A mãe do adolescente de 15 anos internado em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) após ingerir uma mistura de álcool com medicamentos dentro de uma escola particular de Fortaleza afirmou considerar o caso uma tentativa de homicídio. Em entrevista concedida ao jornalista Luiz Esteves, da TV Cidade Fortaleza, ela relatou que o filho correu risco de morte depois de consumir a substância conhecida como “Purple Drank”.
“Foi vítima de tentativa de homicídio. Doloso ou culposo não posso afirmar, mas de fato aconteceu”, declarou durante a entrevista.
O estudante segue hospitalizado sob monitoramento médico após ingerir a mistura oferecida por um colega dentro da instituição de ensino. As investigações apontam que o conteúdo consumido envolvia bebida alcoólica associada a medicamentos com efeito sedativo.
Adolescente ingeriu mistura dentro da escola
Segundo as informações apuradas até o momento, o adolescente teria consumido um coquetel preparado com álcool e medicamentos diluídos. Após ingerir a substância dentro da sala de aula, ele apresentou sintomas graves, incluindo desorientação, vômitos, tremores, alteração de comportamento e perda do controle motor.
A mãe afirmou que recebeu uma ligação da escola informando que o filho estava passando mal. Ela disse que encontrou o adolescente em estado de sonolência intensa e desorientação.
“Quando cheguei, ele estava em um estado totalmente letárgico, parecia alcoolizado, mas não apenas isso, parecia algo mais”, afirmou.
O estudante foi levado para atendimento hospitalar e permanece internado na UTI. Segundo a mãe, ele chegou a ficar desacordado por cerca de 24 horas.
Família descobriu composição da mistura após retorno à escola
Durante a entrevista, a mulher relatou que a família inicialmente não sabia o que o adolescente havia ingerido. Segundo ela, as informações começaram a surgir após o marido retornar à escola em busca de esclarecimentos.
De acordo com o relato, colegas entregaram um papel encontrado no lixo contendo os ingredientes da mistura consumida pelo estudante. A substância envolveria álcool e diferentes medicamentos.
“Meu marido voltou à escola e descobrimos que ele ingeriu mistura de álcool com medicações dada por um colega de sala”, afirmou.
O caso ganhou repercussão após surgirem informações de que o conteúdo consumido seria semelhante ao chamado “Purple Drank” ou “lean”, mistura conhecida pela combinação de álcool com medicamentos sedativos, principalmente antialérgicos e xaropes.
Caso é investigado pela Delegacia da Criança e do Adolescente
A ocorrência foi registrada e passou a ser investigada pela Delegacia da Criança e do Adolescente (DCA). Segundo a mãe, a família decidiu procurar as autoridades logo após o episódio.
Ela também afirmou esperar responsabilização dos envolvidos após a conclusão das investigações.
“Promessa dos delegados, foram todos muito empáticos, solidários e acolhedores, se comprometeram de realmente apurar os fatos e trazer punição para os responsáveis”, disse.
Até o momento, não há informações oficiais sobre eventuais medidas adotadas contra o estudante apontado como responsável por oferecer a mistura.
A escola informou anteriormente que identificou rapidamente a situação, acionou os familiares, providenciou atendimento médico e registrou boletim de ocorrência. A instituição declarou ainda que colabora com as investigações.
Família rebate críticas nas redes sociais
Durante a entrevista, a mãe também comentou críticas recebidas nas redes sociais após a repercussão do caso. Segundo ela, o episódio não está relacionado à ausência da família na rotina do adolescente.
“Meu filho errou em aceitar o desafio, tomar o líquido realmente, mas posso afirmar que não se trata de sermos pais ausentes”, afirmou.
Ela disse ainda que decidiu falar publicamente sobre o caso para alertar outros pais sobre situações semelhantes.
“Todos nós, por mais atentos que estejamos, estamos sujeitos a pegar uma fragilidade dos nossos filhos”, declarou.
O que é o “Purple Drank” e quais os riscos
Conhecida como “Purple Drank” ou “lean”, a mistura costuma associar álcool a medicamentos com efeito sedativo. Especialistas alertam que o consumo pode provocar complicações graves, como arritmias cardíacas, depressão respiratória, confusão mental, perda de consciência e risco de morte.
O médico Bruno Cavalcante explicou que adolescentes tendem a ser mais vulneráveis aos efeitos da combinação por apresentarem menor tolerância fisiológica às substâncias.
Segundo o especialista, o álcool atua como depressor do sistema nervoso central e pode ter seus efeitos potencializados quando combinado a medicamentos antialérgicos e sedativos.




