Quatro homens conduzidos ao 7º Distrito Policial após o confronto registrado durante um protesto em frente à sede do Ceará, no bairro Porangabuçu, em Fortaleza, não participaram das agressões contra policiais militares, segundo relatos de torcedores que acompanharam a manifestação. O ato aconteceu em meio à crise enfrentada pelo clube em 2026 e cobrava a saída do presidente João Paulo.
O protesto terminou em tumulto, uso de balas de borracha por parte da Polícia Militar, lançamento de rojões e um policial ferido na cabeça. Após a confusão, os quatro homens foram levados para a delegacia no bairro Pirambu.
Segundo informações apuradas no local, cerca de 500 torcedores participavam da manifestação, que havia sido organizada inicialmente como um ato pacífico. Vestígios do confronto, incluindo cápsulas de balas de borracha, ficaram espalhados em frente à sede do clube após a confusão.
Como começou o confronto na sede do Ceará
De acordo com relatos colhidos no local, o tumulto começou quando alguns torcedores colocavam adesivos na entrada da sede do clube. Policiais teriam interpretado a ação como uma tentativa de arrombamento do portão.
A advogada Juliana Nascimento afirmou que a reação policial ocorreu logo após esse momento. “Toda a confusão começou a partir desse momento, quando os policiais acharam que o portão da sede do Ceará estava sendo arrombado pelos manifestantes, quando na verdade estava sendo pregado um adesivo. Então começaram a soltar balas, fogos e os instrumentos usados para dispersar uma manifestação.”
Ainda durante o confronto, rojões e objetos foram arremessados na direção dos policiais. Um agente da Polícia Militar foi atingido na cabeça e precisou receber atendimento médico. Ele chegou ao 7º Distrito Policial com a cabeça enfaixada.
Informações obtidas no local apontam que o confronto teria sido provocado por um grupo menor em meio aos cerca de 500 manifestantes que participavam do protesto.
Torcedores afirmam que detidos não participaram das agressões
Após a confusão, quatro homens foram conduzidos ao 7º Distrito Policial. Segundo relatos de manifestantes, eles apenas acompanhavam o protesto e não participaram dos atos de violência registrados durante o tumulto.
As informações apuradas indicam que os quatro homens seriam ouvidos inicialmente na condição de testemunhas.
Manifestantes também afirmam que os responsáveis diretos pelas agressões contra os policiais não teriam sido capturados durante a ação.
Após as detenções, outros torcedores seguiram até a delegacia para prestar apoio aos conduzidos.
Manifestação era contra diretoria do clube
O protesto foi organizado por torcedores insatisfeitos com a situação do Ceará em 2026. A manifestação tinha como principal pauta a saída do presidente João Paulo.
O ator Maycon Feijó afirmou que o ato havia sido planejado como uma manifestação pacífica e relatou que havia crianças no local no momento da ação policial.
“Eu acho que essas pessoas precisam ter voz, até porque eu estava presente no momento, e aconteceu que foram pregar um adesivo e, após isso, tem vídeos, tem imagens, tudo disso. Foi jogado spray de pimenta nas pessoas que estavam naquele momento, onde tinham muitas crianças, porque era uma manifestação pacífica”, disse ele ao falar com a equipe de reportagem da TV Cidade Fortaleza.
Segundo ele, os organizadores reforçavam constantemente que o protesto ocorreria sem violência. “Em todo momento foi informado: manifestação pacífica. E estava sendo conduzida dessa forma.”




