Muito antes do apito inicial da Copa do Mundo, uma família cearense já entra em clima de decisão. Bandeiras espalhadas pela casa, espaços decorados com referências aos títulos da Seleção Brasileira, cardápio especial e parentes de diferentes gerações reunidos fazem parte de uma tradição que atravessa mais de duas décadas.
O ritual começou em 2002 e permanece vivo até hoje. A cada Mundial, a residência da família Régis se transforma em um ponto de encontro para filhos, netos, bisnetos e amigos acompanharem juntos os jogos do Brasil. Mais do que futebol, o evento se tornou uma forma de preservar laços familiares e manter vivo um legado construído pelo patriarca da família.
Pelas paredes da casa, as cinco estrelas conquistadas pela Seleção ocupam lugar de destaque. Há até um espaço reservado para um possível sexto título, sonho compartilhado por todos que participam da tradição.
Tradição da Copa nasceu para reunir a família
Douglas Régis conta que a iniciativa surgiu a partir do desejo do pai de aproximar familiares por meio do futebol. O que começou como uma reunião para assistir aos jogos acabou se transformando em um compromisso mantido geração após geração.
"Isso começou com ele. Meu pai sempre gostou de reunir a família. A partir de 2002, ele teve essa ideia de aproximar ainda mais todo mundo por meio do futebol", relata.
A edição deste Mundial carrega um significado especial para os parentes. Será a primeira Copa realizada sem a presença do idealizador da tradição.
"É um pouco triste para nós porque perdemos ele. Foi a primeira grande perda da família. Agora temos que levar esse legado adiante, com o carinho e essa união que ele deixou. Acho que é isso que mantém a nossa família forte", afirma Douglas.
Decoração e gastronomia fazem parte da preparação
A preparação para os jogos começa muito antes da estreia da Seleção. A decoração toma conta dos ambientes internos e externos da residência, criando um cenário inteiramente voltado para o Mundial. Além das bandeiras e símbolos ligados ao futebol, outro elemento chama atenção: a comida.
A cada partida do Brasil, a família prepara pratos inspirados no país adversário. Mesmo com as adaptações no cardápio, um item permanece garantido em todas as reuniões. "Pode faltar qualquer coisa, menos o nosso baião. É o tradicional. E quando a família se reúne tem fartura de comida, fartura de oração e fartura de alegria", diz Nildinha Régis.
Gerações que nunca viram o Brasil campeão mantêm esperança
Entre os integrantes mais jovens da família, a expectativa pela conquista do hexacampeonato é ainda maior. Muitos nasceram após o título conquistado pelo Brasil em 2002 e nunca viram a Seleção levantar a taça.
As superstições também fazem parte do ritual. Uma das mais tradicionais envolve a seleção argentina. "Antes mesmo de eu nascer, a minha família já fazia isso. A gente cola todas as figurinhas da Argentina de cabeça para baixo para dar azar. Virou praticamente uma tradição", conta Wagner Régis.
Apesar das brincadeiras, o universitário afirma que a confiança na Seleção permanece intacta. "Eu e os mais jovens da família nunca vimos o Brasil ser campeão. Cada Copa é uma nova oportunidade e uma nova esperança. A gente acredita que essa seleção tem capacidade de chegar até o fim", afirma.
Entre bandeiras, receitas especiais e histórias compartilhadas, a Copa do Mundo se tornou apenas o pano de fundo para algo maior. Na casa da família Régis, o futebol é o motivo que reúne quatro gerações em torno de uma tradição construída ao longo de mais de 20 anos.




