Uma fêmea de peixe-boi monitorada por pesquisadores da ONG Aquasis foi vista no litoral de Fortaleza nesta quinta-feira (20) após percorrer cerca de 200 quilômetros desde Icapuí, no litoral leste do Ceará. O animal, chamado Jaci, vinha sendo acompanhado em tempo real por meio de um transmissor preso ao corpo e chamou atenção pela longa travessia até a capital cearense.
Resgatada ainda filhote em 2020, Jaci passou por anos de reabilitação antes de retornar ao mar neste ano. Segundo os pesquisadores responsáveis pelo monitoramento, o deslocamento faz parte do comportamento natural da espécie, mas exige cuidados da população para evitar interferências no equipamento usado no acompanhamento do animal.
A presença do peixe-boi em Fortaleza despertou curiosidade entre moradores e frequentadores da orla, principalmente pela distância percorrida desde a região de Icapuí, na divisa entre Ceará e Rio Grande do Norte.
Jaci saiu de Icapuí e chegou ao litoral de Fortaleza
De acordo com a equipe da Aquasis, Jaci passou pelo processo de reabilitação no Centro de Reabilitação de Mamíferos Marinhos, localizado em Caucaia.
Depois dessa etapa, o peixe-boi foi levado para um recinto de aclimatação em Icapuí, onde permaneceu até a soltura definitiva no habitat natural.
Nos últimos dias, pesquisadores perceberam mudanças na rota do animal até a chegada ao litoral de Fortaleza.
O acompanhamento é feito por meio de uma boia presa ao rabo do peixe-boi, responsável por transmitir informações em tempo real sobre deslocamento, comportamento e áreas frequentadas.
Jaci também possui identificação numérica no corpo. O número 17 aparece marcado entre a cabeça e o rabo para facilitar o reconhecimento pelos pesquisadores.
Peixe-boi em Fortaleza é acompanhado por transmissor
O coordenador de monitoramento de peixes-bois da ONG, Lucas Santos, reforçou que o transmissor preso ao animal é fundamental para acompanhar a adaptação da espécie após o retorno à natureza.
Segundo ele, a população não deve tentar retirar o equipamento caso encontre a boia no mar ou próxima da faixa de areia.
“É importante que o transmissor fique com a Jaci. Caso vocês avistem uma boia e não entendam para o que é, pode ser do peixe-boi. Nos avisem”, alertou.
O equipamento permite que os pesquisadores monitorem rotas migratórias, alimentação e comportamento da fêmea ao longo do litoral cearense.
Espécie ameaçada depende de ações de conservação
O peixe-boi-marinho é considerado uma espécie vulnerável à extinção no Brasil.
Entre as principais ameaças enfrentadas pelos animais estão poluição, degradação ambiental, pesca irregular e colisões com embarcações.
Projetos de reabilitação e soltura realizados por instituições ambientais têm sido considerados fundamentais para recuperação da população da espécie no litoral nordestino.
O Ceará concentra algumas das principais ações de monitoramento e preservação de mamíferos marinhos do país, especialmente em regiões utilizadas pelos peixes-bois como rota de deslocamento.
Especialistas orientam que, ao encontrar um peixe-boi no mar ou próximo da praia, a população mantenha distância, evite contato físico e acione equipes ambientais responsáveis pelo acompanhamento da espécie.




