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Operação do MPCE prende 11 advogados suspeitos de repassar ordens de facções criminosas no Ceará

Ofensiva determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 20 milhões em bens e valores ligados aos investigados.

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Operação do MPCE prende 11 advogados suspeitos de repassar ordens de facções criminosas no Ceará
Deflagrada nesta terça-feira (30), a ação denominada Mensageiros do Crime resultou na prisão de 11 advogados (Foto: Reprodução)


A Operação do MPCE prende advogados suspeitos de atuar como intermediários entre chefes de facções criminosas presos e integrantes das organizações em liberdade. Deflagrada nesta terça-feira (30), a ação denominada Mensageiros do Crime resultou na prisão de 11 advogados. Uma investigada continua foragida e possui domicílio na capital paulista. Além das prisões, a ofensiva também atingiu lideranças criminosas e determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 20 milhões em bens e valores ligados aos investigados.

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Segundo o Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE), os profissionais utilizavam atendimentos jurídicos para transmitir ordens entre detentos e integrantes das facções fora do sistema prisional. Para os investigadores, a atuação extrapolava os limites da advocacia e contribuía para a manutenção da estrutura das organizações criminosas.

Ao todo, a Justiça expediu 29 mandados de prisão e 29 mandados de busca e apreensão, cumpridos em Fortaleza, Caucaia, Maracanaú, Aquiraz, Itaitinga, São Gonçalo do Amarante e também no estado de São Paulo.

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Como funcionava a rede investigada pelo MPCE

De acordo com o Ministério Público, a investigação identificou uma estrutura organizada de comunicação entre lideranças criminosas encarceradas e integrantes das facções que permaneciam em liberdade.

A suspeita é de que os advogados investigados atuassem como responsáveis pelo repasse de mensagens e orientações estratégicas, permitindo que chefes presos continuassem exercendo influência sobre as atividades das organizações criminosas mesmo dentro da Unidade Prisional de Segurança Máxima do Estado do Ceará.

Entre os assuntos tratados nas comunicações investigadas estavam:

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  1. reorganização das facções;
  2. expansão territorial;
  3. cooptação de novos integrantes;
  4. aquisição de armas;
  5. circulação de drogas;
  6. orientações destinadas a familiares, presos e integrantes em liberdade.

Segundo o MPCE, o conteúdo das mensagens demonstra que a estrutura das facções permanecia ativa e organizada, apesar da prisão de suas principais lideranças.

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Investigação começou após monitoramento em presídio de segurança máxima

A apuração teve início após decisão do Tribunal de Justiça do Estado do Ceará, em novembro de 2025, que autorizou a captação de imagens e áudios nos parlatórios da unidade prisional de segurança máxima.

Com base na análise desse material, os investigadores identificaram indícios de que parte dos atendimentos jurídicos estaria sendo utilizada para finalidades criminosas.

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As conversas registradas entre 8 de dezembro de 2025 e 15 de janeiro de 2026, segundo o MPCE, apresentaram um padrão recorrente de comunicação entre advogados e detentos, incluindo o uso de linguagem codificada para tratar de assuntos ilícitos.

Para os investigadores, o conjunto das gravações reforçou a hipótese da existência de uma estrutura organizada destinada a manter o fluxo de ordens entre líderes presos e integrantes das facções em liberdade.

Chefes de facções também foram alvos da operação

Além dos advogados investigados, a operação cumpriu mandados contra integrantes apontados como chefes de organizações criminosas.

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Dos 17 mandados de prisão direcionados às lideranças, 15 foram cumpridos contra detentos que já estavam recolhidos na Unidade Prisional de Segurança Máxima do Ceará. Os outros dois alvos, que estavam em liberdade, também foram presos durante a ofensiva.

Bloqueio de R$ 20 milhões e apreensões reforçam investigação

Como parte das medidas judiciais, foi determinado o bloqueio de aproximadamente R$ 20 milhões pertencentes aos investigados, com o objetivo de impedir a movimentação de recursos supostamente ligados às atividades criminosas.

Durante o cumprimento dos mandados, os agentes apreenderam uma Range Rover blindada com um dos chefes de facção investigados. Também foram recolhidos celulares, notebooks e joias que passarão por análise no decorrer da investigação.

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MPCE aponta atuação coordenada entre os advogados investigados

Outro ponto destacado pelo Ministério Público é que os diálogos analisados indicam uma atuação articulada entre os advogados investigados.

Conforme a investigação, havia referências frequentes entre os próprios profissionais e repetidas visitas aos mesmos detentos. O MPCE também afirma que parte dos investigados realizou um número elevado de atendimentos considerados incompatíveis com o padrão regular de assistência jurídica, conforme dados do Sistema Integrado de Gestão Penitenciária.

Na avaliação do órgão, esses elementos reforçam a hipótese de que não se tratava de condutas isoladas, mas de uma estrutura organizada destinada a manter a comunicação entre lideranças criminosas presas e integrantes das facções em liberdade.

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A operação continua em andamento para localizar a investigada que permanece foragida em São Paulo e aprofundar a análise do material apreendido durante o cumprimento dos mandados. Até o momento, o MPCE não divulgou novos detalhes sobre os próximos desdobramentos da investigação.

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