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DECLARAÇÃO

Lula chama de “vergonhosa” saída de Flávio Bolsonaro do Brasil

Durante comemoração de 81 anos, presidente criticou o senador por deixar o país após uma ordem judicial para entregar os passaportes à Polícia Federal

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Lula chama de “vergonhosa” saída de Flávio Bolsonaro do Brasil
Lula criticou a decisão de Flávio Bolsonaro de deixar o Brasil após a derrota eleitoral. Foto: Reprodução

O presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) classificou como “vergonhosa” a saída do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil, nesta terça-feira (27), dois dias depois da derrota na eleição presidencial. Durante uma comemoração de seu aniversário de 81 anos, no Palácio da Alvorada, Lula criticou o adversário por deixar o país após uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinava a entrega dos passaportes à Polícia Federal (PF) e o proibia de viajar para o exterior.

“Esse ato de sair do Brasil é vergonhoso. Ele deveria ter entregue o passaporte”, declarou o presidente. Lula também afirmou que a Polícia Federal já deveria suspeitar de que o senador deixaria o território brasileiro, por ser alvo de investigações.

Leia também: Deputadas do PL defendem demissão de petistas e boicote a negócios após vitória de Lula

A saída de Flávio foi confirmada posteriormente pela Direção Nacional de Migrações da Argentina. Segundo o órgão, o senador entrou no país vizinho com a esposa e as duas filhas na noite de terça-feira (27) e embarcou em uma aeronave particular cujo plano de voo indicava Guayaquil, no Equador, como destino. Relatos divulgados anteriormente apontavam uma viagem aos Estados Unidos, e um aliado do presidente norte-americano Donald Trump afirmou que Flávio havia chegado ao país.

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Lula compara saída de Flávio à própria experiência em 2018

Durante o discurso, Lula relembrou o episódio de 2018, quando entregou o passaporte após uma determinação judicial e permaneceu no Brasil, mesmo tendo recebido convites para deixar o país ou buscar abrigo em embaixadas. Naquele ano, o petista se apresentou à Polícia Federal e foi preso no âmbito da Operação Lava Jato.

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“Tive muitos convites para sair do Brasil, ir para embaixadas, mas resolvi ficar e me entregar na Polícia Federal, porque queria desmascarar meus acusadores e provar minha inocência”, afirmou Lula.

O presidente também disse lamentar a decisão do senador de deixar o país. Na avaliação de Lula, Flávio poderia permanecer no Brasil para contestar as acusações que são objeto de investigações.

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Lula ainda mencionou a proposta feita durante a campanha eleitoral para que os dois candidatos apresentassem dados fiscais, bancários e telefônicos. Segundo o presidente, ele entregou os próprios documentos e os de familiares à Justiça Eleitoral, mas Flávio não teria feito o mesmo.

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Presidente critica relação da família Bolsonaro com os Estados Unidos

Lula também direcionou críticas à relação da família Bolsonaro com os Estados Unidos. Ao comentar a viagem do senador, afirmou que o país norte-americano seria a “primeira pátria” da família.

“Lamentavelmente, a família Bolsonaro é isso. O Brasil é a segunda pátria dele. A primeira é lambe-botas dos Estados Unidos”, declarou o presidente.

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A fala ocorreu diante de apoiadores que participaram da comemoração do aniversário de Lula, realizada em frente ao Palácio da Alvorada. O presidente também defendeu que os candidatos respeitem os resultados eleitorais e permaneçam no país após eventuais derrotas.

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Flávio Bolsonaro perdeu o segundo turno da eleição presidencial para Lula, realizado no domingo (25). A viagem ocorreu menos de 48 horas depois do resultado eleitoral.

Migração argentina confirma entrada de Flávio no país vizinho

A Direção Nacional de Migrações da Argentina informou, nesta quarta-feira (28), que Flávio Bolsonaro, a esposa Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro e as duas filhas entraram no país às 22h50 de terça-feira. O grupo atravessou a Ponte Internacional Tancredo Neves, na província argentina de Misiones, e apresentou documentos considerados válidos para a entrada no território.

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Cerca de 40 minutos depois, às 23h30, os quatro embarcaram em um avião particular operado pela empresa Baires Fly S.A. O plano de voo apresentado às autoridades indicava Guayaquil, no Equador, como destino. O comunicado oficial, porém, não esclareceu se a cidade equatoriana seria o ponto final da viagem ou uma escala para outro país.

Na terça-feira, informações divulgadas apontaram que Flávio estaria em um voo para os Estados Unidos. O empresário mexicano Simón Levy, que se apresenta como aliado de Donald Trump, afirmou que o senador havia chegado ao território norte-americano.

Viagem ocorreu após ordem de Alexandre de Moraes

A saída do senador ocorreu após uma decisão de Alexandre de Moraes que determinou a entrega dos passaportes comum e diplomático à Polícia Federal e proibiu Flávio de deixar o país. O prazo para apresentação dos documentos terminou às 11h de terça-feira (27), sem que eles fossem entregues.

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A Polícia Federal cancelou os passaportes brasileiros do senador e informou que comunicaria o descumprimento da determinação judicial ao ministro. A decisão está relacionada a uma investigação que apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo Flávio e o advogado Willer Tomaz. Os investigados negam irregularidades.

Em vídeo publicado nas redes sociais na segunda-feira (26), Flávio havia afirmado que entregaria os passaportes e que permaneceria no Brasil para fazer oposição ao governo.

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