A cantora Juliette afirmou nesta segunda-feira (13) que acompanha o julgamento de Matheus Anthony Queiroz, acusado pelo feminicídio da enfermeira Clarissa Costa Gomes, morta em julho de 2025, em Fortaleza. O processo é analisado pelo Tribunal do Júri, onde o réu responde por feminicídio majorado pelo uso de meio cruel e por recurso que impossibilitou a defesa da vítima, conforme denúncia apresentada pelo Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE).
Em publicação nas redes sociais, Juliette disse que iniciou o dia "de coração apertado" em razão do julgamento e afirmou confiar no trabalho das instituições responsáveis pelo caso.
A cantora acompanha o processo desde que o crime ganhou repercussão nacional. Clarissa era amiga de infância de Monalisa, amiga próxima de Juliette, com quem dividiu apartamento durante a juventude, na Paraíba.
Juliette acompanha julgamento e demonstra confiança na Justiça
Em vídeo publicado para os seguidores, Juliette afirmou acreditar que o Tribunal do Júri tomará uma decisão baseada nas provas apresentadas.
"Eu acredito muito na justiça, não só de Deus, mas dos homens, dos profissionais envolvidos nesse caso, das pessoas envolvidas no julgamento. E eu tenho certeza que a justiça será feita."
A artista também destacou que uma eventual condenação não é capaz de reparar a perda da família, mas pode representar uma resposta importante diante da gravidade do crime.
"Nada ameniza essa dor, mas a justiça precisa ser feita."
Não é a primeira vez que Juliette comenta o caso. Após a morte de Clarissa, em 2025, ela lamentou publicamente o feminicídio, relembrou a personalidade da enfermeira e aproveitou a repercussão para incentivar mulheres vítimas de violência a denunciarem agressões e procurarem ajuda.
Agora, durante o julgamento, a cantora voltou a defender o fortalecimento das políticas públicas de combate à violência contra a mulher e o aperfeiçoamento dos mecanismos legais de proteção às vítimas.
Como aconteceu o feminicídio de Clarissa Costa
Clarissa Costa Gomes foi assassinada dentro da casa onde morava com a mãe, no bairro Jardim Cearense, em Fortaleza.
Segundo a investigação, no momento do crime ela estava sozinha com o então namorado, Matheus Anthony Lima Martins Queiroz, técnico em gestão ambiental de 26 anos.
As investigações apontam que, pouco antes de morrer, Clarissa conseguiu enviar uma mensagem pedindo socorro a uma amiga. Inicialmente, a destinatária acreditou que o conteúdo fazia referência a uma reunião virtual de trabalho realizada anteriormente. Somente depois percebeu que se tratava de um pedido de ajuda.
De acordo com depoimentos reunidos pela Polícia Civil, Clarissa e Matheus se conheceram na igreja e mantinham um relacionamento desde outubro de 2023. Amigos da vítima afirmaram que ele foi seu primeiro namorado.
O caso provocou grande comoção no Ceará, gerou manifestações nas redes sociais e mobilizou debates sobre o combate ao feminicídio.
O que aponta a denúncia do MPCE
Conforme a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Estado do Ceará, a principal linha investigativa indica que Clarissa teria decidido encerrar o relacionamento no dia do crime.
Segundo o MPCE, Matheus Anthony não teria aceitado o término e passou a agredir a vítima. A denúncia afirma ainda que ele utilizou uma faca encontrada na residência para cometer o homicídio.
Para o Ministério Público, o conjunto de provas indica que o assassinato ocorreu em contexto de violência de gênero e foi motivado pela inconformidade do acusado com o fim do relacionamento.
Por isso, o órgão pediu que o réu fosse levado a julgamento por feminicídio qualificado, com incidência das causas de aumento relacionadas ao motivo torpe, ao uso de meio cruel e ao recurso que dificultou a defesa da vítima.
Durante as investigações, o acusado apresentou versões diferentes sobre o caso. Em um primeiro momento, afirmou que não havia encontrado Clarissa no dia do crime. Depois, declarou não se lembrar do que havia acontecido. Ele permanece preso preventivamente desde a época do homicídio.
Julgamento reforça debate sobre violência contra a mulher
A manifestação de Juliette ocorre enquanto familiares, amigos de Clarissa e representantes do Ministério Público acompanham o julgamento no Tribunal do Júri.
O caso voltou a chamar atenção para a violência contra a mulher e para a importância da denúncia precoce de situações de agressão, além da atuação integrada dos órgãos de proteção e do sistema de Justiça.
O julgamento deverá definir a responsabilidade criminal de Matheus Anthony pela morte de Clarissa Costa Gomes. Até a conclusão do júri, o acusado segue respondendo ao processo, e a decisão final caberá ao Conselho de Sentença e ao Poder Judiciário.




