O uso excessivo do celular faz parte da rotina de milhões de pessoas e, quando perde o equilíbrio, pode afetar a convivência presencial, o descanso e até a percepção do tempo. Embora o aparelho seja indispensável para trabalhar, estudar e se comunicar, especialistas alertam que o problema não está na tecnologia, mas na dificuldade de desconectar das telas e estabelecer limites para o uso diário.
A cena é cada vez mais comum em restaurantes, salas de espera, transporte público e reuniões familiares: pessoas reunidas fisicamente, mas com a atenção voltada para o celular. Em muitos casos, o acesso começa por necessidade, porém se prolonga por hábito.
A designer de sobrancelhas Camila Lara conta que utiliza o aparelho como ferramenta de trabalho, mas admite que permanece conectada mesmo nos momentos de descanso. "Uso para trabalho, mas eu também, quando não estou trabalhando, uso para ficar assistindo vídeo. Só assistindo vídeo e rolando a tela do celular", relata.
Como o uso excessivo do celular muda hábitos e relações
Aplicativos de mensagens, redes sociais e notificações constantes fazem com que muitas pessoas percam a noção do tempo diante da tela.
O professor Thiago Borges afirma que percebe esse comportamento na própria rotina. Segundo ele, muitas vezes acessa as redes sociais rapidamente, mas acaba permanecendo conectado por muito mais tempo do que imaginava. "Você acaba se distraindo e passa mais tempo do que deveria", reconhece.
Para especialistas, o desafio está em interromper esse ciclo de consumo contínuo de conteúdos.
A psicanalista Tallita Araújo explica que as plataformas digitais foram desenvolvidas para estimular o usuário a permanecer conectado. O chamado "rolamento infinito" cria uma expectativa constante de encontrar algo novo e interessante, ativando mecanismos de recompensa do cérebro.
Segundo ela, existe uma lógica de promessa permanente nas redes sociais. "A lógica das redes sociais, a lógica das telas, com esse rolamento infinito, é de fato uma promessa de que eu vou encontrar alguma coisa", afirma.
A especialista acrescenta que esse processo pode levar as pessoas a associarem felicidade ao consumo de experiências vistas na internet. "Eu preciso ter esse corpo, conhecer esses lugares, experimentar essa comida. Entra nessa lógica da promessa de algo que vai me suprir", completa.
Por que as redes sociais prendem tanto a atenção
Apesar de aproximarem pessoas e facilitarem a comunicação, as redes sociais também podem produzir o efeito inverso quando utilizadas sem equilíbrio. Tallita destaca que muitas pessoas estão fisicamente juntas, mas emocionalmente distantes, porque a atenção permanece concentrada na tela do celular.
Segundo ela, essa dinâmica reduz a qualidade das conversas e das experiências compartilhadas. "Parece que a gente está junto, mas está cada um no seu mundo", afirma.
A especialista reforça que, quando cada pessoa permanece isolada no próprio celular, diminuem as oportunidades de convivência, diálogo e troca de experiências. "Se cada um tiver na sua tela, cada um está isolado e afastado um do outro", completa.




