O desmatamento no Ceará apresentou uma redução de 32,4% em 2025, segundo dados do Relatório Anual do Desmatamento no Brasil 2025 (RAD 2025), elaborado pelo MapBiomas. O levantamento mostra que a área desmatada no estado passou de 40.066 hectares em 2024 para 27.077 hectares neste ano, uma diminuição superior a 13 mil hectares em apenas doze meses.
Além da queda na área afetada, também houve redução no número de alertas validados. Foram registrados 4.584 alertas em 2025, contra 5.974 no ano anterior. Os números colocam o Ceará em sintonia com a tendência observada em todo o país, que registrou desaceleração no avanço da supressão da vegetação nativa.
Os dados foram discutidos durante um encontro técnico promovido pelo MapBiomas, que reuniu especialistas e representantes de órgãos ambientais para compartilhar experiências de monitoramento territorial e estratégias de fiscalização.
O Ceará participou do evento por meio da Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace), que apresentou iniciativas voltadas ao fortalecimento do acompanhamento ambiental com apoio de tecnologias de monitoramento remoto e bases de dados públicas.
Desmatamento no Ceará recua mais de 13 mil hectares em um ano
A redução apontada pelo relatório representa um dos resultados ambientais mais relevantes registrados pelo estado nos últimos anos.
Embora o avanço sobre áreas de vegetação nativa continue sendo um desafio para a conservação dos recursos naturais, os números mostram uma desaceleração significativa do processo de desmatamento.
O resultado ganha importância especialmente por envolver a Caatinga, bioma predominante no Ceará e único exclusivamente brasileiro. Presente em grande parte do semiárido nordestino, a Caatinga enfrenta historicamente pressões relacionadas ao uso irregular do solo, expansão de atividades econômicas e exploração de recursos naturais.
A queda no número de alertas também indica uma redução das ocorrências detectadas pelos sistemas de monitoramento utilizados para identificar alterações na cobertura vegetal.
Queda acompanha tendência nacional apontada pelo MapBiomas
Os dados do MapBiomas mostram que a redução observada no Ceará faz parte de um movimento registrado em diferentes regiões do país.
Em âmbito nacional, a área desmatada caiu 20,6% em relação a 2024. Pela primeira vez desde o início da série histórica do sistema MapBiomas Alerta, o Brasil registrou menos de um milhão de hectares desmatados em um único ano.
Na Caatinga, a redução foi de 25,9%. A área desmatada passou de 174.119 hectares em 2024 para 128.947 hectares em 2025.
Os números reforçam a importância da integração entre monitoramento ambiental, fiscalização e uso de tecnologias capazes de identificar áreas sob pressão e direcionar ações de controle.
Como a tecnologia auxilia o monitoramento ambiental no Ceará
Durante o encontro técnico, a Semace destacou o uso de ferramentas de monitoramento remoto para fortalecer as atividades de fiscalização ambiental.
Segundo o órgão, desde 2021 os alertas gerados por plataformas como o MapBiomas vêm sendo utilizados para subsidiar análises técnicas e orientar procedimentos administrativos relacionados ao controle ambiental.
As informações obtidas por imagens de satélite são cruzadas com bases oficiais, como o Cadastro Ambiental Rural (CAR) e o Sistema Nacional de Controle da Origem dos Produtos Florestais (Sinaflor).
Esse cruzamento de dados permite identificar áreas monitoradas, verificar situações autorizadas e direcionar apurações quando surgem indícios de irregularidades.
Operações de fiscalização reforçam combate ao desmatamento
Entre as ações destacadas pela Semace está a Operação Caatinga Resiste, realizada em parceria com instituições de fiscalização e controle ambiental.
Em 2026, a operação ocorreu em nove estados do semiárido brasileiro. No Ceará, a ação contou com coordenação do Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) e participação da Semace, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS).
Segundo o balanço apresentado durante o encontro técnico, a operação fiscalizou 2.062,54 hectares em território cearense. Desse total, 1.992,69 hectares foram embargados.
Outra iniciativa mencionada foi a Operação Mata Atlântica em Pé. Na edição de 2024, a ação fiscalizou 45 alvos em oito municípios do Ceará, abrangendo uma área vistoriada de 2.014,25 hectares.
As operações são consideradas instrumentos importantes para identificar intervenções irregulares, proteger áreas sensíveis e ampliar a presença do poder público em regiões vulneráveis ao desmatamento.
Transparência e dados públicos ampliam controle ambiental
Além das ações de fiscalização, a Semace destacou a importância das medidas preventivas para a gestão ambiental.
Autorizações de supressão vegetal e planos de manejo florestal estão entre os instrumentos utilizados para acompanhar atividades autorizadas e garantir o cumprimento das exigências previstas na legislação ambiental.
Outro aspecto ressaltado foi a transparência das informações. O estado disponibiliza dados sobre autos de infração, áreas desmatadas e áreas em recuperação por meio de plataformas públicas.
Entre elas está o GeoSemace, sistema que reúne informações georreferenciadas relacionadas à fiscalização ambiental, denúncias, licenciamento e outras atividades monitoradas pelo órgão.
Os resultados apresentados pelo MapBiomas indicam que a combinação entre tecnologia, integração institucional e acesso público às informações tem fortalecido o monitoramento ambiental no Ceará. Embora os desafios relacionados à preservação da vegetação nativa permaneçam, a redução do desmatamento registrada em 2025 representa um indicador relevante para a proteção dos recursos naturais e dos biomas presentes no estado.




