A Polícia Militar do Ceará (PMCE) afirmou que a intervenção realizada durante o protesto da torcida do Ceará, na noite desta terça-feira (26), ocorreu após uma situação de “perturbação da ordem pública” no entorno do Centro de Treinamento do clube, em Porangabuçu, em Fortaleza. A manifestação criticava a gestão do presidente João Paulo Silva e acontecia simultaneamente à votação das contas financeiras do clube referentes a 2025.
Segundo a corporação, parte dos manifestantes teria utilizado artefatos pirotécnicos e tentado forçar um dos acessos ao CT do Ceará Sporting Club, o que motivou a ação policial. Durante a ocorrência, quatro torcedores foram conduzidos ao 7º Distrito Policial. A PM informou ainda que um subtenente foi atingido por uma pedra na cabeça durante o tumulto.
Os envolvidos passaram pelos procedimentos legais e foram liberados posteriormente.
PM afirma que protesto da torcida do Ceará gerou tumulto em Porangabuçu
Em nota divulgada após a ocorrência, a Polícia Militar informou que equipes do Comando de Policiamento de Rondas de Ações Intensivas e Ostensivas (CPRAIO) foram acionadas para reforçar a segurança na região do centro de treinamento do Ceará.
De acordo com a corporação, manifestantes utilizavam fogos e outros artefatos em direção à estrutura do clube, o que teria elevado o risco de confusão no local.
Ainda segundo a PM, os policiais orientaram os participantes a interromperem as ações, mas parte do grupo teria reagido tentando forçar um dos portões de acesso ao CT.
A corporação afirma que, durante a intervenção, houve arremesso de pedras e garrafas contra os agentes de segurança. Para dispersar a multidão, os policiais utilizaram instrumentos de menor potencial ofensivo, como spray de pimenta e bombas de efeito moral.
Um subtenente da PMCE foi atingido na cabeça por uma pedra. O militar recebeu atendimento médico, precisou passar por sutura e foi liberado em seguida.
Manifestação contra diretoria terminou com detidos e policial ferido
O ato reuniu integrantes de torcida organizada e grupos ligados à oposição política dentro do Ceará Sporting Club. Os manifestantes criticavam principalmente a condução financeira do clube sob a gestão do presidente João Paulo Silva.
Durante o protesto, torcedores exibiram faixas, adesivos e encenações críticas à diretoria. Em um dos momentos, houve representações do presidente utilizando referências como “Pinóquio” e “rato”, em crítica às decisões administrativas do clube.
Relatos de pessoas presentes apontam que a manifestação ocorria de forma pacífica até o momento da intervenção policial. Após o início da dispersão, houve correria e tumulto na região.
Torcedores afirmam que mulheres e crianças presentes no local também foram atingidas pelos efeitos do material utilizado pela PM para dispersar os participantes.
Os organizadores do protesto negam que tenha existido tentativa de invasão ao centro de treinamento, contrariando a versão apresentada pela Polícia Militar.
A ocorrência segue repercutindo entre torcedores, dirigentes e grupos políticos ligados ao clube.
Ceará aprovou contas de 2025 mesmo com déficit milionário
O protesto aconteceu ao mesmo tempo em que o Conselho Deliberativo do Ceará realizava, de forma virtual, a votação das contas financeiras do clube referentes ao exercício de 2025. O balanço apresentado pela diretoria apontou déficit próximo de R$ 86 milhões no período. Mesmo assim, as contas foram aprovadas pela maioria dos conselheiros.
Ao todo, foram registrados 141 votos: 97 favoráveis à aprovação, 43 contrários e uma abstenção. O cenário financeiro do clube vem sendo alvo de críticas recorrentes de parte da torcida e de grupos ligados à oposição interna, fator que motivou a mobilização em Porangabuçu.
A repercussão do protesto e da ação policial segue movimentando o ambiente político do Ceará Sporting Club nas redes sociais e entre conselheiros do clube.




