Quatro árbitras da FCF registraram denúncias contra o presidente licenciado da Comissão de Arbitragem da Federação Cearense de Futebol (FCF), Paulo Silvio dos Santos, por supostos crimes de assédio sexual e estupro. Os relatos foram formalizados na terça-feira (14), na 1ª Delegacia de Polícia Civil da Defesa da Mulher, em Fortaleza, que iniciou a investigação para apurar as acusações apresentadas.
Segundo as denunciantes, os episódios teriam ocorrido desde 2018 e envolveriam situações relacionadas ao ambiente da arbitragem esportiva, incluindo relatos de constrangimento, intimidação e abuso de poder. As acusações também foram comunicadas à Federação Cearense de Futebol, que instaurou uma sindicância interna para analisar o caso.
A FCF informou que o procedimento será conduzido por uma comissão independente da Comissão de Arbitragem e do dirigente investigado. A entidade também afirmou que uma mulher presidirá os trabalhos da apuração interna, registrada como sindicância nº 01/2026, que terá acesso restrito.
O que dizem as denúncias apresentadas por árbitras da FCF
Conforme os relatos apresentados à Polícia Civil e à Federação, as mulheres afirmam que teriam recebido mensagens em horários inadequados e convites para encontros particulares feitos pelo dirigente.
As denunciantes também relataram situações em que teriam percebido mudanças relacionadas às oportunidades profissionais dentro da arbitragem após determinados episódios.
Uma das árbitras afirmou que teria recebido uma sugestão de benefício na carreira caso aceitasse um relacionamento com o dirigente. Outra relatou um suposto episódio durante uma foto oficial de um curso de arbitragem, em 2023, envolvendo contato físico sem autorização.
Também foi apresentado um relato sobre uma suposta violência sexual ocorrida durante uma confraternização em 2023. Os fatos serão analisados pelas autoridades responsáveis pela investigação criminal.
A apuração ainda está em fase inicial, e os relatos apresentados serão avaliados pela Polícia Civil e pela comissão interna criada pela entidade esportiva.
FCF abre sindicância e determina medidas durante investigação
Após receber as denúncias, a Federação Cearense de Futebol informou que adotou medidas administrativas para preservar o andamento da investigação e garantir segurança às pessoas envolvidas.
Entre as determinações anunciadas estão a preservação de documentos físicos e eletrônicos relacionados ao caso, a restrição de contato do investigado com denunciantes e testemunhas sobre os fatos apurados e medidas para evitar possíveis constrangimentos durante o processo.
A entidade informou ainda que Paulo Silvio dos Santos já havia solicitado licença das funções e permanecerá afastado das atividades relacionadas à Comissão de Arbitragem pelo período de 30 dias. Durante esse intervalo, segundo a FCF, o dirigente não poderá acessar sistemas, documentos ou grupos internos ligados ao setor, nem emitir orientações aos integrantes da arbitragem.
A Federação ressaltou que o afastamento temporário não interfere no andamento da sindicância.
Polícia Civil apura relatos registrados na Delegacia da Mulher
A investigação criminal será conduzida pela Polícia Civil, enquanto a Federação Cearense de Futebol ficará responsável pela análise administrativa dentro dos procedimentos internos da entidade. A FCF informou que a sindicância seguirá os princípios do contraditório e da ampla defesa, garantindo ao investigado o direito de apresentar sua manifestação durante a apuração.
Novos documentos, informações e depoimentos poderão ser incorporados ao processo caso sejam apresentados ao longo dos trabalhos da comissão. Ao final da investigação interna, será elaborado um relatório com as conclusões da sindicância e poderão ser adotadas medidas administrativas, caso sejam consideradas necessárias.
A Federação também afirmou que o caso poderá ser encaminhado a outros órgãos competentes, incluindo a Comissão de Ética da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ministério Público e demais autoridades responsáveis.
Em nota, a FCF declarou que não tolera práticas de assédio, violência, discriminação ou abuso de poder e afirmou que continuará colaborando com as investigações conduzidas pelas autoridades.




