Matheus, uma criança autista que vende bombons para ajudar no sustento da família, foi filmado e exposto por uma influenciadora digital enquanto trabalhava no Mercado dos Peixes, na Beira-Mar de Fortaleza. No vídeo publicado nas redes sociais, Valéria Diniz pergunta em quem o menino votou. Depois de ele responder que votou em Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ela pede que faça o gesto com a letra L, de apoio ao presidente. Quando a criança atende ao pedido, a influenciadora diz que não quer o produto, enquanto as amigas que estavam à mesa riem da situação.
A gravação foi publicada em um story no Instagram. Na imagem, Valéria aparece sentada com amigas em uma mesa, enquanto Matheus oferece os doces para venda. Sobre o vídeo, a influenciadora acrescentou a frase ao publicar o conteúdo: “vai na mamãe e manda ela fazer o L”.
A publicação provocou reações negativas nas redes sociais. Após a repercussão, o perfil de Valéria Diniz ficou indisponível. A conta anterior tinha cerca de 70 mil seguidores.
Em seguida, a influenciadora começou a publicar conteúdo em outro perfil e divulgou uma mensagem de desculpas. “Desculpa de verdade. Eu não queria passar essa visão! Espero que um dia você e sua família possa me perdoar!”, escreveu.
Quem é Matheus, o menino que vende bombons em Fortaleza
Matheus é autista, perdeu a mãe e mora com a avó, Inês de Maria do Nascimento. A criança vende bombons na orla de Fortaleza para contribuir com as despesas da família.
Após a circulação do vídeo, internautas e influenciadores passaram a manifestar solidariedade ao menino e a mobilizar contribuições para ajudar a família. A divulgação do caso também levou à circulação de informações sobre a situação de Matheus e de sua avó.
A família informou que as pessoas interessadas em contribuir podem fazer transferências por Pix para o número (85) 99276-3326, em nome de Inês de Maria do Nascimento, pelo banco Itaú.
Reações após a eleição também envolvem pedidos de demissão e boicote
O caso ocorreu em meio a manifestações nas redes sociais de apoiadores de Flávio Bolsonaro (PL) contrários a pessoas que votaram em Lula. Entre os episódios divulgados após o segundo turno da eleição presidencial, realizado no domingo (25), estão publicações de parlamentares do Partido Liberal que defenderam demissões de trabalhadores ou boicotes a profissionais e estabelecimentos por suas posições políticas.
Entre os nomes citados estão Jessicão, deputada estadual eleita pelo Paraná; Índia Armelau, do Rio de Janeiro; e Ali Klemt, eleita para a Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul. As manifestações geraram questionamentos sobre a discriminação por convicção política nas relações de trabalho.
Jessica Ramos Moreno, conhecida como Jessicão, publicou no X, antigo Twitter, uma mensagem direcionada a empregadores e pessoas que contratam serviços. Na postagem, ela defendeu que trabalhadores que apoiam o PT fossem demitidos e sugeriu que os seguidores deixassem de contratar profissionais com essa orientação política.
“Você tem uma empregada que é petista? DEMITA! Tem um funcionário que é petista? DEMITA! Seu barbeiro é petista? Troque de barbeiro”, escreveu a parlamentar eleita.
Na mesma publicação, Jessicão afirmou que o voto em Lula prejudicaria negócios, famílias e a vida dos empregadores. A mensagem também incentivava o rompimento de relações com pessoas que apoiaram o presidente.
Jessicão é vereadora de Londrina e foi eleita deputada estadual pelo Paraná. Após a publicação, o caso passou a ser apurado pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) no estado, diante da possibilidade de assédio eleitoral e discriminação por convicção política.
No Rio de Janeiro, a Justiça do Trabalho concedeu uma liminar que proíbe Índia Armelau de incentivar empregadores a discriminar, demitir ou perseguir funcionários por suas escolhas políticas.




