A Polícia Civil do Ceará já recuperou 16 mil celulares roubados ou furtados e devolveu os aparelhos aos proprietários, segundo informou o delegado-geral da instituição, Márcio Gutiérrez, durante entrevista ao jornalista Luciano Augusto, da Rádio Jovem Pan News Fortaleza, na manhã desta terça-feira (28). De acordo com o delegado, o resultado faz parte de uma estratégia para reduzir os crimes envolvendo celulares e desestimular o comércio ilegal desses aparelhos.
Segundo Márcio Gutiérrez, a iniciativa reúne Polícia Civil, Polícia Militar e Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) em ações voltadas à identificação, recuperação e devolução dos aparelhos às vítimas.
“Nós temos já, desde o início desse trabalho de recuperação de celular, 16 mil telefones que foram recuperados pela Polícia Civil e foram devolvidos para os seus verdadeiros donos, aquele cidadão, aquela cidadã que teve o seu aparelho furtado ou roubado”, afirmou.
O delegado explicou que os celulares são alvo frequente de organizações criminosas devido ao alto valor de revenda e à facilidade de comercialização. Segundo ele, a recuperação dos aparelhos também busca enfraquecer esse mercado.
“Nós estamos desarticulando esses grupos que são especializados em roubo de celulares furto de celulares e estamos conseguindo mostrar que o celular não é um ativo, não é um bom negócio para essas organizações, porque a gente tem conseguido localizar e devolver”, declarou.
Polícia orienta cuidados na compra de celulares usados
Além de recuperar os aparelhos, a Polícia Civil também orienta consumidores sobre os cuidados necessários antes da compra de celulares usados. Márcio Gutiérrez afirmou que muitos dos aparelhos recuperados estavam em poder de pessoas que alegaram desconhecer a origem ilícita dos equipamentos.
Por isso, ele recomenda que o comprador verifique a procedência do celular, confirme a identidade do vendedor e desconfie de ofertas muito abaixo do valor praticado no mercado.
“Não verificar a procedência do aparelho, o valor, aquele valor estava ali de acordo com o valor de mercado. Quem é o vendedor? Essa pessoa que está vendendo o aparelho é de confiança?”, disse.
Segundo o delegado, quando a investigação comprova que um aparelho é produto de furto ou roubo, ele é devolvido ao verdadeiro proprietário. A orientação é que a população redobre a atenção para evitar prejuízos e não alimentar o mercado clandestino.
Redução dos roubos faz parte da estratégia de combate ao crime
Durante a entrevista, Márcio Gutiérrez também comentou os dados mais recentes da Segurança Pública do Ceará, divulgados com base em informações do Ministério da Justiça.
Segundo ele, o Estado registrou redução de 40,8% nos Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLIs), categoria que reúne homicídios e feminicídios conforme a metodologia utilizada pelo governo federal.
O delegado afirmou ainda que os crimes contra o patrimônio também apresentaram queda, incluindo uma redução de 62% nos registros de roubos.
“Se a gente for verificar todos os tipos de roubo, roubo de carro, roubo de carga, roubo de celular, roubo à instituição financeira, todos esses indicadores estão em queda e são quedas substanciais”, afirmou.
Para ele, esses resultados refletem o trabalho integrado das forças de segurança e as ações voltadas ao enfrentamento das organizações criminosas.
Líderes de facções estariam fora do Ceará para evitar prisões
Outro tema abordado na entrevista foi a atuação das facções criminosas.
Segundo Márcio Gutiérrez, a estratégia da Segurança Pública busca retirar de circulação tanto os criminosos que atuam diretamente na prática dos delitos quanto aqueles que coordenam ações criminosas a partir de outros estados.
“A gente tem como estratégia tirar o criminoso violento de circulação, aquele criminoso que está ameaçando, que está matando, mas também tirar de circulação aquele criminoso que de longe do Estado, longe aqui do Estado do Ceará, tem determinado que crimes ocorram aqui”, afirmou.
O delegado acrescentou que as investigações apontam que a maior parte das lideranças dessas organizações está fora do Ceará justamente para evitar a atuação policial.
“A gente identifica claramente que que a grande maioria das lideranças dessas facções, dessas organizações, estão fora do nosso estado. Estão fora exatamente para não serem presos”, declarou.
Segundo ele, mais de 5 mil integrantes de facções criminosas foram presos no Ceará no ano passado, além da retirada de circulação de mais de 2.800 pessoas apontadas como homicidas.
Polícia ampliou ações contra organizações criminosas
Márcio Gutiérrez também destacou medidas adotadas para enfraquecer financeiramente as organizações criminosas.
De acordo com o delegado, desde 2023 a Polícia Civil representou pelo bloqueio de mais de R$ 3 bilhões que teriam circulado entre integrantes desses grupos.
Ele também citou mudanças estruturais na instituição, como a transformação da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) em um departamento estadual, com a criação das unidades Draco Sul e Draco Norte.
Outra medida mencionada foi a criação de uma delegacia especializada em armas de fogo, munições e explosivos, voltada ao monitoramento da circulação desses materiais e ao fortalecimento das investigações contra o crime organizado no Ceará.




