O agricultor que encontrou petróleo no Ceará, durante a perfuração de um poço artesiano em Tabuleiro do Norte, poderá ter uma nova oportunidade de encontrar a água que buscava desde o início. A Superintendência de Obras Hidráulicas (Sohidra) confirmou que realizará um estudo técnico na propriedade de Sidrônio Moreira para identificar os pontos mais adequados para a execução de novas perfurações em busca de água subterrânea.
O levantamento está previsto para o início do mês de agosto e será conduzido por geólogos da Sohidra. A equipe fará uma análise das características geológicas e do solo da área para localizar regiões com maior potencial hídrico. Em seguida, também serão realizados estudos para verificar a quantidade e a qualidade da água existente no subsolo.
Segundo o superintendente da Sohidra, Bruno Marinho, o órgão já foi procurado pela família e iniciará os trabalhos nas próximas semanas.
"A Sohidra recebeu a demanda da família e, no início do mês de agosto, nós vamos fazer estudos, verificações e inspeções. E, a partir desses resultados, nós vamos analisar e verificar a possibilidade da perfuração de novos poços, bem como informações como qualidade da água e vazões."
A iniciativa representa um novo capítulo na história do agricultor, que ganhou repercussão nacional após encontrar um líquido escuro durante a perfuração de um poço no terreno onde vive com a família, no município de Tabuleiro do Norte, no Vale do Jaguaribe.
Descoberta de petróleo mudou os planos da família
O caso teve início quando Sidrônio decidiu perfurar um poço artesiano para enfrentar a escassez de água na propriedade rural. Em vez da água esperada, porém, a perfuração atingiu uma substância escura que posteriormente passou por análises técnicas.
Em maio deste ano, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) confirmou que o material encontrado se tratava de petróleo cru. A partir dessa confirmação, a agência abriu um processo administrativo para avaliar as características geológicas da área, o tamanho das possíveis reservas e a viabilidade de uma eventual exploração.
Apesar da confirmação da natureza da substância, a ANP destacou que não há prazo definido para a conclusão dessa avaliação técnica e que o reconhecimento da existência de petróleo não significa, automaticamente, que a área será explorada comercialmente.
Enquanto esse processo segue em andamento, a família permanece impedida de realizar intervenções no ponto onde ocorreu a descoberta, em razão dos protocolos de segurança ambiental e da necessidade de preservação da área para as análises técnicas.
Avaliação será feita com rigor técnico
Em nota, a Sohidra informou que todas as etapas do estudo serão realizadas com cautela devido às características da ocorrência registrada na propriedade.
O órgão explicou que os geólogos responsáveis pelo levantamento possuem experiência para atuar em situações dessa natureza e seguirão os protocolos técnicos necessários durante as avaliações.
O estudo irá identificar os locais com maior potencial para captação de água subterrânea. Depois dessa etapa, serão realizadas análises para verificar a quantidade de água disponível e sua qualidade, informações essenciais para definir se uma nova perfuração poderá atender às necessidades da propriedade.
Caso os estudos indiquem viabilidade técnica, a possibilidade de execução de um novo poço será analisada pela Sohidra, considerando os critérios técnicos e a programação operacional do órgão.
A superintendência também reafirmou que todas as medidas necessárias estão sendo adotadas para assegurar uma avaliação criteriosa antes da realização de qualquer intervenção na área.
Processo sobre o petróleo ainda deve levar tempo
Paralelamente ao estudo para localização de água, a área continua sendo analisada pela ANP. O objetivo é compreender o contexto geológico da região e verificar se existe potencial para exploração econômica do petróleo encontrado.
A propriedade onde ocorreu a descoberta não está localizada em um bloco exploratório atualmente concedido pela agência reguladora, o que significa que qualquer eventual exploração dependeria de uma série de etapas técnicas, ambientais e administrativas antes de se tornar viável.
Mesmo que estudos futuros confirmem a existência de reservas economicamente aproveitáveis, a legislação brasileira estabelece que o petróleo e os demais recursos minerais existentes no subsolo pertencem à União.
Nesses casos, a exploração só pode ocorrer por empresas autorizadas em processos conduzidos pela ANP. O proprietário da área poderá ter direito às participações financeiras previstas em lei apenas se, futuramente, houver produção comercial na região, hipótese que ainda depende de diversas etapas de avaliação.
Enquanto esse cenário permanece indefinido, a expectativa da família está voltada para o estudo da Sohidra. A possibilidade de encontrar água subterrânea representa, neste momento, o principal objetivo da nova etapa de análises na propriedade.




