O piloto cearense Alexandre Frota, conhecido como Alex Bacana, voltou a Fortaleza neste sábado (12), após 182 dias de viagem pelo mundo a bordo de um avião monomotor. O retorno encerrou a missão Frotas Pelo Mundo, que levou o cearense por cinco continentes e incluiu passagens pelo Ártico, Groenlândia, Rússia, Ásia, Alasca e diferentes regiões dos Estados Unidos.
A chegada ao Ceará foi marcada pelo reencontro com familiares, amigos e pessoas que acompanharam a expedição ao longo dos meses. Em entrevista à repórter Fernanda de Castro, da TV Cidade Fortaleza, Alex falou sobre a emoção de retornar depois de quase seis meses fora de casa.
“Ah, é maravilhoso. Isso aqui é o que a gente decola esperando por esse momento. E essa semana, a Noêmia sabe muito bem, foi uma semana que demorou um mês pra passar. Hoje quase que não chegava, né? Mas assim, estamos aqui, eu só tenho a agradecer a todo mundo que está aqui, que saiu de casa num sábado, né, pra vir prestigiar a gente aqui. Muita que eu já troco mensagens e tal, mas é sensacional. Tenho que agradecer tanta gente que se eu for começar a agradecer agora, só acaba amanhã”, afirmou o piloto.
Alex Bacana volta a Fortaleza após 182 dias de viagem
A expedição começou com a decolagem do PT-ZRQ e percorreu diferentes regiões do planeta. Ao longo dos 182 dias, o piloto precisou lidar com condições meteorológicas extremas, questões burocráticas, restrições de espaço aéreo, problemas mecânicos e travessias sobre oceanos.
Entre os trechos de maior complexidade estiveram a passagem pelo Ártico, a travessia da Groenlândia e do Atlântico Norte, os voos pelo Oriente Médio e pela Ásia e a chegada à Rússia durante as restrições relacionadas ao conflito com a Ucrânia.
Na Ásia, o planejamento precisou ser alterado diversas vezes para permitir a continuidade da viagem. A autorização para entrar na Rússia também exigiu negociações e contou com apoio de representações diplomáticas brasileiras.
Depois de chegar ao extremo leste russo, Alex cruzou novamente para as Américas pelo Alasca e iniciou o percurso de retorno. Nos Estados Unidos, enfrentou novos problemas mecânicos e mudanças de rota antes de seguir pelo Caribe em direção ao Brasil.
Piloto fala sobre aprendizados e saudade da família
Questionado sobre as principais lições deixadas pela viagem, Alex destacou mudanças relacionadas à disciplina, concentração e capacidade de lidar com imprevistos.
“Ah, várias lições, né? Assim, a gente aprendeu a ser mais disciplinado, mais focado, mais perseverante. Aprendemos a enfrentar mais obstáculos das mais diversas maneiras e não deu certo por um canto e vai pelo outro canto. E a gente também aprendeu a conviver mais com a saudade da família, que era muito grande. Enfim, inúmeros aprendizados também”, disse.
A esposa do piloto, Noêmia, também acompanhou a chegada. Ela participou do planejamento da expedição e afirmou que a família esteve envolvida durante todo o percurso.
“A gente também fez parte do planejamento, né? É como a gente fala, o Frotas, o S, é porque é o Frotas da família, né? Então a família sempre esteve lá. Nos momentos bons, momentos ruins, nos dias que quase não passavam e nos dias que passavam mais rápido. Então a gente estava lá sempre juntinho”, afirmou.
Viagem passou por cinco continentes
Durante a missão, o avião experimental PT-ZRQ, modelo RV-10, identificado pelo prefixo Papa Tango Zulu Romeo Quebec, foi utilizado para conectar diferentes pontos do planeta.
O percurso incluiu localidades e países como o Ártico canadense, Groenlândia, Islândia, Inglaterra, França, Espanha, Portugal, Egito, Arábia Saudita, Índia, Tailândia, Malásia, Indonésia, Coreia do Sul, Rússia e Alasca, além de diferentes regiões dos Estados Unidos.
A expedição foi acompanhada por vídeos, fotografias e episódios de um documentário publicado no YouTube, além de atualizações nas redes sociais do projeto Frotas Pelo Mundo.
Os conteúdos mostraram destinos visitados e também etapas menos visíveis da viagem, como o planejamento das rotas, a manutenção da aeronave e os problemas encontrados durante o percurso.
Travessia pelo Ártico e entrada na Rússia foram desafios
Entre os momentos destacados na trajetória esteve a passagem pelo Ártico e pela Groenlândia, seguida pela travessia do Atlântico Norte. A expedição também avançou pelo Oriente Médio e por países asiáticos antes da chegada ao território russo.
A entrada na Rússia ocorreu em um período marcado por restrições relacionadas ao conflito com a Ucrânia. Para conseguir avançar, o piloto precisou lidar com autorizações, mudanças no planejamento e negociações que envolveram apoio diplomático brasileiro.
O percurso continuou até o extremo leste da Rússia. De lá, Alex seguiu para o Alasca e iniciou a etapa de retorno ao continente americano.
PT-ZRQ foi usado na expedição pelo mundo
O avião utilizado durante toda a missão foi o PT-ZRQ, um RV-10 experimental. A aeronave acompanhou Alex nas diferentes etapas da volta ao mundo, incluindo as longas travessias e os trechos que exigiram mudanças de rota.
Os problemas mecânicos registrados durante a viagem também fizeram parte dos desafios enfrentados pelo piloto. Nos Estados Unidos, Alex precisou interromper e modificar planos antes de continuar o percurso pelo Caribe e seguir para o Brasil.
A viagem foi documentada ao longo dos meses, permitindo o acompanhamento da preparação, das decisões tomadas durante os voos e dos imprevistos encontrados em diferentes pontos do trajeto.
Chegada teve programação no Catuleve
O retorno ao Ceará foi celebrado no Catuleve – Clube de Aviação Desportiva, onde foi organizada uma programação para marcar o encerramento da missão. O evento foi destinado a sócios e convidados do clube e reuniu pessoas ligadas à aviação, familiares, amigos e apoiadores do projeto.
Entre as participações divulgadas estava a do humorista Tom Cavalcante, que enviou um vídeo para ser exibido durante a transmissão.
O Grupo Cidade de Comunicação e o portal GC+ também foram convidados para participar da cobertura da chegada.




