Casos recentes de violência contra crianças voltaram a chamar a atenção para a importância da atuação da rede de proteção no Ceará. Nos cinco primeiros meses deste ano, mais de 1.400 crianças e adolescentes receberam atendimento pelos serviços de proteção no estado.
Em Fortaleza, duas ocorrências registradas em poucos dias reforçaram o alerta. Um menino de 1 ano e 5 meses foi internado com ferimentos graves na mão, em um caso que passou a ser investigado pela polícia. Em outra situação, uma menina de 5 anos foi levada a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) com dores na região íntima. Durante o atendimento, a equipe médica suspeitou de violência sexual e acionou as autoridades. O homem investigado foi preso.
Em situações como essas, a prioridade da rede de proteção é garantir a segurança da criança e evitar novos riscos. No entanto, nem sempre a violência apresenta sinais evidentes, principalmente quando a vítima ainda não consegue falar ou tem medo de relatar o que aconteceu.
Mudanças de comportamento podem indicar situações de violência
Segundo o conselheiro tutelar Getúlio Mendes, alterações no comportamento das crianças podem ser sinais de que algo está acontecendo. Ele falou sobre o assunto com a equipe de reportagem da TV Cidade Fortaleza:
"Essa identificação pode ser feita através de gestos. As crianças às vezes ficam isoladas, têm mudanças bruscas de comportamento, ou até mesmo cai o rendimento escolar. A gente recebe também essas denúncias através das escolas, através de comportamentos das crianças que mudam bruscamente."
O conselheiro explica que a observação de familiares, professores e pessoas próximas pode ser fundamental para identificar situações de risco.
Quando uma criança sofre violência, o atendimento precisa ocorrer de forma rápida. A rede avalia cada caso e busca garantir a proteção da vítima, principalmente quando existe suspeita envolvendo pessoas próximas ou responsáveis pela criança.
Crianças podem ser encaminhadas para acolhimento
Quando a suspeita envolve o próprio responsável pela criança, os órgãos de proteção analisam se existe outro familiar que possa assumir os cuidados temporariamente. Caso não haja essa possibilidade, a criança pode ser encaminhada para acolhimento institucional enquanto a situação é investigada.
Getúlio Mendes explica como ocorre esse processo:
"A gente identifica se realmente existiu essa violência. E aí, não tendo ninguém da família ampliada, a gente prontamente traz essa criança ou esse adolescente para os nossos cuidados e pede o acolhimento institucional."
A medida busca garantir segurança e proteção durante o período de apuração do caso.
Acompanhamento psicológico ajuda na recuperação das vítimas
Além da proteção imediata, outro passo importante é o acompanhamento psicológico. O objetivo é ajudar a criança a lidar com os impactos causados pela violência e reduzir possíveis consequências ao longo da vida.
A psicóloga clínica Lorena Farias destaca a importância de evitar que a vítima passe novamente por situações traumáticas durante o processo de atendimento:
"Durante a denúncia é essencial para a vítima não ser revitimizada, ou seja, não ser explorada aquela situação além do necessário. E também, posteriormente, para evitar que essas consequências perdurem. Então, com a interferência do profissional, com a intervenção de profissionais da saúde, principalmente do psicólogo, pode-se conseguir reduzir um pouco os efeitos."
Segundo a profissional, o acompanhamento especializado contribui para o processo de recuperação e para a redução dos impactos emocionais provocados pela violência.
Denúncias podem ser feitas mesmo com suspeita
A suspeita de violência já é suficiente para que a rede de proteção seja acionada. Não é necessário que a pessoa tenha provas para realizar uma denúncia.
Em Fortaleza, os casos podem ser comunicados aos Conselhos Tutelares, à Delegacia de Combate à Exploração da Criança e do Adolescente (DECECA) e também pelo Disque 100.
De acordo com Getúlio Mendes, a capital possui estrutura específica para receber essas denúncias:
"Hoje a gente conta com 12 Conselhos Tutelares em Fortaleza, e existe a DECECA também, a Delegacia da Criança e do Adolescente. E o canal principal que é o Disque 100, no qual você pode fazer denúncia anônima sobre qualquer tipo de violência contra crianças e adolescentes."
A rede de proteção reforça que identificar sinais, comunicar suspeitas e buscar ajuda são medidas que podem interromper situações de violência e garantir atendimento adequado às crianças e adolescentes vítimas.
Denúncias para a polícia
A população pode contribuir com as investigações repassando informações que auxiliem os trabalhos policiais. As informações podem ser direcionadas para o número 181, o Disque-Denúncia da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), ou para o (85) 3101-0181, que é o número de WhatsApp, pelo qual podem ser feitas denúncias via mensagem, áudio, vídeo e fotografia ou ainda via "e-denúncia", o site do serviço 181, por meio do endereço eletrônico: https://disquedenuncia181.sspds.ce.gov.br/.




