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HISTÓRIA

Bairro Henrique Jorge guarda casa onde Raquel de Queiroz viveu e mantém tradição religiosa em Fortaleza

Com quase 30 mil moradores, bairro da zona oeste surgiu a partir de uma propriedade da família de Raquel de Queiroz e mantém até hoje forte tradição religiosa

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Bairro Henrique Jorge guarda casa onde Raquel de Queiroz viveu e mantém tradição religiosa em Fortaleza
Entre a literatura e a fé: a história do bairro Henrique Jorge, em Fortaleza. Foto: Reprodução


Quem passa pelas ruas do Henrique Jorge talvez não imagine que uma das regiões mais populosas da zona oeste de Fortaleza guarda uma ligação direta com a trajetória de Raquel de Queiroz. O bairro se desenvolveu em uma área que pertenceu à família da escritora e ainda conserva o casarão onde ela viveu parte da infância e da adolescência. Ao mesmo tempo, mantém tradições religiosas e comunitárias que ajudam a construir a identidade local.

Com quase 30 mil habitantes, o Henrique Jorge surgiu a partir do antigo Sítio do Pici, propriedade adquirida pela família de Raquel de Queiroz na década de 1920. A área ficava às margens da antiga Estrada do Pici, utilizada para a passagem de gado entre o então Barro Vermelho, atual Antônio Bezerra, e a Parangaba.

Segundo a estudante de História Iara Brito, a mudança da família para o local ocorreu quando os pais da escritora decidiram se estabelecer em Fortaleza.

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“O pai dela compra o terreno porque eles queriam vir para Fortaleza e encontraram aqui um lugar perfeito. A Raquel de Queiroz vai passar uma boa parte da infância e adolescência dela aqui no bairro. Tanto que na Rua Antônio Ivo até hoje a gente tem a casa da Raquel de Queiroz. É um patrimônio tombado de Fortaleza”, explica.

Henrique Jorge surgiu em área que pertenceu à família de Raquel de Queiroz

O casarão em estilo colonial construído no antigo sítio permanece como um dos principais marcos históricos da região. A propriedade pertenceu ao advogado Daniel de Queiroz, pai da escritora cearense.

Ao longo das décadas, o entorno do sítio foi ocupado e urbanizado, acompanhando o crescimento de Fortaleza em direção à zona oeste. A expansão transformou a antiga área rural em um bairro predominantemente residencial.

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A presença da família Queiroz, no entanto, continua sendo uma das referências históricas mais importantes para compreender a origem da comunidade.

Mudanças de nome marcaram a formação do bairro

Antes de receber o nome atual, a região passou por diferentes denominações. Na década de 1950, era conhecida como Núcleo Presidente Getúlio Vargas, em referência à Vila dos Sargentos do 23º Batalhão. Posteriormente, passou a ser chamada de Casa Popular, após a implantação do primeiro conjunto habitacional de Fortaleza.

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A mudança definitiva ocorreu em 1963. Uma proposta legislativa transformou oficialmente a área em bairro e adotou o nome Henrique Jorge, homenagem ao violinista e intelectual cearense que integrou a Padaria Espiritual.

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“Existe uma proposta que vai ser votada e, em menos de uma semana, o bairro muda de nome. Ele se torna Henrique Jorge como homenagem a um violinista da Padaria Espiritual, um intelectual importante para a história de Fortaleza”, afirma Iara Brito.

Os moradores também tiveram papel importante no desenvolvimento da região. Após a ocupação das primeiras moradias, organizaram associações para reivindicar infraestrutura e serviços públicos.

Igreja Imaculado Coração de Maria se tornou símbolo da comunidade

A religiosidade está entre as características mais marcantes do bairro. Antes da construção da Igreja Imaculado Coração de Maria, em 1959, os moradores participavam das celebrações sob uma mangueira. Hoje, o templo é um dos principais pontos de encontro da comunidade.

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“Aos domingos nós temos quatro missas em horários distintos e a igreja fica lotada, tanto dentro como fora. O pessoal vem realmente com uma sede muito grande para a Santa Missa”, relata o pároco, padre Almir Júnior.

Além das celebrações religiosas, a igreja também recebe casamentos de moradores de diferentes bairros da capital. Para o professor Hilberto Duarte, o templo guarda lembranças pessoais importantes. “Foi nessa igreja que eu fiz a minha primeira comunhão. Foi um momento muito importante para mim, porque me senti mais presente de Deus e acolhido pela própria religião”, recorda.

Comércio e perfil residencial ajudam a definir o Henrique Jorge atual

O Henrique Jorge faz divisa com bairros como João XXIII, Pici, Parangaba, Presidente Kennedy e Conjunto Ceará. A Avenida Senador Fernandes Távora concentra boa parte da atividade comercial da região.

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Entre as curiosidades locais estão ruas batizadas com nomes de capitais brasileiras, como Goiânia e Florianópolis.

Morador do bairro desde o nascimento, Michael Douglas afirma que o perfil residencial continua sendo uma das marcas da região.

“É um bairro tranquilo, com muitas áreas comerciais próximas. Tem várias famílias que moram aqui há muito tempo e continuam vivendo no bairro”, destaca.

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Entre a memória de Raquel de Queiroz, a tradição religiosa e o crescimento urbano, o Henrique Jorge preserva elementos que ajudam a contar parte da história de Fortaleza e da formação de seus bairros.

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