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DENÚNCIA

O que está acontecendo com os jegues de Jericoacoara? Moradores denunciam mortes, ferimentos e desaparecimentos

Animais são encontrados feridos ou mortos em áreas da vila e do Parque Nacional de Jericoacoara; voluntários relatam desaparecimentos e pedem reforço na fiscalização

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O que está acontecendo com os jegues de Jericoacoara? Voluntários denunciam mortes, ferimentos e desaparecimentos
Casos de violência contra jegues se multiplicam em Jericoacoara e preocupam voluntários. Foto: Reprodução/Instagram @jegues_jeri

Os casos de violência contra jegues em Jericoacoara têm preocupado moradores e voluntários que atuam na proteção dos animais na região. Segundo integrantes do grupo Jegues Jeri, animais vêm sendo encontrados feridos, mutilados e até mortos tanto na vila quanto em áreas do Parque Nacional de Jericoacoara. Além disso, protetores relatam o desaparecimento frequente de animais e cobram uma investigação para esclarecer o que está acontecendo.

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Uma das voluntárias ouvidas pelo Portal GCMais afirma que a situação se agravou nos últimos meses e que os registros de maus-tratos têm se tornado cada vez mais frequentes. De acordo com ela, os casos costumam ser descobertos pela manhã, quando moradores e protetores encontram os animais feridos após ocorrências durante a noite.

“Geralmente acontece à noite. Quando amanhece, os animais estão machucados, principalmente dentro do parque”, relata.

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A voluntária afirma que ainda não é possível apontar exatamente quem estaria por trás dos casos ou quais seriam as motivações. No entanto, ela acredita que a situação exige uma apuração urgente por parte das autoridades.

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“Não sei se estão brincando com os animais para filmar ou se estão fazendo isso para acabar mesmo com eles. Não sei o que está acontecendo de verdade. O que eu sei é que precisa de uma investigação urgente”, diz.

Voluntários relatam cenário de sofrimento dos animais

Além dos ferimentos encontrados nos jegues, os protetores relatam que também há registros de ataques praticados por cães. Segundo a voluntária, alguns filhotes já morreram após serem atacados por animais que circulam pela região.

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Ela afirma, porém, que nem todos os casos podem ser explicados apenas pelos ataques de cães. Entre os indícios observados pelos voluntários estão poças de sangue, ossadas e vestígios encontrados em áreas frequentadas pelos animais.

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“Tem rastro de carro e de moto dentro do parque. Em alguns lugares que nem são estradas aparecem poças de sangue e rastros de jegue. Já encontrei vários ossos desses animais”, relata.

A protetora diz que a sensação entre os voluntários é de que a população de jegues tem diminuído. Segundo ela, muitos animais simplesmente desaparecem sem que haja qualquer explicação.

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“Todos os jegues estão sumindo. A gente vê menos animais e não sabe o que está acontecendo com eles”, afirma.

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Diante desse cenário, ela levanta hipóteses que, segundo ressalta, precisam ser investigadas pelos órgãos responsáveis. Entre elas estão possíveis ações criminosas contra os animais. No entanto, não há confirmação sobre essas suspeitas.

Grupo cobra investigação sobre casos em Jericoacoara

Formado atualmente por cerca de 20 voluntários, o grupo Jegues Jeri atua no acompanhamento, alimentação e resgate de animais feridos. Nas redes sociais, os integrantes divulgam registros dos atendimentos realizados e denunciam os casos encontrados na região.

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A voluntária relata que o trabalho tem sido emocionalmente desgastante para quem acompanha de perto o sofrimento dos animais.

“Está muito difícil. Eu tento ajudar da melhor forma possível, mas não aguento mais ver tanto sofrimento. Meu emocional está quebrado”, desabafa.

Segundo ela, há registros de diferentes tipos de violência contra os animais.

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“É animal queimado, é animal esfaqueado, é animal sem pata. É um filme de horror”, afirma.

Os voluntários também reclamam da falta de fiscalização dentro do parque e nas áreas onde os jegues costumam circular. Além dos casos de violência, eles relatam ocorrências frequentes de atropelamentos.

“Tem muito animal atropelado também. Sem fiscalização fica muito difícil proteger esses bichos”, diz.

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Presença dos animais na vila gera preocupação

De acordo com a voluntária, os jegues costumam circular pela vila em busca de alimento. Ela acredita que a falta de locais adequados para descarte de resíduos contribui para essa situação.

“Muitos deles ficam revirando lixo. Isso incomoda algumas pessoas. Falta consciência de colocar o lixo no horário correto e também falta uma estrutura adequada”, afirma.

Apesar disso, ela ressalta que essa explicação não justifica os casos registrados dentro do Parque Nacional de Jericoacoara, onde também são encontrados animais feridos.

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“Os animais que estão dentro do parque não deveriam estar passando por isso. Não sei por que estão sendo atacados. Pode ser maldade humana, mas quem vai dizer isso é uma investigação”, observa.

Prefeitura ajuda no tratamento dos animais, mas grupo pede mais ações

Segundo a voluntária, a Prefeitura de Jijoca de Jericoacoara iniciou uma parceria com o grupo para auxiliar no acolhimento dos animais resgatados. Um espaço foi disponibilizado dentro da área da usina de reciclagem para receber os jegues que necessitam de cuidados.

Além disso, conforme a protetora, o município tem contribuído com alimentação e medicamentos para os animais atendidos pelos voluntários.

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Apesar do apoio, ela afirma que ainda faltam medidas voltadas à fiscalização e à apuração das denúncias.

“A prefeitura entrou em contato com a gente, cedeu um espaço e está ajudando na medicação e na alimentação. Mas a questão da fiscalização dos cachorros e do que está acontecendo com os animais ainda não foi resolvida”, afirma.

Enquanto aguardam respostas, os integrantes do Jegues Jeri seguem registrando ocorrências e prestando assistência aos animais encontrados feridos. O grupo defende uma investigação para esclarecer as causas dos desaparecimentos, dos ferimentos e das mortes que vêm sendo relatados em Jericoacoara.

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