A chamada terapia com figurinhas vem sendo utilizada em Fortaleza como apoio ao desenvolvimento de crianças com transtorno do espectro autista (TEA), transformando o álbum da Copa em um instrumento de aprendizado e socialização. A prática, mediada por terapeuta ocupacional, envolve organização dos cromos, trocas entre colegas e diálogo, estimulando habilidades sociais e emocionais de forma lúdica.
O caso do menino Diogo Filho, de 8 anos, ilustra como a atividade ultrapassa o entretenimento e se torna parte de uma rotina terapêutica. Ao organizar as figurinhas por seleção e separar as repetidas para troca, ele também desenvolve autonomia e interação com outras crianças.
Segundo a família, o álbum virou um ponto de conexão social. “Ele me pediu pra colocar na pasta as figurinhas pra poder ele trocar com os amigos dele”, relata a mãe, destacando que o momento também fortalece vínculos no ambiente escolar.
Terapia com figurinhas e autismo no uso do álbum da Copa
Na prática, o álbum da Copa do Mundo funciona como ferramenta estruturada de interação. Durante as trocas, as crianças precisam negociar, esperar a vez e lidar com a frustração quando não conseguem a figurinha desejada.
“Eles desenvolvem a socialização, a negociação e aprendem a lidar com a frustração”, explica a terapeuta ocupacional Caroline Tavares, que acompanha a atividade.
Ela destaca que situações simples do cotidiano da brincadeira ajudam no desenvolvimento de competências importantes. “Você tem uma diferente, como é que a gente pode fazer, como a gente pode negociar”, afirma.
Além das habilidades sociais, a atividade também trabalha funções executivas, como organização e planejamento, e habilidades motoras finas, relacionadas ao manuseio das figurinhas e álbuns.
Álbum da Copa e terapia com figurinhas no pertencimento social
Mais do que completar o álbum, o processo de troca de figurinhas é visto como um espaço de inclusão e pertencimento. Para crianças com autismo, a participação em uma atividade cultural coletiva amplia possibilidades de interação com outras crianças e com o ambiente escolar.
“Essa interação social, ela tem um valor, um significado maior”, reforça a terapeuta ocupacional Caroline Tavares.
Entre uma troca e outra, as crianças também compartilham preferências e expectativas. “Ou do Cristiano Ronaldo, ou outra figurinha que eu não tenho”, comenta Diogo Filho ao falar das que mais deseja.
Outro participante, Pedrinho, também destaca o aspecto coletivo da atividade. “Eu acho divertido também trocar figurinha”, diz.
A dinâmica mostra como uma brincadeira popular pode ser adaptada como ferramenta terapêutica, contribuindo para o desenvolvimento social e emocional de crianças com TEA em Fortaleza.



