Quase um ano após o feminicídio da enfermeira Clarissa Costa Gomes, o caso entra em fase decisiva no Judiciário e segue mobilizando familiares, vizinhos e autoridades em Fortaleza. O julgamento do acusado, o gestor ambiental Matheus Antônio Lima Martins Queiroz, está marcado para o dia 13 de julho.
O crime aconteceu em 9 de julho de 2025, dentro da residência da vítima, no bairro Jardim Cearense, quando Clarissa estava sozinha com o então namorado. Segundo a investigação, ela foi morta com 34 facadas após um desentendimento. Desde então, a família aguarda a conclusão do processo e a realização do julgamento no Tribunal do Júri.
A casa onde a enfermeira morava permanece fechada desde o crime e se tornou símbolo da dor dos familiares e do impacto causado na vizinhança.
Vizinhos relembram momentos de tensão no Jardim Cearense
Moradores da região relatam que o crime ocorreu em meio à rotina do bairro e foi marcado por gritos e pedidos de socorro vindos da residência.
Uma vizinha afirmou ter ouvido sons intensos antes de perceber a movimentação no local. “Tem testemunha, que é uma vizinha, dizendo que escutou pancadas, como se fosse uma pancada muito forte no chão. E escutou a frase, ‘Matheus, você vai me matar?’, mas era um som muito abafado”, relatou Nathalie Capistrano, prima da vítima, ao relembrar os depoimentos colhidos durante a investigação.
Segundo moradores, cerca de meia hora após os gritos, o suspeito foi visto deixando o local em uma motocicleta. Ele acabou preso pouco tempo depois.
Ministério Público denuncia suspeito e reforça pedido de condenação
A investigação aponta que Clarissa chegou a enviar uma mensagem pedindo socorro a uma amiga momentos antes de ser morta. O caso foi denunciado pelo Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE), que acusa Matheus Antônio Lima Martins Queiroz de feminicídio.
O réu segue preso preventivamente enquanto aguarda julgamento. Para a acusação, o conjunto de provas reunido no processo reforça a responsabilidade do acusado no crime.
“O Matheus, covardemente, praticou um feminicídio abominável”, afirmou o advogado assistente da acusação, Waldir Xavier, ao comentar o caso.
A defesa e a acusação devem se enfrentar na audiência do Tribunal do Júri, marcada para 13 de julho. O Ministério Público pede condenação com base na gravidade do crime e na violência empregada contra a vítima.
Caso Clarissa Costa mobiliza família e segue repercutindo em Fortaleza
A enfermeira tinha 31 anos e atuava na área de neonatologia em hospitais públicos de Fortaleza. Familiares a descrevem como dedicada, estudiosa e reconhecida pelo profissionalismo.
“Ela era uma moça muito dedicada ao trabalho, muito estudiosa, muito competente, muito esforçada, uma mulher íntegra”, afirmou uma familiar ao lembrar da trajetória da vítima.
Segundo parentes, o relacionamento entre Clarissa e o acusado durava pouco mais de um ano. A família afirma não ter conhecimento de conflitos frequentes antes do crime, o que aumentou o impacto da tragédia.
Com o julgamento marcado, o caso volta ao centro das atenções e representa um dos episódios de maior repercussão recente envolvendo feminicídio em Fortaleza.




