade, tradição oral e manifestações culturais populares.
Intercâmbio cultural entre Ceará e Colômbia fortalece espetáculo
Embora tenha sido criado inicialmente pela artista colombiana, o espetáculo passou a incorporar colaborações de artistas cearenses ao longo dos últimos anos. Em 2019, a dramaturgista Dayana Soufer e o iluminador Ciel Carvalho passaram a integrar o desenvolvimento artístico da montagem.
Segundo Yara Cantillo, a aproximação com artistas do Ceará ajudou a ampliar os diálogos sobre identidade, subjetividade e afetos femininos presentes na obra.
O projeto também evidencia o crescimento de intercâmbios culturais latino-americanos no Ceará, especialmente em iniciativas ligadas à dança contemporânea, ancestralidade e resistência cultural.
Serviço
Caucaia
- Datas: 24 e 25 de maio
- Local: Reserva Indígena Taba do Povo Anacé
Trairi
- Datas: 30 e 31 de maio
- Local: Ecosítio Vida Zen, distrito de Canaã
Jardim
- Datas: 7 e 8 de junho
- Local: Quilombo Serra dos Mulatos




