A defesa de Matheus Anthony Lima, de 26 anos, acusado de assassinar a facadas a enfermeira Clarissa Costa Gomes, de 31, solicitou a realização de um laudo de insanidade mental. O advogado do réu, Euclides Augusto Paulino Maia, afirmou que, à época do crime, Matheus sofria de epilepsia, condição que seria de conhecimento da família da vítima. O resultado do exame pode influenciar diretamente no andamento do processo, podendo levar à inimputabilidade ou semi-imputabilidade penal do acusado.
Atualmente, Matheus permanece preso preventivamente, mas a defesa pede que ele responda ao processo em liberdade até a conclusão da avaliação psiquiátrica. A próxima audiência de instrução está marcada para o dia 28 de novembro, às 9h30, no Fórum Clóvis Beviláqua, em Fortaleza, e deve ouvir o próprio réu e novas testemunhas.
Na última audiência, realizada no dia 29 de outubro, a mãe da vítima, Áurea Costa Gomes, prestou depoimento por mais de duas horas. Uma vizinha também foi ouvida e relatou ter escutado gritos de socorro no momento do crime, ocorrido em 9 de julho. A família da enfermeira sustenta que o assassinato foi premeditado.
A Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce) concluiu que Clarissa morreu em decorrência de hemorragia interna e externa causada por mais de 30 ferimentos provocados por instrumento perfurocortante de gume único. O caso é tratado como feminicídio qualificado, crime cuja pena varia de 20 a 40 anos de prisão.
Enfermeira morta em Fortaleza
Clarissa foi morta dentro da casa onde morava com a mãe, no bairro Jardim Cearense, em Fortaleza. Ela trabalhava no Hospital Geral de Fortaleza (HGF) e no Hospital Dr. César Cals, duas das principais unidades de saúde do estado.
De acordo com a denúncia do Ministério Público, o crime foi cometido por motivo torpe, já que Matheus não aceitava o fim do relacionamento. Testemunhas relataram que ouviram gritos de pedido de ajuda e que a enfermeira chegou a enviar uma mensagem de socorro a uma amiga durante uma reunião virtual.
Após o assassinato, o suspeito fugiu, mas foi preso em flagrante e segue detido preventivamente. A audiência de instrução marca o início da fase que definirá se o réu será levado a júri popular.
A prima da vítima, Nathalie Capistrano, destacou o legado de Clarissa e sua dedicação à família e à profissão. “Clarissa era uma mulher muito comprometida com o trabalho e com a família. Sempre quis trabalhar na UTI neonatal e sonhava em passar em um concurso público”, disse à TV Cidade Fortaleza.
O advogado assistente de acusação do Ministério Público, Waldir Xavier, explicou que esta é uma etapa decisiva do processo: “Serão ouvidas testemunhas e reunidas provas periciais. Essa é a marcha processual que antecede o julgamento no Tribunal do Júri”, afirmou.
O caso repercutiu nacionalmente e gerou grande comoção nas redes sociais. A cantora Juliette Freire, amiga da vítima, publicou um vídeo em que lamentou a morte e cobrou justiça. “Nada trará Clarissa de volta, mas o luto agora é luta por ela e por todas as mulheres vítimas de feminicídio”, declarou.




