Um policial militar morreu após passar mal durante um curso de especialização promovido pelas forças de segurança do Ceará. O cabo Anderson Weverton de Lima Nunes, de 35 anos, integrava o Batalhão de Choque da Polícia Militar do Ceará (PMCE) e participava do X Curso de Operações Táticas Rurais (Cotar), realizado em São Gonçalo do Amarante, na Região Metropolitana de Fortaleza. Outro agente que participava da mesma capacitação também precisou ser socorrido e segue internado em estado estável.
O policial passou mal na terça-feira (9), um dia após o início das atividades do curso. Ele recebeu os primeiros atendimentos ainda no local do treinamento e foi encaminhado ao Hospital Municipal de Caucaia. Apesar dos esforços da equipe médica, o quadro de saúde se agravou e ele morreu nesta quarta-feira (10).
A Academia Estadual de Segurança Pública do Ceará (Aesp) informou que o militar apresentou problemas de saúde durante uma instrução prevista na matriz curricular da capacitação. Segundo a instituição, o cabo foi socorrido imediatamente pelas equipes de emergência que acompanhavam as atividades.
Além da assistência prestada aos participantes, a Aesp informou que determinou a abertura de uma investigação preliminar para apurar todas as circunstâncias relacionadas ao caso. O procedimento deverá esclarecer as condições em que o episódio ocorreu e verificar os protocolos adotados durante o treinamento.
Quem era o cabo Anderson Weverton de Lima Nunes
Anderson Weverton de Lima Nunes atuava na Companhia de Distúrbios Civis do Comando de Polícia de Choque da PMCE. Conhecido pelos colegas de corporação como "CB Nunes" ou "Choqueano 46", ele integrava uma das unidades especializadas da Polícia Militar voltadas para operações de maior complexidade.
Após a confirmação da morte, a corporação divulgou uma nota de pesar destacando a trajetória profissional do policial. A PM ressaltou o compromisso do cabo com a atividade policial e a dedicação demonstrada ao longo dos anos de serviço.
A Associação dos Profissionais da Segurança (APS) também lamentou a morte do militar. Em manifestação pública, a entidade destacou o histórico de aperfeiçoamento profissional de Anderson e afirmou que ele era reconhecido entre os colegas pela disciplina, pelo profissionalismo e pelo comprometimento com a missão policial.
A morte provocou forte comoção entre integrantes das forças de segurança do Ceará, especialmente entre policiais que atuam em unidades especializadas e conviviam com o cabo no cotidiano operacional.
Curso de operações táticas rurais reúne policiais do Ceará e Piauí
O treinamento teve início na segunda-feira (8) e reúne 75 policiais militares. Do total de participantes, 73 pertencem à Polícia Militar do Ceará e dois são integrantes da Polícia Militar do Piauí.
A formação possui carga horária de 444 horas-aula e é considerada uma das capacitações especializadas da área de segurança pública. O curso prepara agentes para atuar em ambientes de difícil acesso e em operações de maior risco.
Entre os conteúdos ministrados estão sobrevivência em área de caatinga, patrulhamento rural, combate em ambiente confinado, planejamento operacional, rastreamento e contrarrastreamento, além de técnicas relacionadas ao emprego do chamado "caçador", profissional treinado para missões específicas em terrenos complexos.
Segundo a Aesp, o objetivo da capacitação é formar policiais aptos a atuar no Comando Tático Rural (Cotar), unidade vinculada ao Batalhão Especializado em Policiamento do Interior (Bepi). Os profissionais também podem ser empregados em operações realizadas em áreas rurais, serranas e de mata, especialmente no enfrentamento a grupos criminosos armados.
Outro policial segue internado após passar mal durante capacitação
Além do cabo Anderson, outro policial que participava do Curso de Operações Táticas Rurais também precisou ser socorrido na terça-feira (9).
Inicialmente, o agente foi encaminhado ao Hospital Municipal de Caucaia. Posteriormente, ele foi transferido para uma unidade hospitalar particular em Fortaleza para continuidade do acompanhamento médico.
De acordo com a Aesp, o estado de saúde do policial é considerado estável. A instituição informou ainda que segue acompanhando o caso e prestando apoio aos familiares dos envolvidos e aos demais participantes da capacitação.
Caso ocorre menos de dois meses após morte de soldado em treinamento
A morte do cabo Anderson acontece menos de dois meses após outro episódio semelhante envolvendo um policial militar em treinamento no Ceará.
Em abril deste ano, o soldado Evandro Jordson de Sousa Marques, de 28 anos, morreu após passar mal durante uma formação promovida pelas forças de segurança estaduais.
O caso gerou debates sobre os protocolos de acompanhamento médico adotados em cursos de alta exigência física, as condições enfrentadas pelos participantes e os mecanismos de prevenção para situações de emergência durante treinamentos especializados.
Agora, com a abertura de uma investigação preliminar pela Academia Estadual de Segurança Pública, as circunstâncias da morte do cabo Anderson também deverão ser analisadas pelas autoridades responsáveis.
A expectativa é que os procedimentos apurem detalhadamente o ocorrido e contribuam para o esclarecimento do caso.




